Bio-óleo


De acordo com o relatório divulgado no último ano pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), a ação humana é a grande responsável pelo aquecimento global. A emissão de gás carbônico, metano, óxido nitroso e dióxido de carbono, causada pela utilização de combustíveis fósseis, pelo desmatamento e pela poluição em massa ao meio ambiente, tem aumentado significativamente a emissão de gases de efeito estufa. Nos últimos cento e trinta anos, a temperatura do planeta aumentou em uma média de 0,85°C e a previsão para um futuro não muito distante é que a temperatura aumente ainda mais.

Diante deste cenário assustador, especialistas e pesquisadores têm procurado cada vez mais fontes alternativas de energia de origem renovável que causem menos ou nenhum impacto ao meio ambiente e que possam substituir as antigas fontes não renováveis, como o petróleo, o carvão e o gás natural.

óleo

O Bio-óleo surge como uma grande esperança para a humanidade, ainda não tão conhecida e explorada por cientistas por apresentar alguns contrapontos. Mas você deve estar se perguntando o que é bio-óleo e muito provavelmente deve sequer imaginar a importância dele para o meio ambiente.

Um combustível renovável em potencial

O bio-óleo é um combustível renovável proveniente da biomassa, uma fonte renovável composta por substâncias de origem orgânica abrangendo tanto vegetal quanto animal. Por ser bem menos poluente à natureza, utilizável em qualquer lugar e, principalmente, produzir uma energia” limpa”, a biomassa e seus derivados são o centro das atenções nos dias atuais.

Para “extrair” ou produzir o bio-óleo, é necessária a realização de uma série de processos bioquímicos e termoquímicos, também chamados de pirólise (primeiro estágio de combustão e gaseificação), no qual a biomassa é submetida a temperaturas extremas. O interessante do bio-óleo é que sua matéria-prima é formada por resíduos que normalmente seriam descartados como a casca de arroz, o bagaço da cana-de açúcar, os restos das plantações agrícolas, etc. Esses produtos são colocados em um reator a uma temperatura de 500°C, sem nenhum oxigênio. Durante a produção do bio-óleo, ao contrário dos outros combustíveis que transmitem o gás carbônico para o meio-ambiente, aumentando, assim, o efeito estufa e o gás liberado é absorvido pelas plantas no seu crescimento.

Este combustível basicamente tem a estrutura de um óleo de coloração escura com um cheiro bem semelhante ao da fumaça. Também é chamado de outras formas, como óleo de madeira, óleo de pirólise, alcatrão pirolítico, licor pirolenhoso, bio-óleo bruto, alcatrão pirolenhoso, destilado da madeira e líquido da madeira.

Para que serve

O Bio-óleo pode ser aplicado de diversas formas e em várias áreas de atuação industrial, como, por exemplo, na formação de resinas fenólicas e na indústria alimentícia para composição do sabor de defumação nos alimentos. Eles também podem substituir os combustíveis fósseis e o diesel para geração de energia elétrica em turbinas, caldeiras e motores. Da mesma forma, podem ser transformados em produtos químicos, gasolina e querosene usado na aviação.

Por se tratar de uma substância formada por vários compostos físicos e químicos, o refinamento permite a geração de diversos outros produtos, como adesivos, fertilizantes e saborizantes.

Desvantagens

As maiores dificuldades encontradas para utilização do bio-óleo como combustível em motores a diesel são causadas devido à sua composição físico-química que provocam a corrosividade, coqueifação e difícil ignição.

Apesar de ser mostrar altamente benéfico como combustível de motores, turbinas e caldeiras, como citado anteriormente, sua utilização em aplicações estáticas ainda é pouco limitada por apresentar algumas barreiras como a alta viscosidade, a coqueifação, a baixa volatilidade e a corrosividade.

O desafio dos pesquisadores tem sido o de adequar grande parte destes equipamentos ao bio-óleo e à própria composição do produto de forma que este seja devidamente utilizável.

Bio-óleo no Brasil

Existem muitos estudos promissores, principalmente no Brasil, voltados a aperfeiçoar a utilização do bio-óleo como combustível automotivo, mas todos ainda muito recentes e sem resultados a curto prazo. No entanto, instituições estatais, empresas e entidades não governamentais, além da própria comunidade científica têm investido recursos financeiros para a concretização e o avanço destes resultados.

O objetivo é obter um combustível renovável que possa substituir as fontes de energia não renováveis como o petróleo, por exemplo, principalmente diante da perspectiva do esgotamento dele em um futuro bem próximo. Algumas refinarias de petróleo têm aplicado recursos em novas tecnologias que estimulam a produção de biocombustíveis, como a Petrobras e outras companhias internacionais como a Shell e a Chevron.

Além disso, o bio-óleo produz energia “limpa” e pode ser derivado de resíduos agrícolas, como o bagaço da cana-de-açúcar, tão comum e abundante no território brasileiro. O bagaço tem sido usado para coprodução de energia térmica e elétrica.

Existem também as vantagens econômicas operacionais do produto, pois sua matéria-prima existe em grande escala em quase todos os ligares do mundo, e é facilmente armazenada e transportada.