Sangue: Sistema ABO


O nosso organismo é um sistema bastante complexo, que depende do trabalho conjunto de trilhões de células (não é exagero!), inúmeros tecidos, órgãos e sistemas para que funcione bem e permaneça saudável. O sangue é um dos componentes mais fundamentais para a manutenção da vida, pois sem a atividade exercida por ele, o resto falhará.

Mas por que esse líquido vermelho que simboliza a vida é tão importante? O sangue de todos é igual? Vamos aprender mais sobre as funções sanguíneas e focar principalmente no sistema ABO.

Sistema ABO

Funções do sangue

Ele é a peça principal do sistema circulatório e percorre todo o nosso corpo por meio das veias e artérias. Nem todos sabem, mas ele também é um tecido, fazendo parte do grupo dos tecidos conjuntivos.

O sangue transportado pelas artérias é rico em gás oxigênio e sai dos pulmões em direção aos tecidos, para oxigená-los e permitir que executem suas funções. Já o sangue que corre pelas veias é rico em gás carbônico, saindo dos tecidos em direção aos pulmões, para que o CO2 possa ser expelido.

Existem basicamente duas partes que compõem o sangue: o plasma e as células sanguíneas. O plasma é a parte líquida, onde as células estão mergulhadas. São elas:

• Leucócitos: ou glóbulos brancos, exercem a função imunológica e colaboram com a limpeza do organismo, destruindo as células mortas;

• Plaquetas: se encarregam da coagulação do sangue;

• Hemácias: ou glóbulos vermelhos, agem na respiração celular e transportam oxigênio e gás carbônico, graças ao pigmento hemoglobina.

Sistema ABO

Os diferentes grupos sanguíneos foram descobertos no início do século XX e esse foi o princípio para a organização do sistema ABO. Em 1900, ao analisar amostras de sangue, o médico austríaco Karl Landsteiner misturou o sangue de pessoas diferentes, percebendo que, em alguns casos, as hemácias formavam coágulos. Foi assim que ele concluiu que os sangues não são todos iguais e que, inclusive, alguns deles são incompatíveis.

A classificação dos tipos sanguíneos, dentro do sistema ABO, foi um grande passo em prol da vida. Afinal, tornou possível avaliar a compatibilidade de sangue entre doadores e receptores nos processos de transfusão, garantindo mais segurança em sua realização.

O sistema ABO é constituído por quatro tipos sanguíneos distintos: A, B, O e AB. O que determina essa classificação é a presença de substâncias chamadas aglutinogênio e aglutinina. A primeira fica nas hemácias, enquanto a segunda pode ser encontrada no plasma. Dependendo do tipo de aglutinogênio e de aglutinina que uma pessoa possui, é determinado o seu tipo sanguíneo dentro desse sistema.

• Aglutinogênios

São antígenos localizados nas hemácias, responsáveis por determinar o fenótipo do sangue. Lembre-se: embora apareça a palavra “fenótipo”, nesse contexto ela é um pouco diferente e não tem relação com aparência externa. Aparentemente, todos os quatro tipos sanguíneos são iguais.

Desse modo, pessoas de tipo sanguíneo A possuem aglutinogênio A; tipo sanguíneo B corresponde ao aglutinogênio B; sangue AB é determinado pelo aglutinogênio AB, e quem possui o tipo O simplesmente não possui aglutinogênio em suas hemácias.

• Aglutininas

Também fundamentais na definição do sistema ABO, as aglutininas são encontradas no plasma sanguíneo e funcionam como anticorpos que reagem a determinados aglutinogênios, rejeitando-os.

Sendo assim, pessoas que possuem tipo sanguíneo A têm aglutinina anti-B em suas hemácias; quem é do tipo B, por sua vez, tem aglutinina anti-A; indivíduos com sangue do tipo O possuem aglutinina Anti-A e Anti-B e quem é do sangue AB não tem nenhum tipo de aglutinina.

Compreender o sistema ABO é fundamental para saber como funciona a compatibilidade para doação de sangue.

• Tipo A: pode receber sangue A e O

• Tipo B: pode receber sangue B e O

• Tipo AB: pode receber sangue A, B, AB e O

• Tipo O: pode receber exclusivamente sangue O

A incompatibilidade sanguínea é um assunto que deve ser tratado com a devida seriedade, já que uma transfusão de sangue que não leva esse aspecto em consideração pode provocar a morte de um paciente rapidamente.

Observe o seguinte exemplo: vamos supor que uma pessoa de tipo sanguíneo A tenha sofrido um acidente e esteja no hospital, precisando urgentemente receber sangue. A equipe médica comete um descuido e acaba injetando nesse paciente sangue do tipo B.

Acontece que o paciente possui aglutinina anti-B, ou seja, incompatível com o aglutinogênio B que há nas hemácias do sangue que recebeu. A consequência disso é que essas hemácias vão ser destruídas, o que pode provocar uma queda brusca da pressão arterial, coagulação intravascular e até insuficiência renal.

Um quadro como esse também pode levar o paciente a perder muito sangue e, por conta disso, perder a vida.

É por isso que a descoberta do sistema ABO foi tão importante.