Sistema MN


Geralmente, tudo o que conhecemos sobre sistemas sanguíneos é: eles podem ser classificados como A, O, B ou AB (manifestando-se como fator RH positivos ou negativos). Mas, no ano de 1927, uma nova vertente foi descoberta sobre o assunto.

Sistema MN

O que é o sistema MN?

Em 1927, o sistema MN foi descoberto pelo médico austríaco Landsteiner e seu parceiro Levine.

Ao longo de anos, eles observaram qual era a capacidade das hemácias humanas para aglutinação. Todos os testes foram feitos em coelhos. Para fazer os testes com esses animais, o sangue humano de diferentes indivíduos era injetado de modo direto em suas correntes sanguíneas.

A partir das experiências realizadas nas cobaias, os estudiosos chegaram à conclusão de que as hemácias, ou seja, os glóbulos vermelhos do sangue humano eram também compostos por dois “novos” antígenos, diferentes daqueles encontrados no famoso sistema de grupos sanguíneos ABO.

Esses dois novos modelos de “aglutinogênios” poderiam marcar presença no sangue humano tanto de modo isolado como em conjunto, estando eles presentes no interior da membrana dos eritrócitos.

Seus nomes? Antígeno N e antígeno M.
O sistema MN dos grupos sanguíneos pode ser diferenciado de três formas:

1. O Grupo N: este grupo é formado unicamente pelos indivíduos que tem o antígeno N no interior de suas hemácias (glóbulos vermelhos/sangue);

2. O Grupo M: este grupo é formado unicamente pelos indivíduos que possuem o antígeno M no interior de seus glóbulos vermelhos/hemácias;

3. Grupo MN: por fim, este grupo é composto pelos indivíduos que possuem ambos os antígenos em seu sangue. Neste caso, é possível identificar tanto o antígeno M quanto N no interior de suas hemácias.

Cabe destacar que todos os grupos sanguíneos apresentados são criados por meio de um par de alelos, sem qualquer tipo de predominância entre um ou outro.

Neste sentido, o sistema MN é considerado uma herança do tipo codominante, ou seja, sem qualquer tipo de ação recessiva ou dominante para a determinação do grupo sanguíneo. Ele é formado por dois alelos: o alelo L (m) e alelo L (n).

Sabemos então que os grupos sanguíneos do sistema MN são casos em que não há dominância de qualquer um entre os dois alelos.

No sistema MN, o que temos são três diferentes genótipos, que variam com base em seus correspondentes fenótipos. O Grupo M é aquele que produz antígenos M, o N, produz antígenos N e o grupo MN é o que produz ambos os tipos no interior da membrana das hemácias.

Com base nisso, é possível realizar a seguinte definição de seus genótipos:

  • Genótipo: L (m) L (m); Fenótipo: Grupo M (presença do antígeno M no organismo);
  • Genótipo: L (n) L (n); Fenótipo: Grupo N (presença do antígeno N no organismo);
  • Genótipo: L (m) L (n); Fenótipo: Grupo MN (presença de ambos os antígenos no organismo do indivíduo).

Mas porque a letra L?

O ‘L’, por sua vez, é utilizado como referência aos estudiosos que se dedicaram à definição e compreensão do sistema MN: Landsteiner e Levine (ambos austríacos).

Mais informações e curiosidades sobre o sistema MN

Considerando que é possível que o indivíduo apresente apenas um ou ambos os tipos de antígeno no sangue, tudo o que teremos em relação a eles é uma herança. Ela é determinada por dois genes: o Ln ou Lm.

Diferentemente do que ocorre no sistema universal sanguíneo ABO, não há células aglutininas no plasma para o combate dos genótipos M ou N.

Neste sentido, uma importante característica sobre o sistema MN é que ele não interfere em nada em transfusões de sangue. Sendo assim, um indivíduo com genótipos do tipo M pode claramente doar sangue para alguém que conta exclusivamente com genótipos N e vice-versa.

Além disso, os tipos sanguíneos A, O, B, AB (positivo ou negativo) não tem qualquer tipo de relação ou predominância com o sistema MN.

É possível que um indivíduo com genótipos M e de sangue A+ tenha ambos os pais com genótipos do tipo N ou MN. Sendo assim, esse tipo de fenótipo não é influenciado pela genética.

Mas como isso é possível?

No plasma de circulação sanguínea, não há aglutininas de defesa (substâncias conhecidas popularmente como anticorpos) responsáveis pelo combate de qualquer um dos antígenos do sistema MN.

Esses anticorpos, por sua vez, possuem sua produção estimulada quando um indivíduo do genótipo N recebe uma transfusão de sangue de alguém com genótipo M (ou o contrário). Mas, essa produção (que nem sempre acontece), é tão baixa que não é capaz de trazer qualquer tipo de malefício para a saúde de ambos os indivíduos – tanto o que doa como o que recebe o sangue. Não à toa, esse tipo de teste nem sequer é realizado antes de uma transfusão de sangue.

Sendo assim, devemos destacar que o organismo humano não é capaz de produzir anticorpos ‘Anti N’ ou ‘Anti M’.