Gêmeos Siameses: A vida compartilhada e o procedimento cirúrgico


Grosso modo gêmeos siameses são gêmeos idênticos que nascem unidos um ao outro, e podem ainda ser chamados xifópagos. São gêmeos monozigóticos, portanto, formados a partir de um mesmo óvulo zigoto.

No caso dos siameses o chamado disco embrionário não chega a dividir-se por completo o que acaba gerando gêmeos ligados por uma parte específica do corpo, ou ainda, podem possuir uma parte do corpo em comum.

Gêmeos Siameses

Geneticamente falando o embrião destes irmãos é formado apenas por uma massa celular, além disso, são desenvolvidos em uma única placenta dividindo o mesmo saco amniótico. As estatísticas apontam que de cada 40 gestações gemelares monozigóticas apenas uma resulta em gêmeos interligados pela chamada não separação complexa.

Mas, há ainda outro tipo, mais comum, de gêmeos xifópagos em que a união ocorre em algum momento da gestação, tais irmãos unem-se por partes iguais, por exemplo, abdômen com abdômen, ou, cabeça com cabeça. Em geral notícias sobre procedimentos cirúrgicos que separam gêmeos siameses são mais comuns nesses casos.

Vida compartilhada

No caso de gêmeos xifópagos estes podem ser unidos pelo tronco, então, nestes casos cada um tem seus órgãos funcionando de forma correta, e muitas vezes uma cirurgia para separá-los é indicada, exceto em casos em que ambos compartilhem do mesmo coração, fígado ou pulmão.

Quando os irmãos são unidos pela cabeça, pernas, braços ou mesmo outros locais do corpo e compartilham dos mesmos órgãos a situação é considerada de risco e o procedimento cirúrgico não deve ser realizado, afinal, poderia resultar na morte de um dos gêmeos durante a cirurgia ou mesmo no pós-operatório.

Como já dito no início, gêmeos siameses resultam de alterações genéticas que ocorrem, na maioria das vezes, no início da gravidez. Tais alterações podem ser identificadas logo na primeira ultrossonagrafia feita pela mãe, em gestações desse tipo a cesárea é imprescindível.

Gêmeos siameses podem viver unidos por anos, como é o caso dos irmãos Ronnie e Donnie Galyon que nasceram no ano de 1951 e ainda estão vivos, os gêmeos chegaram a entrar para o Guinness Book como os siameses mais velhos do mundo ainda vivos. Mas, obviamente são casos isolados, afinal, a maioria não chega a idade adulta.

O procedimento cirúrgico

Avaliados os riscos e assim que os pais optam por realizar a cirurgia são necessários diversos médicos e especialistas durante o procedimento que pode levar horas. A presença de um cirurgião plástico, também um cardiovascular e um cirurgião pediátrico é essencial, afinal, serão estes os responsáveis por separar órgãos e reconstruir ou adaptar tecidos caso seja necessário.

Como já dito, quando gêmeos xifópagos estão ligados pela cabeça e pelo tronco a situação torna-se ainda mais delicada, afinal a chance de compartilharem dos mesmos órgãos é maior. Assim, quando separados a chance de morte de um dos irmãos é grande, somente se rins, fígados e intestinos forem compartilhados e os gêmeos separados há chances de salvação.

Contudo, dificilmente siameses partilham um único órgão, além disso, além da ligação física há a ligação emocional, afinal já aprenderam a compartilhar uma vida. Aliado a tudo isso está o fator decisão que, obviamente, cabe aos pais. Portanto, se um dos gêmeos vier a falecer a culpa sempre será carregada.

Um pouco de história

O termo “siameses” tem origem em uma das primeiras ocorrências registradas sobre tal fenômeno, foi no ano de 1811 em Sião, região da Tailândia quando os irmãos Chang e Eng nasceram unidos pelo tórax.

De acordo com registros históricos os gêmeos tailandeses Chang e Eng jamais se separaram e levaram uma vida praticamente normal, casando-se inclusive e tornando-se pais de 22 filhos.

No Brasil já aconteceram casos de gêmeos siameses, os primeiros foram na Paraíba e também no Pará.

Acredita-se que o caso de siameses mais antigo do qual se tem registros é o das “Donzelas de Biddenden”: Eliza e Mary Chulkhurst eram irmãs gêmeas nascidas em Kent, na Inglaterra por volta do ano de 1100. Registros apontam quem ambas estavam interligadas desde o ombro até o quadril, “as donzelas” teriam vivido por 34 anos.

Casos raros

Casos de siameses triplos são extremamente raros, de acordo com especialistas em genética apenas um caso foi registrado no Século XIX na Sícilia quando três garotos teriam nascido compartilhando o mesmo tórax, mas com dois corações, dois pulmões, dois estômagos e três cabeças.

Há ainda uma outra anomalia rara com incidência em um a cada 500 mil nascidos, denominada “fetus in fetu” que ocorre quando um gêmeo mal formado vive dentro do corpo de seu gêmeo hospedeiro. Isso acontece porque os gêmeos não chegam a separar-se completamente quando ainda são zigotos, então, acabam unidos por alguma região do corpo.

Nestes casos um dos irmãos cresce e se desenvolve “normalmente”, em contrapartida, o outro se atrofia e acaba se alojando no interior de seu irmão sadio, passando a depender completamente dele.