Proteassomo


Proteassomo é o nome dado pela Biologia Celular a complexos multienzimáticos que digerem, através da combinação com a ubiquitina, as proteínas que estão prontas para serem eliminadas do organismo. Essas proteínas precisam ser descartadas para que haja a remoção em relação ao excesso de proteínas e enzimas que já não exercem mais nenhuma função dentro da célula. Ou seja, o proteassomo é responsável, portanto, por remover proteínas e enzimas que já se tornaram inúteis.

Além da função de remover o excesso de enzimas que já não funcionam no organismo, o proteassomo, que também pode ser chamado de “proteossomo” por alguns livros de biologia, tem, ainda, outra função. A multienzima também é responsável por destruir as moléculas proteicas com defeitos e proteínas que já foram codificadas por vírus. De forma oposta aos lisossomos, que também são enzimas digestivas, porém são responsáveis pelos corpos introduzidos nas células e organelas, o proteassomo atua sobre as moléculas proteicas individualizadas.

Proteassomo

O que é Proteassomo?

Como dito no início do artigo, os proteassomos ou proteossomos são complexos multienzimáticos que têm a função de destruir as proteínas e enzimas que devem ser descartadas do organismo, seja porque já se tornaram inúteis, ou até mesmo porque podem ser nocivas à saúde. Essa multienzima possui um formato de barril e é composta por 4 anéis sobrepostos (2 beta e 2 alfa), sendo que cada ponta desse “barril” é responsável por atuar como uma espécie de porta, que regula e reconhece as moléculas proteicas a serem digeridas pelo proteassomo.

Essa “porta reguladora” presente na estrutura do proteassomo tem ATPase e atua com a função de reconhecer as proteínas que foram marcadas pelas moléculas de ubiquitina – a esse processo dá-se o nome de ubiquitinação, sendo que essa “marcação” é fundamental para o processo de reconhecimento das proteínas que devem ser destruídas pelos proteassomos. Por sua vez, o proteassomo destrói as moléculas proteicas quebrando-as em peptídeos que contém, cada um deles, cerca de 8 aminoácidos.

Os peptídeos vão até o citoplasma, novamente, através de mecanismos celulares pouco conhecidos pela ciência. As moléculas ubiquitinadas que participaram do processo de digestão são expelidas, novamente, pelas “portas reguladoras” para que possam ser reutilizadas em outras atividades. Em relação à quantidade, há aproximadamente 30 mil proteassomos presentes dentro e fora do núcleo de uma célula humana.

Devido à sua função de atuar como um removedor das moléculas proteicas que já não servem ao organismo e também das que podem ser nocivas à saúde, os proteassomos vêm fazendo parte de muitas pesquisas em relação a medicamentos utilizados nos tratamentos para câncer e tumores. Os pesquisadores acreditam que, com os inibidores de proteassomos, é possível obter medicamentos capazes de atuar com maior eficiência na remoção de células cancerígenas.

O que é e como ocorre a Ubiquitinação?

Como vimos no tópico anterior, o processo de ubiquitinação é fundamental para que os proteassomos consigam desempenhar o seu papel na célula – haja visto que as suas “portas reguladoras” só reconhecem as proteínas marcadas pelas moléculas de ubiquitina. Essa importância, portanto, se deve ao fato de a ubiquitinação ser responsável por marcar justamente as proteínas que devem ser destruídas pelos proteassomos.

A marcação realizada pelas moléculas de ubiquitina ocorre quando estas se combinam aos resíduos de lisina nas proteínas que serão digeridas pelos proteassomos e outras ubiquitinas se prendem à primeira, formando o complexo que é identificado pelas portas reguladoras. Depois de marcadas, essas proteínas são desenroladas pela ATPase, que usa a energia do ATP e são colocadas dentro do proteassomos para, consequentemente, serem degradadas.

Proteassomos e Medicamentos

Por ser o grande responsável pela degradação de proteínas danificadas e/ou nocivas nas células, o proteassomo vêm sendo muito estudado pela ciência, em especial pela farmacologia, já que os remédios que inibem os proteassomos vêm sendo utilizados para os tratamentos de câncer e tumores. Esses medicamentos atuam fazendo com que os proteassomos sejam mais seletivos e “escolham destruir” as moléculas proteicas nocivas, que são as que dão origem aos tumores.

De acordo com os especialistas, estes seriam medicamentos menos tóxicos, em relação aos existentes e que encontram menor resistência em sua atuação no organismo. O inibidor dos proteassomos é uma substância já conhecida, com o nome de OS-341. Ao inibir os proteassomos, as moléculas proteicas inúteis e nocivas são concentradas dentro do citosol pelo OS-341. Consequentemente, diversas células neoplásicas são induzidas a apoptose (morte programada).

As moléculas que inibem o proteassomo são capazes de destruir as células tumorais de forma potente e não prejudicam as células sadias, como ocorre com outros medicamentos considerados mais tóxicos. Essa informação foi comprovada ainda em 2003 quando um novo medicamento para o câncer foi aprovado. De acordo com especialistas, o inibidor também faz com que haja a redução das taxas de divisão e proliferação celular que estão modificadas no tumor.