A Filosofia Grega


Quatro períodos demarcam história da filosofia grega

Há mais de dois mil e quinhentos anos, nascia na Grécia Antiga, precisamente no século VI a.C., uma nova forma de pensar a sociedade. Trata-se de um conhecimento que passou a ser chamado de filosofia grega. Ele surge a partir das condições sociopolíticas pelas quais passavam o povo grego, a religião e a poesia.

Nessa época, a Grécia Antiga era formada por cidades-nações, as chamadas Pólis que, embora fossem rivais e distintas entre si, os gregos conseguiam manter uma unidade linguística, cultural e religiosa nesses locais. Muito da cultura que se desenvolveu naquele período se tornou a grande responsável pelo avanço de algumas áreas do saber, como a própria filosofia, a música, as artes e a literatura.

Filosofia Grega

A filosofia grega é, comumente, dividida em quatro períodos. A fase pré-socrática, por exemplo, vai do século VII ao V a.C. e se caracteriza por dar início a uma forma diferenciada de exposição e argumentação das ideias. Os pré-socráticos seriam responsáveis pela investigação da physis ou a natureza e toda a sua realidade que se transforma e modifica constantemente.

O ciclo socrático é marcado pela centralização dos estudos na figura humana, as atividades políticas desenvolvidas por ele, sua ética e suas técnicas. Essa época é caracterizada como o ápice da filosofia grega e vai do final do século V ao IV a.C.

Já a fase pós-socrática corresponde aos séculos IV e III a.C. A partir de algumas várias teorias do passado, buscar-se-á construir um pensamento unificado. Os pós-socráticos tentavam estabelecer as diferenças em relação àquilo que poderia ser ou não objeto para o pensamento da filosofia.

Por último, a filosofia grega apresenta o período greco-romano ou helenístico. Essa época compreende a fase dos Padres da Igreja e do Império Romano. Por isso, Deus, a natureza e as relações que o homem estabelecia com esses dois conhecimentos serão temas de estudos para os gregos.

Uma das bases para o desenvolvimento da filosofia grega viria dos poetas. Homero, por exemplo, foi um autor que desempenhou um papel primordial na educação dos jovens do período. Em suas obras, o poeta tentava compreender a realidade de uma forma integrada. Sendo assim, ele iria buscar entender as causas para aquilo que estava narrando.

E por falar em narração, Hesíodo, outro poeta grego, iria ficar famoso por narrar o nascimento dos deuses. Essa era uma forma de explicação para a origem de todo o universo. O mesmo tema seria objeto de preocupação filosófica de outro pensador, o Tales de Mileto. De acordo com a teoria proposta pelo poema de Hesíodo, a colisão entre as partes do universo, fenômenos da natureza e os deuses dava origem ao Caos, o deus primeiro a se criar.

Outros dois temas, que marcariam a filosofia grega em seu início, apresentam-se nas obras dos poetas daquele tempo. São eles os conceitos de limite que, para o filósofo Aristóteles, aparece como concepção de “justa medida”; e o valor supremo advindo da noção de justiça.

Religião da Grécia Antiga permitia livre expressão do pensamento, o que favoreceu a filosofia

Quanto ao tema da religião, esse se mostrava de duas maneiras distintas dentro do pensamento grego. Existia a religião pública e a religião dos mistérios. Essa última era praticada, principalmente, pelas pessoas que não conseguiam ficar satisfeitas apenas com a religião púbica.

O Orfismo seria um dos “mistérios” fundamentais para a origem da filosofia. Esse nome provém do poeta trácio, Orfeu. Diferentemente do naturalismo, o Orfismo propõe uma ideologia para a existência do homem distanciada da primeira. Se a religião pública concebia o ser humano através da mortalidade, o Orfismo vai dizer que há uma oposição entre alma e corpo. Se este era mortal, aquela era imortal. Embebedam-se nesse pensamento outras filosofias que viriam mais tarde, como a de Heráclito, Pitágoras, Platão e Empédocles.

Se muitas das religiões que conhecemos hoje consideram a existência de um livro sagrado para guiar seus ensinamentos, a religião grega não adotava isso. As crenças da época, difundidas principalmente por meio dos poetas, não eram autoritárias nem disseminavam doutrinas dogmáticas. É por isso que os filósofos conseguiam expressar seus pensamentos sem a determinante tutela religiosa.

As condições sociopolíticas existentes para que a filosofia grega se despontasse seriam de importância essencial. Antes da existência das polis, haviam as comunidades denominadas de genos. Com o surgimento da noção de propriedade privada, as terras foram divididas. Mas essa divisão se baseou, primordialmente, no grau de parentesco. Apareceriam, mais tarde, as fratarias, que dariam origem às tribos. Das tribos, formar-se-iam às cidades-estados.

Desde o século VII a. C, mulheres e homens não se davam por satisfeitos com as explicações míticas sobre a realidade. O questionamento e a racionalização levam ao surgimento de pensamentos diferentes. Foi na cidade de Mileto, onde hoje se encontra a Turquia, que a explicação mitológica começaria a se desvincular da mitologia.

Da Escola de Mileto, ou também escola milesiana ou jocônica, viriam alguns pensadores importantes, como Tales, Anaxímenes e Anaximandro. Vale ressaltar, porém, que nesse período da história não havia uma distinção clara nas áreas do conhecimento. Em razão disso que os filósofos poderiam ser, ao mesmo tempo, cientistas, matemáticos e médicos.