Celoma: O que é e funções


Palavra que vem do latim “cele” e significa cavidade. Portanto, o celoma é um tipo de cavidade embrionária preenchida com um tipo de “fluído celômico”, além de ser revestida por uma mesoderme.

Basicamente o fluído celômico é um líquido incolor, e, pode ser constituído de uma hemoglobina corpuscular, circula por meio de contrações musculares da parede do corpo.

Celoma

Nos adultos o celoma é o responsável por formar uma cavidade abdominal e torácica revestida por um tipo de tecido “seroso”, que pode ser denominado peritônio, pleura ou pericárdio.

Como já dito, o celoma é uma cavidade preenchida por um fluído, além de ser revestida por um epitélio derivada da mesoderme, o qual circunda o tubo digestivo, ou o mesotélio (epitélio médio). É bom lembrar que o celoma é exclusivo a um grupo específico de organismos, denominados “Bilateria”.

No celoma há ainda um terceiro tipo de compartimento interno, que tem por objetivo a regulação fisiológica, e também, a especialização. Além disso, funciona como um esqueleto hidrostático, permitindo aos organismos se movimentarem e alterarem a forma de seus corpos.

Todos os animais vertebrados são celomados, já na classe dos invertebrados apenas alguns são, é o caso dos moluscos, anelídeos e equinodermos.

Seres pseudocelomados: celenterados e triplobásticos

Nos celomados a cavidade se localiza em uma parte do espaço do tecido conjuntivo, entre a epiderme e gastroderme. É bom salientar que durante o desenvolvimento deste o tecido conjuntivo desloca-se para uma região periférica.

Em animais triblásticos pode, ou não, haver o celoma, nestes casos a cavidade tem o objetivo de oferecer espaço aos órgãos internos. Só para recapitular: animais triblásticos são aqueles que apresentam três folhetos germinativos (ectoderma, mesoderma e endoderma), esses folhetos nada mais são do que tecidos do embrião que mais tarde irão dar origem a outros tecidos dos órgãos do animal já adulto.

Há ainda os animais considerados “pseudocelomados”, ou seja, possuem um falso celoma. Mas o que isso quer dizer? Os “pseudocelomados” são assim denominados em razão de não possuírem uma cavidade inteira forrada pelo tecido mesodérmico.

Falando ainda sobre os celomados vamos aos “celenterados”: nestes tipos de seres a gástrula origina apenas os dois primeiros folhetos embrionários – a ectoderme e a endoderme. Além disso, não existe a fase da gástrula tridérmica, e é em razão disso que tais animais não apresentam mais do que duas camadas fundamentais de células.

Os celenterados podem ainda ser classificados como diblásticos, ou, diploblásticos, tais seres não revelam o celoma porque o mesmo nasce na mesoderme. Temos como exemplos dessa classe as águas-vivas e corais.

Também existem os “triplobásticos” que apesar de desenvolverem a mesoderme de maneira embrionária acabam por não revelar o celoma. Os “triplobásticos”, ou, “triblásticos” não possuem cavidade celomática, esses, como já mencionado neste artigo, podem ser denominados “pseudocelomados”, ou ainda, “blastocelomados”.

No caso destes seres as chamadas células mesodérmicas não se organizam de forma a originar folhetos somáticos, os quais após a separação têm como objetivo delimitar o celoma.

Aqui o mesoderma adere ao ectoderma, e posteriormente, se afasta do endoderma, assim, surge um espaço que, futuramente, no individuo já adulto vai simular um “falso celoma”.

Tipos de celoma

Acredita-se que existam dois tipos de celoma: o esquizocélico e enterocélico.

Celoma esquizocélico: Animais que possuem este tipo de celoma são denominados protostômios, em casos como esse a mesodederme origina-se a partir de duas células endodérmicas que originam tanto o folheto parietal (externo), quanto o visceral (interno), ambos envolvem o celoma. Nos protostômicos a boca é formada a partir da boca embrionária.

Celoma enterocélico: em casos como esse a mesoderme forma-se a partir de duas envaginações da parede do arquêntero, portanto, da endoderme. No momento em que a endoderme se individualiza dois folhetos são formados, aqueles que possuem o celoma enterocélico são denominados “deuterostômios”, diferente do primeiro tipo de celoma aqui descrito, em casos como esse a boca definitiva é formada secundariamente, logo ao lado do blastóporo, local onde tem origem o anus.

Destinos finais e células da crista neural

A destinação final de alguns “folhetos embrionários” nos seres vertebrados são: ectoderma (epitélio de revestimento das cavidades nasais, anal e bucal), também a mesoderme e a endoderme (epitélio de revestimento do trato digestório).

Algumas células embrionárias são típicas e exclusivas dos vertebrados, sendo elas as responsáveis por formar a crista neural. Juntamente com a formação do tubo neural essas células se diferenciam já a partir do ectoderma do embrião. Sua localização é ao lado do tubo neural, de maneira posterior à região do encéfalo.

As células que se localizam na crista neural têm capacidade de migrar pelo corpo originando vários tipos celulares, podemos citar como exemplo, os neurônios sensoriais do sistema nervoso periférico, algumas células da medula adrenal, a derme da pele da cabeça e também algumas células responsáveis pela pigmentação do corpo.

A título de informação e curiosidade cabe dizer que muitos estudiosos acreditam que a evolução das células da crista neural tenha sido o passo crucial na origem dos vertebrados, afinal, nenhum outro animal possui tais células.