Regras do Atletismo Marcha atlética de 20 km e 50 km


Um dos esportes mais curiosos do programa olímpico, a marcha atlética se originou das disputas de caminhada que ocorreram dos séculos 17 a 19. Já em 1908 foi elevada a esporte olímpico, com distâncias menores, que variavam entre 1,5 km e 3 km. A repercussão, entretanto, foi tão negativa que foi retirada da programação, voltando apenas em 1928. A partir de 1956, as provas tiveram as metragens que possuem atualmente, 20 km para a categoria feminina e 20 km e 50 km para a masculina. A marcha atlética chegou ao Brasil em 1936 e no ano seguinte aconteceu a primeira competição oficial, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Marcha atlética: regras básicas

Embora se assemelhe à corrida, a marcha atlética tem suas peculiaridades. Por definição dos regulamentos oficiais, os passos da marcha devem ser executados de maneira que um dos pés esteja sempre em contato com o piso. A passada deve ser dada com o calcanhar, primeiramente, e a perna que serve de apoio deve estar esticada. Durante todo o trecho percorrido, os competidores são fiscalizados pelos juízes, que têm a função de alertarem aos atletas se as regras não forem respeitadas. Neste caso, usam cartões amarelos, que indicam a infração. Persistindo, o marchador receberá um cartão vermelho, e se três dos juízes punirem o atleta com o cartão vermelho, este está eliminado da disputa.

Marcha atlética

Marcha Atlética: técnicas e treinamentos

A marcha atlética é, sem dúvida, uma das modalidades mais difíceis de todo o programa olímpico, na categoria atletismo. Para que suporte a carga, o marchador deve ter treinamento específico e dominar as técnicas necessárias para a execução da marcha. O primeiro item a ser trabalhado é o ritmo, para que seja correto e não habitue o atleta a erros que interferirão na sua carreira.

O ritmo é determinado pela impulsão correta das pernas, que é feita a partir do desenrolar dos pés, partindo do calcanhar, passando pela planta do pé e chegando aos dedos. Pouco antes do pé descolar do solo, o processo se inverte, passando ao calcanhar do outro pé, e assim, sucessivamente. Os joelhos são fundamentais no movimento, devendo permanecer ligeiramente flexionado, para evitar o travamento do impulso da perna.

Depois de realizado o contato do pé da frente com o solo, a perna de trás e trazida para a frente, de maneira suave, e sem pender para o lado de fora. É a chamada passada rasante, e para isso, não se deve elevar demais os quadris. Quanto mais rasante a passada, melhores serão os resultados.
Já o tronco, durante a execução, deve permanecer ereto, ou ligeiramente inclinado à frente. Se inclinar muito, o marchador tende a correr e, se inclinar muito para trás, pode indicar o despreparo dos músculos dorsais e abdominais, além de favorecer a perda de contato com o solo, o que já vimos, se caracteriza como infração.

Os membros superiores também são muito importantes, pois são auxiliares na manutenção do ritmo que o marchador imprime à passada. Os braços devem trabalhar em conjunto com as pernas no impulso. Os ombros devem movimentar-se no sentido contrário dos quadris, facilitando assim o aumento da passada. Ombros encolhidos interferirão no centro gravitacional do atleta, o que pode deslocá-lo do solo. Já quanto às mãos, no movimento correto, não devem ultrapassar a altura dos ombros.

Para que a regularidade e a suavidade do ritmo do atleta da marcha atlética seja mantida, é necessário um cuidado especial com os quadris, que devem ter as articulações flexíveis. Um pé deve funcionar como o prolongamento do outro, e para isso utiliza a rotação que as articulações do quadril possibilitam. Na passada, uma perna avança e o quadril desvia o movimento para o lado inverso. Na marcha ocorre também o deslocamento dos eixos dos ombros e do quadril, em sentido horizontal, e o atleta deve monitorar o desvio lateral dos quadris para que o avanço não seja comprometido.

A partir de todas essas necessidades, o atleta da marcha atlética deve realizar treinamento específico baseado em exercícios que possibilitem o reforço do tônus muscular do abdômen, das costas e dos braços e pernas. Aliados a isso, os exercícios que tonifiquem e flexibilizem as articulações e a musculatura de tornozelos, ombros e quadris, já que na marcha atlética, a velocidade poderá alcançar duas vezes e meia a da caminhada normal. O treino será exaustivo e completo, além de repetitivo, para que os movimentos se tornem automáticos e as regras sejam cumpridas. Em conjunto com a equipe técnica, o atleta deve se dedicar com afinco para obter os resultados esperados nessa modalidade olímpica que a cada dia atrai mais a curiosidade do público e que cada vez mais atrai adeptos, que tem o desafio de competir na marcha atlética, um desafio enorme e extremamente exigente, mas que proporciona momentos únicos tanto para atletas quanto para o público.