As ideias de Walter Benjamin


Walter Benjamin era um filósofo, sociólogo e grande pensador. Vindo de família judia, ele nasceu em Berlim, em 15 de julho de 1892. Em suas ideias é notável a presença de influências marxistas e socialistas.

Sua obra mais conhecida chama-se “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica”, texto em que Benjamin deixa claro suas opiniões sobre as alterações culturais que a reprodutibilidade técnica trouxe à sociedade. Tudo isso mostrando os processos das mudanças juntamente da industrialização e do capitalismo.

O filósofo fez parte da chamada Escola de Frankfurt, sendo ele um dos principais pensadores, junto de Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse e Jürgen Habermas.

Benjamin trouxe alguns conceitos e teve algumas ideias diferentes de seus colegas. Dentre isso, pode-se dividir suas ideias em:

Walter Benjamin

•A mudança começando com a fotografia;
•Diferenças da reprodução técnica com a reprodução manual;
•Autenticidade das obras;
•Destruição da aura;
•Significados e objetivos das reproduções técnicas e manuais;
•Valor de culto e de exposição;
•O cinema e as máquinas.

As ideias

Walter Benjamin fala, de modo geral, em cada um destes tópicos, como o capitalismo e a industrialização afetaram a cultura e acabaram com algumas tradições. Mas, em determinados momentos, qualifica isso como algo positivo.

Antigamente, as obras eram feitas com um sentido religioso, sendo elas de difícil acesso e consideradas únicas. Elas tinham um valor de eternidade e raridade. Para o pensador, com a reprodutibilidade técnica essa ideia sofreu grandes mudanças.

Na reprodução técnica ocorre o contrário, a obra é, na verdade, produzida em série, feita para o consumo rápido e transitório e por não ser mais “dependente” da finalidade ritualística, ela começa a ser mais exposta. Dessa forma, quanto maior for a popularidade da obra – quanto mais ela for vista – maior será o seu valor.

Outro aspecto importante que Walter Benjamin destaca em suas ideias é a questão da perda aura. Para ele, estas obras reproduzidas acabam perdendo sua aura, ou seja, ocorre a perda da essência do aqui e do agora, do seu individualismo como obra de arte.

Essa nova era de produção faz a arte ter uma função social política, em que se quer formar ideias, rompendo, assim, com a antiga função religiosa.

Indo ainda mais longe, o filósofo da Escola de Frankfurt diz que, com a industrialização ocorre a construção de uma segunda natureza. Se antes a magia e a religião educavam o homem para lidar com sua natureza, agora esta outra forma de produzir vai educar os indivíduos para se relacionarem com um mundo artificial.

Para Benjamin, tudo isso, visto como algo negativo por outros filósofos, na verdade tem lá seus pontos positivos. Mesmo que a reprodução técnica tire da obra sua história e autenticidade, ela aumenta as possibilidades existentes de conhecer algo novo e consegue fazer com que detalhes novos sejam acrescentadas ao original.

Isso ocorreu por conta de que a ideia da reprodutibilidade possibilitou que todos conseguissem produzir sem precisar ser, necessariamente, um profissional, mudando a relação entre autor e público e diminuindo a distância entre indivíduo e obra de arte. Para Benjamin isso é um dos pontos mais importantes da reprodução.

Aspectos pontuais na obra e pensamento de Benjamin

Como dito anteriormente em um dos tópicos que tenta pontuar as ideias de Benjamin, a fotografia foi para o filósofo um grande divisor de águas e abriu portas para as grandes mudanças entre as produções manuais e as técnicas.

Antigamente, as obras eram feitas manualmente, o que as tornavam únicas. Com a fotografia, isso se perdeu. Foi com ela que todas as outras coisas começaram a sofrer mudanças.

Fotografando, a obra pode ser reproduzida diversas vezes e alcançar lugares e pessoas bem distintas. Assim, tudo podia resumir-se em ver as coisas através do olhar, fazendo com que as mãos se tornassem menos importantes agora.

Da mesma forma, ocorreu com o cinema e sua importância. Os aspectos das máquinas e da ocupação dos homens podem ser vistos também com bastante destaque por Walter Benjamin. Se antes os homens serviam às máquinas, agora as máquinas serviam aos homens e eles as manipulavam como quisessem.

Benjamin critica e, também, enxerga lados positivos na era da reprodutibilidade técnica. A aproximação, o desprendimento da função religiosa, a possibilidade de qualquer um ser autor e a forma como as obras poderiam agora chegar a lugares e pessoas diferentes eram aspectos que ele prezava.

Isso tudo serviu para a construção de uma cultura democrática, em que todas as pessoas poderiam ter acesso àquilo, sem restrições quanto a classes sociais, por exemplo.

Porém, o filósofo também critica. Mesmo a reprodução ter dado possibilidades revolucionárias, trouxe outras formas de se alienar. A reprodução – em especial o cinema – fez com que um novo culto aparecesse. O culto à personalidade. Com isso, ideias fúteis aparecem na sociedade, transformando experiências em fatores sem importância ou significado.