Cruz e Souza


João Cruz e Sousa foi um poeta brasileiro. Com o apelido de Cisne Negro ou Dante Negro, foi um dos pioneiros do simbolismo no Brasil.

De acordo com Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o único autor importe de legitima raça negra na literatura brasileira, no qual são vários os mestiços.

Biografia

Filho dos escravos emancipados Carolina Eva da Conceição, e Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro. João da Cruz quando pequeno recebeu apoio e uma educação completa do seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa, de quem assumiu o sobrenome da família, Sousa. Dona Clarinda Fagundes Xavier de Sousa, esposa de Guilherme Xavier de Sousa, não possuía filhos, e passou a cuidar da educação e da proteção de João.

Cruz

Aprender latim, francês e grego, além de ter sido seguidor do alemão Fritz Muller, com quem estudou Ciências Naturais e Matemática.

Em 1881, coordenou o jornal Tribuna Popular, onde lutou contra o preconceito racial e a escravidão. Em 1883, foi rejeitado como agente de Laguna por ser negro. Em 1885 produziu o primeiro livro, Tropos e Fantasias junto com Virgílio Várzea. Depois de cinco anos foi para a cidade do Rio de Janeiro, no qual exerceu a profissão de arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil, cooperando também com vários jornais.

Em fevereiro de 1893, divulga o Missal, uma prosa poética baudelairiana, e no mês de agosto, Broquéis, poesia, introduzindo o Simbolismo no Brasil se expandindo até 1922. Em novembro do mesmo ano se casou com Gavita Gonçalves, também da raça negra, com quem teve quatro filhos, todos falecidos precocemente devido a tuberculose, enlouquecendo-a.

Morte

Faleceu em 19 de março de 1898 no estado de Minas Gerais, na cidade de Curral Novo, no qual pertence o município de Barbacena. Em 1948 a região se libertou e passou a ser conhecido como Antônio Carlos. Cruz e Souza estava na cidade de Curral Novo, porque foi transmitido com urgência devido a tuberculose. Seu corpo foi transportado para o Rio de Janeiro em um vagão reservado para o translado de cavalos.

Quando chegou, foi enterrado no Cemitério de São Francisco Xavier por seus colegas, entre eles José do Patrocínio, no qual continuou até 2007, quando suas sobras mortais foram então recebidas pelo Museu Histórico de Santa Catarina, localizado no centro de Florianópolis.

Cruz e Souza é um dos pais da Academia Catarinense de Letras, simbolizando a cadeira número 15.

Análise de obra

Seus poemas são definidos pela musicalidade, pelo sensualismo, pelo individualismo, ocasionalmente pelo desespero ou pelo apaziguamento, além de uma compulsão pela cor branca. É verdadeira que se encontram diversas menções a cor branca, da mesma forma que a translucidez, a transparência, os brilhos e a nebulosidade, e diversas outras cores, todas sempre evidentes em seus versos.

No ponto de vista de intervenções do simbolismo, observa-se uma combinação que coincidi águas do satanismo de Baudelaire com o espiritualismo relacionado tanto a disposições estéticas vigentes como as etapas da vida do autor.

Apesar de quase metade de a sociedade brasileira ser negra, pouquíssimos foram os autores negros, indígenas e mulatos. Cruz e Souza, por exemplo, é criminalizado por ter se reservado perante as questões relativos a situação negra, mesmo filho de escravos e tendo recebido o apelido de “Cisne Negro”, o escritor João da Cruz e Sousa não foi capaz de escapar das denuncias de indiferença pela razão abolicionista.

A denúncia, contudo, não é verdadeira, uma vez que, apesar da poesia social não ser parte da proposta poética do Simbolismo nem da sua proposta particular, o poeta, em certos versos, representou metaforicamente a situação do escravo. Cruz e Sousa lutou, sim, em combate a escravidão.

Tanto da maneira mais usual, criando jornais e publicando palestras, por exemplo, atuando, de forma curiosa, na campanha anti-escravista solicitada pela sociedade carnavalesca Diabo a quatro, quanto nos seus poemas abolicionistas, expondo o descontentamento com a gerencia do movimento pela família real.

Quando Cruz e Sousa fala a expressão “brancura”, é preciso apelar para os mais relevantes sentidos dessa palavra, muito além da própria cor.

Legado

Existe na cidade de Florianópolis, lugar onde Cruz e Sousa nasceu, uma casa antiga que fica do lado da praça XV de Novembro, denominada de palácio Cruz e Sousa, no qual são achados seus restos mortais. Fora isso, diversos municípios o homenageiam utilizando seu nome para designar avenidas e ruas.

Sylvia Back pilou um filme a respeito do autor lançado em 1998. O ator Kadu Karneiro foi quem interpretou Cruz e Sousa. Todo o roteiro do filme é constituído de poemas do escritor.

Em Lages, Santa Catarina, há um clube com o nome de Cruz e Sousa, que conserva a sua historia e incentiva a cultura negra.

José Rufino dos Santos divulgou em 2012 o romance Claros sussurros de celestes ventos, onde atuam como personagens tanto o poeta quanto a mulher, Núbia, que da a designação a um poema de Broquéis.