Filogenia


A filogenia é o estudo das relações hipotéticas relativas à evolução de espécies conhecidas e catalogadas pela ciência. Muitas vezes também chamada de filogênese, tem como objeto de estudo a relação ancestral comum entre as espécies, projetando hipóteses que culminem na definição de ancestrais que definem as características de cada uma dessas espécies.

O cientista Willi Henning determinou a sistemática filogenética, baseando-se em testes que validem a taxonomia dos grupos estudados. Nesta linha de estudos, essa sistemática serve como base para outros métodos de comparação e obtenção de resultados.

A dedução que resulta a filogenia se baseia em alguns princípios, como a verossimilhança e a parcimônia, além da aplicação do algoritmo Monte Carlo das Cadeias de Markov, que determinam a árvore genealógica de cada espécie e suas semelhanças. A aplicação desse modelo matemático determina a evolução das características de cada espécie e à similaridade molecular apresentada entre elas, para que o resultado do estudo seja válido e consistente.

Filogenia

O estudo da filogenia ganha novo impulso a partir do fim do século 19, com a ampla aceitação por parte da comunidade científica, da Lei de Haeckel, que trata da biogenética. A partir disso, se aceitou que o desenvolvimento de um único organismo pode refletir, de maneira verossímil, o desenvolvimento e a evolução de espécies inteiras. Essa linha de raciocínio foi rejeitada por alguns cientistas, por se afastar das leis da genética e da evolução postuladas por Mendel e Darwin.

Filogenia: Princípios básicos

O estudo da filogenia se baseia na transferência genética entre organismos diferentes. Via de regra, essa transferência pode ser vertical, quando passada para os descendentes diretamente por seus progenitores, ou lateral, quando se dá para organismos que não tem vínculo de parentesco direto. Esse segundo tipo de transferência dos genes é muito comum entre os seres Procariontes. A partir do desenvolvimento tecnológico, que baseia a biologia comparada, grandes quantidades de informações podem ser comparadas. Esses dados referentes à forma, ao comportamento e ao ambiente são analisados através da sequência de DNA e depois dispostos em anagramas ou diagramas, que formam a conhecida árvore filogenética e, a partir delas, podem ser considerados como grupos naturais ou válidos, desde que os ancestrais sejam comprovadamente comuns.

Sendo assim, o grau de parentesco de duas distintas espécies é determinado por um ancestral em comum a ambas, responsável pela origem delas. Se analisarmos três espécies simultaneamente, duas deverão ter ancestrais comuns e a terceira não. Essa regra só não se aplicaria se todas as três fossem originadas ao mesmo tempo. Levando essa linha de raciocínio a todas as espécies conhecidas, chegaremos a uma gigantesca sequência mapeável, e que terá como topo uma única e primeira espécie ancestral comum à todos os seres vivos existentes.

A filogenia como estudo hipotético

Como cada estudioso se utiliza de dados e evidências diferentes, a filogenia de um certo grupo de espécies é resultante das características específicas de cada estudo, sendo assim, apenas uma hipótese e configurando as relações entre as espécies de maneira individual e subjetiva, a partir do objeto de estudo de cada pesquisador. Portanto, não se pode afirmar que os resultados serão a exata descrição genealógica de um determinado grupo estudado.

Apesar desse caráter impreciso e individualizado, o estudo da filogenia é fundamental para o entendimento da evolução de uma espécie, ou de alguma característica particular de algum grupo de espécies. Se imaginarmos uma característica da raça humana, como o deslocamento bípede, ou seja, em duas pernas e estendermos o estudo à outras espécies de primatas, demonstra-se que somos mais aparentados à algumas espécies do que a outras. Através do estudo e do mapeamento filogenético, conclui-se que a forma bípede de locomoção apresentada pelo Homo Sapiens se assemelha ao grupo de outros grandes macacos, como o chimpanzé e o gorila.

Portanto, a partir do estudo da filogenia, pode concluir, de maneira hipotética, que o ser humano e essas outras espécies possuam um ancestral em comum em algum momento de suas linhas evolutivas e que esse fato determinou a forma de deslocamento parecida entre espécies diferentes. Essa ligação abre a possibilidade de que o estudo da forma de se locomover desses primatas responda perguntas relacionadas à forma humana de deslocamento, já que, segundo a hipótese, teriam a mesma origem.

O estudo da filogenia avança em paralelo às descobertas e avanços científicos que permitem, cada vez mais, o estudo aprofundado e minucioso de estruturas complexas como os aminoácidos e a genética. Novas hipóteses surgem a cada estudo e novas ligação são possíveis, a partir das conclusões que se apresentam. Portanto, a filogenia é uma importante ferramenta para a descoberta de ligações entre as diversas espécies ou entre grupos de espécies, que possibilitam o entendimento e a evolução ancestral de cada uma delas, dentro de um contexto histórico e científico, que nos aproxima cada vez mais da origem da vida.