Cora Corolina


Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Difícil lembrar sem ser pelo pseudônimo de Cora Corolina. Goiana da cidade de Goiás, nascida no dia 20 de agosto de 1889, Anna Lins assumiu seu pseudônimo com o intuito de passar histórias de sua vivência no estado de Goiânia desde muito cedo. Um dos grandes nomes da poesia e do contismo tradicional brasileiro, Cora Corolina é representada não só como uma das grandes autoras brasileiras, mas como um dos símbolos do poema e da prosa nacional.

Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, um desembargador designado pelo Imperador D. Pedro II, e de Jacyntha Luiza do Couto Brandão. Principiou a redigir os primeiros textos aos 14 anos, publicando-os, posteriormente, em jornais da cidade de Goiânia e em demais jornais de outras cidades que se mostravam interessados na publicação de seus poemas e crônicas. Apesar da pouca escolaridade, uma vez que só cursou quatro anos de escola de ensino básico, Cora tinha uma facilidade incrível em montar textos e construir frases que enchiam os olhos de quem a lesse. Já começava ali, no estado de Goiânia, sua fama e o início de uma promissora carreira na literatura.

Cora

Os elementos do folclore goiano eram muito presentes nos textos cotidianos de Ana e serviam como inspiração a fim de que a escritora mantivesse a cabeça erguida e seguisse com a caneta e folha na mão. Possuía uma voz inigualável e quando lia sua poesia atingia, com seu timbre, um nível de dicção e oratória invejáveis. Possuía um grau de qualidade literária e eloquência jamais visto por nenhum poeta do Centro-Oeste do Brasil.

Ana escrevia com uma simplicidade nítida e desconhecia regras gramaticais, o que não prejudicava a beleza do conjunto de suas palavras. A questão de a gramática ficar em segundo plano contribuiu para o fato de que a mensagem era importante e não a forma como ela era levada. Coralina buscava transparecer a vida que levava no centro-oeste brasileiro. Buscar respostas, filosofar sobre seu cotidiano, vivendo cada instante com o pensamento no que sucederia após aquele acontecimento. Isso permitiu a ela a descoberta de uma identidade simples que seria o melhor modo de alcançar a maior riqueza espiritual possível.

Em 1934, foge para São Paulo com o homem que viria a ser seu marido no futuro, com quem teria três filhos. O advogado Cantídio Tolentino Bretas era um homem duro e de caráter coronelista, a prova é sua proibição a Cora Corolina em participar da semana de arte moderna de 1922, a qual ela foi convidada como participante. Não esteve presente sob ordem do marido. Trabalhou como vendedora de livros na editora José Olimpo, onde lançou um livro quando tinha 76 anos.

A divulgação nacional de Anna se deu através do seu livro Poemas dos becos de Goiás e Estórias Mais, com sua segunda edição publicada em 1978. Obra exaltada por Carlos Drummond de Andrade, Aninha ganha notoriedade nacional já conhecida como Cora Corolina. Após a publicação e republicação de edições famosas de seus contos e poemas, Cora recebe o prêmio de intelectual do ano de 1983, bem como foi agraciada com o prêmio Juca Pato da União Brasileira de Escritores.

Dentre suas obras estão: Poemas dos Becos de Goiás e outras estórias (1965); Meu livro de cordel (1976); Vintém de Cobre – meias confissões de Aninha (1983); Estórias da Casa Velha da Ponte (1985); Meninos Verdes (1986); Tesouro da Casa Velha (1996); A moeda de ouro que o pato engoliu (1999); Vila Boa de Goiás (2001); O prato azul pombinho (2002).

Dentre suas principais obras, duas se destacam como Magnum Opus de Aninha: Poemas dos Becos de Goiás e outras estórias, de 1965, e Estórias da casa velha da ponte, publicada em 1985.

Poemas dos Becos de Goiás e outras estórias

Primeiro livro publicado pela poetisa cuja primeira edição fora impressa no ano de 1965, tendo a segunda edição publicada treze anos depois. A edição caiu nas mãos de Carlos Drummond de Andrade que, imediatamente, se apaixonou pelas estórias contadas pela goiana. Enviou-lhe uma carta por intermédio da editora parabenizando-a pelo trabalho e escrevendo sobre o sucesso que lera no Jornal do Brasil sob o título de “Cora Corolina, de Goiás”.

A publicação deu destaque a Aninha e notabilizou seu livro que retratava o cotidiano nos becos de Goiás. A obra reúne poemas que consagram a visão da autora que admirava o mais belo cenário no pior das visões. Ela colabora com histórias que viu, ouviu e presenciou durante todos os poemas, quebrando a fusão lírica entre o eu e o mundo.

Estórias da Casa Velha da ponte

O segundo livro de maior destaque de Cora. Construída “em pedra, madeira e barro”, a casa velha reunia diversas histórias deslumbrantes relatadas pela autora em pequenos contos de prosa. As paredes da casa construíram estórias de amor, suicídio e desespero por parte dos escravos que ali habitavam.

Desde histórias de amor a histórias de assombração, Estórias da Casa Velha da ponte é a enciclopédia da alma da autora que além de possuir um talento para a construção de poesias, contava histórias em prosa, como a mãe colocando um filho para dormir.

Aninha faleceu em Goiânia, no dia 10 de abril de 1985. Tendo, posteriormente, inúmeras obras póstumas publicadas. É reconhecidas como uma das maiores poetisas brasileiras.