Arte Indígena


Datada de antes da chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, e que se mantém viva até os dias atuais, a arte indígena é um patrimônio sócio-cultural de um povo que viveu a raiz do Brasil, que sobreviveu e fez sua arte daquilo que compõe cada hectar de terra brasileira, com o uso das penas das aves que aqui voavam, das plantas para extrair as tintas e da terra para produzir as belas peças de cerâmica. Apreciar uma peça de arte indígena é apreciar uma pequena parte do Brasil moldada em um utensílio do povo que se originou nesse vasto país.

Os materiais utilizados eram os encontrados na natureza, basicamente. Artefatos de cerâmica pintados com tintas extraídas de plantas (exemplo mais comum: a cor vermelha oriunda do pau-brasil). As peças eram geralmente potes, vasilhas, máscaras plumárias, vestes, cesteiras e demais objetos que eram muito mais utensílios que propriamente arte para ser apreciada. E é nessa frase que encontramos a diferença da arte indígena para as demais expressões de arte.

Indígena

A utilidade da arte indígena é um diferencial para a arte contemporânea. Percebe-se que, ao especificar os tipos de objetos produzidos pelos indígenas, veem-se semelhanças em todos: cada um tinha uma função. Não eram simples peças com o intuito de decorar ou de expressão sentimental. Tinham, claro, tal função, porém com a característica diferenciada de ser utilizada no dia a dia dos indígenas.

Muitos historiadores empacam em definir arte indígena, pois é muito mais do que uma arte, é uma utilidade. Confunde-se muito arte indígena e artefato indígena pelo fato da utilização do produto final, após pintura e molde dos jarros e trançado das cesteiras. A principal diferença é o foco na utilização dos objetos em relação à arte contemporânea.

Penas, tinta, palha e argila. Quatro dos materiais mais utilizados pelos indígenas nas confecções de seus utensílios que se tornaram arte. A pena de aves silvestres, as tintas oriundas do extrato de plantas nativas, a palha vinda da selva e a argila vinda direto do chão pisado pelos índios durante suas peregrinações pela terra. A arte indígena vem da selva, diretamente da selva e representa a selva em física e essência.

Arte Plumária

São, basicamente, os objetos confeccionados com a utilização de penas e plumas das aves associadas a outros materiais, como cipós e folhas, por exemplo. As penas e plumas são muito utilizadas na confecção de ornamentos para o corpo, como enfeite, seja no cotidiano ou em ritos e cerimônias, mas, comumente, é utilizada como identidade da tribo. A definição de arte plumária também agrupa o ato de pendurar penas no corpo como enfeite – como fora ressaltado acima.

Devido ao número abundante de aves desconhecidas dos portugueses ao chegar ao Brasil, a arte plumária dos índios brasileiros chamou em demasia a atenção dos colonizadores e da própria corte. Levada à Europa como símbolo de conquista do território americano, a arte plumária ganhou notoriedade pela apreciação dos demais povos do Velho Continente. Por ser um artesanato exótico e diferenciado, acabou se alongando durante a linha do tempo e sendo apreciada até os dias de hoje.

Cerâmica e Cestaria

A cerâmica é, talvez, o utensílio-artístico indígena mais mencionado em textos e teses sobre o assunto arte indígena. Devido à beleza estética e sua vasta utilidade, a cerâmica indígena caiu no gosto dos portugueses colonizadores da época e, ainda hoje, é aclamada por apreciadores desse estilo artístico tão diferenciado. O material era extraído direto da natureza e produzido pela própria tribo e utilizado no cotidiano para sua sobrevivência.

A necessidade da construção de estruturas de cerâmica foi para o armazenamento de água e alimento, principalmente. Com o tempo foram adaptando e evoluindo no uso da argila para produção de diversos outros objetos úteis. As índias da tribo coletam nos períodos de seca o barro das margens dos rios e misturam componentes orgânicos e mineiras à argila para dar uma boa liga, cozinham e obtém a vasilha rígida e pronta para utilização.

A cestaria, assim como a cerâmica, possui função semelhante: a armazenagem. Porém, o diferencial do cesto é a sua leveza. O uso das cestas é deveras requisitado no transporte de alimentos ou objetos, tratando-se, principalmente, de índios nômades, claro. Esses cestos eram produzidos com palha, junco, folhas de salgueiro ou castanheiro, eram trançados e acabavam possuindo força para segurar grande quantidade de peso.

Mas a cestaria não compreende apenas a confecção de cestos para o transporte e armazenagem de alimento e objetos pela tribo. A confecção de pulseiras e esteiras está inclusa na arte da cestaria indígena. A confecção utilizando penas e trançados tem se tornado cada dia mais popular, tendo os jovens da época e de hoje em dia como os principais apreciadores desse artesanato indígena.

A cultura rica dos índios deve ser sempre preservada como um patrimônio brasileiro, afinal, são os brasileiros de raiz. E manter sua arte e utensílios é uma forma de perpetuar a memória de um povo que esteve aqui antes do descobrimento do Brasil, por Pedro Álvares Cabral.