Síndrome de Ortner


Em 1897, o médico austríaco Norbert Ortner descobriu um caso onde a corda vocal esquerda de seu paciente estava paralisada, ou seja imóvel. Isso ocorria pois havia uma dilatação do átrio esquerdo o que provocava uma compressão no nervo laríngeo recorrente esquerdo. Esse tipo de anomalia acabava causando o sintoma de rouquidão com distúrbios cardiovasculares e cardiopulmonares. Já que o nervo laríngeo recorrente do lado esquerdo é mais longo, sendo mais provável que seja comprimido do que o nervo laríngeo recorrente direito.

Essa compressão causa uma paralisia bem na região mediana da prega vocal do lado esquerdo, o que provoca um quadro de disfonia (alteração na produção da voz, onde som da voz que é gerado não é harmônico e para conseguir produzir o som é necessário esforço; a disfonia é conhecida popularmente como rouquidão). A síndrome de Ortner também é denominada como síndrome cardiovocal e pode estar presente em outras enfermidades já que a fisiopatologia está associada a compreensão do nervo laríngeo. Aliás, esta síndrome é usada para descrever qualquer condição cardíaca intratorácica que não seja mortal.

Ortner

Alguns autores têm discutido a explicação que o médico austríaco deu sobre a paralisia da prega vocal. Com isso, algumas teorias variadas têm surgido, assim como novos casos de disfonia em pacientes que possuem problemas cardíacos. Em uma das hipóteses levantadas, os pacientes com transtornos cardíacos ateroscleróticos experimentam a paralisia súbita do nervo laríngeo, recorrente devido à falta de ventricular esquerda, de instalação abrupta causada por uma hipertensão pulmonar com uma expansão aguda dos vasos que envolvem os pulmões. Esse acontecimento é chamado de dilatação dinâmica.

Algumas causas da síndrome

Podemos dizer que existem outros motivos que podem estar associados à síndrome de Ortner. Como, por exemplo, o nervo laríngeo recorrente esquerdo pode também ser comprimido pela artéria pulmonar esquerda expandida na estenose mitral, onde a hipertensão pulmonar pode ser a causa.

Outro exemplo é a Cor Pulmonale, uma espécie de insuficiência cardíaca onde as câmaras direitas do coração sofrem uma diminuição. Basicamente, quando o lado direito do coração, que recebe o sangue venoso e manda para os pulmões o oxigênio, fica sobrecarregado por alguma anomalia, acontece um aumento de tamanho no cardiomiocito, causando um efeito dominó onde o miocárdio se altera e as paredes da cavidade ficam mais espessas. Com isso, o coração começa a dilatar, causando o aumento de pressão em todo o corpo.

Também temos como exemplo de causas para a Síndrome de Ortner a Hipertensão Arterial Pulmonar primária, onde a pressão arterial sofre um aumento, prejudicando as artérias dos pulmões e sobrecarregando o lado direito do coração. As artérias do pulmão podem ficar muito estreitas, dificultando o transporte do sangue, forçando o coração a trabalhar mais e aumentando a pressão arterial. Geralmente adultos que estão na meia idade podem ter esse tipo de anomalia. A hipertensão pulmonar é mais comum em pessoas do sexo feminino e mais provável em pessoas que possuem um histórico familiar da doença.

Alguns dos sintomas comuns da Hipertensão Pulmonar são deficiência na hora de respirar, sensação de desfalecimento durante alguma atividade, palpitações cardíacas principalmente quando se faz atividades físicas que exigem muita intensidade e depois de determinado tempo até mesmo em atividades físicas leves ou quando a pessoa está em repouso.

A seguir, veja outros exemplos que fazem parte das causas da Síndrome de Ortner: aneurisma do arco aórtico e ventricular esquerdo, mixoma atrial esquerdo, Síndrome de Eisenmenger, tromboembolismo pulmonar recorrente, lesão iatrogênica do nervo laríngeo recorrente esquerdo secundária.

Diagnóstico por laringoscopia

Para o diagnóstico da Síndrome de Ortner, o exame conhecido com laringoscopia é o mais indicado. Este exame tem a intenção de analisar as regiões do nariz, da laringe, faringe e boca. Basicamente estes locais são vistos com um pequeno tubo chamado de endoscópio e por ele são geradas imagens ampliadas da região com uma grande resolução. Quando o paciente realiza o exame, o médico introduz o endoscópio em sua boca até a região que será analisada. É comum que o paciente sinta um certo desconforto mesmo com a anestesia local. Este exame leva em média dez minutos para ser concluído e após o término é aconselhado ao paciente repouso absoluto por 12 horas.

Pode acontecer de o paciente permanecer com uma sensação incômoda na região da garganta, se houver dor ou rouquidão é aconselhável que ele faça gargarejo ou chupe pastilhas. Não pode dirigir e nem consumir bebidas alcoólica por pelo menos 12 horas. A alimentação é leve e deve-se evitar comidas com temperaturas altas. Pessoas sensíveis podem apresentar inflamações ou inchaços na garganta, nos dias que se seguirem após o exame. É necessário fazer compressas quentes na região.

Segue abaixo quais são os sintomas mais indicados para fazer laringoscopia:

• Tosse crônica;
• Problemas ao engolir;
• Dor ao engolir;
• Aftas constantes;
• Refluxo gastresofágico;
• Sensação desconfortável de um caroço na garganta;
• Tabagistas crônicos;
• Pessoas com antecedentes de câncer de cabeça e pescoço na família.