Funções da Arte e Semiótica


FUNÇÃO INDIVIDUAL

O homem é um ser sensível, emociona-se, reflete, pensa. A Arte tem como finalidade possibilitar os processos de percepção, sensibilização, cognição, expressão e criação necessários ao desenvolvimento global do homem, ao suprir suas exigências básicas de sobrevivência, o homem quis mais: desejou ser mágico para transformar a matéria em outra dife­rente; desejou tornar o sonho realidade; desejou criar beleza para encontrar prazer; desejou conhe­cer a si mesmo para ter a consciência do que é e do que poderá vir a ser enquanto cidadão.

FUNÇÃO AMBIENTAL

A Arte, por meio da alfabetização estética, leva o homem a observar o meio que o cerca, reconhe­cendo a organização de suas formas luzes e cores, suas harmonias e seus desequilíbrios, a sua estrutura natural bem como a construída.

Semiótica

FUNÇÃO SOCIAL

O homem é um ser cultural, fruidor e agente da Arte. A Arte é conhecimento e, como tal, tem função no processo de educação do homem, enquanto Educação Artística e alfabetização esté­tica. Ela revela os símbolos específicos de cada lin­guagem, necessários à construção de um leitor de mundo mais crítico, sensível e eficiente nos seus posicionamentos.

Iniciação à leitura de imagens

ARTES PLÁSTICAS

As Artes Plásticas têm como objeto de estudo as imagens. O artista plás­tico transforma a forma de vários materiais em outras formas. Faz a pedra virar um rosto, dá uma outra forma ao barro. Trabalha com a luz, a cor e o desenho para representar o mundo e expressar-se em imagens. Por meio desta lingua­gem, podemos estudar a natureza, o cotidiano, os meios de comunicação, as telas, as fotografias, as esculturas, para compreen­dermos melhor o mundo que nos rodeia.

Para isso, é preciso dominar os elementos que a constituem. Assim como a linguagem escrita, a linguagem plástica também tem em seu contexto formal os recursos para a expressão.

A linha, a cor, o volume e a superfície, são os elementos expressivos da linguagem plástica. Eles dão forma a uma imagem, por isso chamamos de elementos básicos ou contextos formais. Organizados em determinado contexto, eles adquirem um sentido compositivo, como, por exemplo, ritmo, equilíbrio, pro­fundidade. Tal disposição pode configurar uma ideia de tranquilidade, de frio, de calor, de dramaticidade, de movimento. Por esta razão, eles são chamados de elementos intelectuais ou secundários.

Toda forma gera um significado, um sentido, um tema ou motivo. Todos os temas ou motivos têm formas. Formas e sentidos constituem uma linguagem. Não os separamos, pois são partes do todo.

Compomos o nosso universo quando organizamos as cores, os objetos, as roupas, os espaços, com inten­ções práticas e estéticas, dando-lhes forma e sentidos. Composição, portanto, é um modo de coordenar ou dispor de cores, linhas e formas, a partir de uma determinada lógica que expressa uma ideia.

Ícones, signos, sinais… simbologias!

A Semiótica e a Semiologia são as ciências que estudam os símbolos. A primeira ocupa-se com os símbolos em geral, enquanto a segunda se detém na Linguística, enfocando principalmente os signos da língua.

Mas, o que são símbolos? Muitos acreditam que eles sejam revelações do mundo espiritual, ou a tentativa de explicar o inexplicável. Em um símbolo, a forma e o significado fundem-se de maneira indissolúvel, transcendem e configuram sentidos amplamente abrangentes, como a cruz, a pomba, o peixe, a aliança, a missa e o altar. Também são simbólicos o sinal vermelho e o verde, os distintivos, as roupas, as palavras e as cerimônias.

Na visão mágica, muitas vezes, o símbolo não é a representação de um elemento, mas o próprio elemento. No Egito, o Sol não era o símbolo da divindade, mas o próprio deus. Estar diante de uma imagem do Sol era estar diante dele. Por sua riqueza de interpretações, muitas vezes é difícil decifrar um símbolo em sua totalidade. Entretanto, isto pode ser feito levando-se em consideração os vários contextos em que um mesmo símbolo pode estar inserido, como, por exemplo:

• as Artes Plásticas;

os ícones utilizados na linguagem cibernética; o universo mítico; as superstições;
as expressões idiomáticas. Exemplo: “mão-aberta”, “unha-de-fome”; as concepções simbólicas antigas, etc.

O pensamento abstrato simbólico humano é grandioso. Decifrá-lo é compreender mistérios do homem e do universo. A Semiótica e a Semiologia auxiliam-nos nessa investigação mágica, dando-nos instrumentos para que sejamos mais críticos ao consumirmos as imagens e a produção artística da humanidade. Em cada projeto, procuramos abordar a interpretação de alguns símbolos. Veja algumas interpretações dos símbolos:

CASA; Símbolo do cosmos, centro vital do homem, ascen­são. Ele saiu das cavernas e fez sua casa, dando origem ao surgimento da cultura urbana. Em Linguís­tica, “casa”, muitas vezes, signi­fica homem. No Egito, é a última morada do ser humano. No budismo, casa-templo sim­boliza o corpo humano, já que ele é o abrigo da alma. Uma das inter­pretações psicanalíticas baseia-se na relação simbólica corpo/casa; o porão corresponde aos instintos, aos impulsos e ao inconsciente; o telhado, à cabeça, ao espírito ou à consciência; e a fachada, à apa­rência exterior.

JANELA: Receptividade, aber­tura para a luz sobrenatural. Os vitrais das igrejas góticas da Idade Média deixavam passar a luz do sol através dela. A luz que vem de fora repre­senta Deus; e a janela, em si, Maria.

Simbologia das cores

A cor também pode representar um símbolo. Esta simbologia varia conforme a cultura ou a área em que é utilizada. Por exemplo, nas Olimpíadas o vermelho representa o continente americano. Na visão mítica não é só um símbolo de vida, mas também é a própria força vital. Segundo a literatura que trata dos sonhos, o vermelho é símbolo de calor, fogo, raiva e paixão. No presente, é de senso comum rosas vermelhas significarem amor. Na medicina alternativa, a cromoterapia é instrumento de cura. Segundo os estudos esotéricos, como a Astrologia e a Numerologia, as cores podem influenciar os fatos do cotidiano. Os textos que seguem exemplificam algumas destas abordagens sobre a simbologia das cores.

TEATRO

Para entendermos o teatro, precisamos conhecer os elementos que o compõem. Elas têm como elemen­tos essenciais: o texto, a história, o ator e o público. Também importantes são o cenário, o figurino, a maquiagem, a sonoplastia, a música, a direção e a produção. Tais elementos serão abordados no decorrer do ano. Contudo, há três deles, sem os quais não há teatro, chamados de tríade essencial.

TRÍADE ESSENCIAL

Ator

Artista que interpreta um texto, conta a história. Ele empresta suas experiências de vida e sua memória emocional para criar o personagem. Ele é ao mesmo tempo instrumento e intérprete. Para tanto, é necessá­rio que o ator esteja em constante aperfeiçoamento. O fazer do ator é “sui generis”, porque é feito com base em outra criação. Não basta ter um corpo que saiba andar e falar; é preciso saber “mentir” com verdade através da criação e representação de uma personagem.

Texto

É a história propriamente dita. O texto dá origem ao espetáculo. A partir do texto, serão constituídos todos os outros elementos: personagens, figurinos, cenário. Os diretores e atores procuram ser fiéis à ideia central e às falas criadas pelo dramaturgo, que tem como veículo o diálogo. Uma das características do diálogo teatral é possuir um ritmo próprio que soa naturalmente na boca do ator. “O texto é a parte essencial do drama.”

Público

Pessoas a quem é dirigida toda a ação. Sem público, não há espetáculo.

Expressão

Pintar o corpo, dançar com máscara, romper com o tempo e desafiar os espaços. Gestos. Atos. Há gestos de carinho, de cansaço, corriqueiros que não quererem dizer nada, e gestos especiais.