Plastinosomose


Uma parasitose de felinos domésticos ou silvestres, a plastinosomose tem como agente etiológico o trematódeo Platynosomum spp. Esta parasitose geralmente habita os ductos biliares e vesícula biliar do gato, porém pode ser encontrado, também, no duodeno ou outras porções proximais do intestino e ductos pancreáticos.

O trematódeo concentra-se em regiões tropicais e subtropicais. E possui como hospedeiros insetos, lagartixas, moluscos e sapos, antes de se apropriarem dos felinos. A contaminação geralmente ocorre por meio da ingestão de hospedeiros que possuem cistos hepáticos deste parasita. O gato ao ingerir algum dos animais citados, acaba adquirindo os parasitas que estão encistados no fígado destes hospedeiros, surgindo as metacercárias que migram para se desenvolver nos ductos biliares. Esse mau hábito alimentar pode levar a sérios riscos de saúde ao seu felino. Ao ingerir algum dos hospedeiros, algumas bactérias também são ingeridas. Além de causar infecções graves, elas podem levar até a morte.

Plastinosomose

A parasitose é causada por um trematódeo da espécie Platynosomum sp

De acordo com o grau de infestação, os sinais clínicos podem variar em:
• diarreia mucoide;
• perda do apetite;
• perda de peso;
• vômitos e anorexia.

Se caso houver colestase (diminuição ou interrupção do fluxo de bílis), poderá ser observada à:
• icterícia (olhos e gengivas amarelados);
• hepatomegalia;
• ascite;
• aumento palpável da vesícula biliar;
• depressão.

Estima-se que em muitas áreas endêmicas, até 85% dos gatos podem vir a ser infectados com este parasita, sendo que as fêmeas são as maiores vítimas, por apresentarem uma necessidade maior de caçar para obter alimentos para suas crias. Geralmente, os gatos caseiros diagnosticados com platinossomíase têm mais de dois anos de idade e possuem histórico de se alimentar com lagartixas.

Devido à ausência de sinais clínicos específicos, as técnicas diagnosticadas em gatos com a parasitose são particularmente importantes na epidemiologia da platinossomíase. O diagnóstico definitivo é realizado pela detecção de ovos operculados nas fezes, presumindo que os parasitas não obstruíram por completo o trato biliar. A análise das fezes por meio do método de sedimentação com formalina-éter.

Uma opção nos casos de suspeita da parasitose é a utilização de um colagogo (algum tipo de óleo, milho, oliva) que tende aumentar o número de ovos nas fezes, fazendo com que ocorra a eliminação diária dos ovos dos parasitas. O colagogo utilizado pode ser o óleo de milho.

Geralmente a parasitose habita os ductos biliares e vesícula biliar dos gatos

No entanto, em alguns casos de parasitismo, o diagnóstico positivo não pode ser realizado no exame de fezes, então os achados hematológicos e bioquímicos devem ser avaliados separadamente. As alterações hematológicas são sugestivas da doença de felinos por parasita, porém não são patognomônicas. O parasitismo biliar induz a eosinofilia circulante, iniciando três semanas após a infecção.

Vale ressaltar que um aumento de 10% a 20% nos valores de ALT (alanina aminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase) podem ser observados nos primeiros quatro ou cinco meses do parasitismo. A FA (Fosfatase alcalina) não está frequentemente afetada e os valores continuam normais, mesmo quando o felino apresenta hepatomegalia e ictérica. A bilirrubina geralmente acompanha a icterícia. No ultrassom pode ser observada dilatação de ductos biliares, dilatação vesicular e hepatomegalia.

Normalmente a laparotomia é necessária nestes casos. Podendo-se ser diagnóstica e até terapêutica. O mais recomendado é a retirada de amostras da bile, para citologia e cultura bacteriana. Assim é possível observar as alterações hepáticas macroscópicas e a coleta de fragmentos para a biópsia. Um procedimento cirúrgico pode ser realizado para restaurar o fluxo biliar para o intestino, trata-se da colecistoduodenostomia, a anastomose da parede vesicular com o duodeno.

Na necropsia devem ser observadas as alterações macroscópicas existentes em todos os órgãos, além de colher uma amostra de bile da vesícula biliar para destacar a presença de ovos do parasita. Na análise macroscópica do fígado, devem ser observados o tamanho, a consistência e a coloração e, após o procedimento, colher uma amostra hepática para estudo histopatológico.

O tratamento é feito basicamente com o cesticida praziquantel durante três a cinco dias. O sucesso dependerá do tempo e do grau de infestação e, principalmente, do grau de injúria sofrido pelo fígado. Quando há um quadro de colangite, o mais indicado é o tratamento com corticoides. O tratamento suporte também é essencial e envolve o uso de protetores hepáticos, fluidoterapia e nutrição enteral. A parasitose deve ser sempre incluída no diagnóstico diferencial de icterícia em gatos, principalmente em regiões de climas tropicais, e em animais de vida semi livre, que possuem o hábito de caçar lagartixas e insetos, estes sendo sérios candidatos a albergarem e disseminarem o parasita.

Para evitar que problemas graves como esse possam vir a acontecer algum dia com o seu felino, o mais recomendado é o dono fornecer uma alimentação sempre adequada para os gatos, para assim manter o animal saudável e com uma alta qualidade de vida, evitando que estes possam vir a caçar insetos.