Classificação dos Conhecimentos na Filosofia


No século IV a.C., a reflexão filosófica sobre o conhecimento recebeu a importante contribuição de Aristóteles. Ele estudou, com Platão, a Teoria das Ideias (ou das formas), contudo, não aceitou a existência de um mundo à parte formado apenas por elas. Também falou em dois mundos:

•    o supralunar, formado pelos astros, cuja característica era a estabilidade manifesta na regularidade dos seus movimentos;
•    o sublunar, em que residiam os seres humanos, cuja característica era a transformação constante das coisas sensíveis.

Classificação dos Conhecimentos

No entanto, para ele, essa transformação não consistia num traço de imperfeição e, sim, num processo natural. Acreditava que cada coisa trazia em si alguns potenciais e que diferentes causas poderiam, com o passar do tempo, contribuir para o desenvolvimento (ou atualização) desses potenciais. Uma semente, por exemplo, traria em si a sua espécie e o potencial de tornar-se uma planta dessa espécie, o que dependeria de certas causas para se realizar.

Além disso, diferentemente de Platão, Aristóteles acreditava que as ideias ou formas estavam contidas nos próprios seres e objetos sensíveis. Portanto, valorizava o conhecimento sensível como base para o inteligível.

Platão x Aristóteles

Platão dividira a alma humana em três partes, com qualidades distintas: a concupiscível, ligada à nutrição, a irascível, ligada à autoconservação, e a racional, ligada ao conhecimento e à virtude.
Aristóteles também dividiu a alma em três partes: a vegetativa, responsável pela nutrição; a sensitiva, responsável pelo conhecimento sensível; e a intelectiva, responsável pelo conhecimento inteligível.

No trecho a seguir, por meio de uma imagem simbólica, descrita por esse filósofo, você poderá identificar o modo como ele compreendia a sensação, ou seja, o ponto de partida para o conhecimento sensível.

Em geral, para toda sensação, é preciso ter presente que o sentido é o que tem a capacidade de receber as formas sensíveis sem a matéria, como a cera recebe a marca do anel sem a matéria ferro ou o ouro, isto é, recebe a marca do ferro ou do ouro, mas enquanto ferro e ouro. De forma semelhante, o mesmo sofre o sentido por obra de cada ente que tem calor, sabor ou som, mas não porque cada um desses entes é dito tal coisa particular, mas, sim, porque ele tem dada qualidade e em virtude da forma.

Diante dessa compreensão, Aristóteles dedicou-se a investigar também os processos do conhecimento sensível e seus objetos, a que chamou de formas sensíveis. Segundo ele, cada um dos cinco sentidos poderia captar formas sensíveis próprias, como as cores, os sons e os odores, por exemplo. Além disso, referiu-se à presença de um “sentido comum”, capaz de captar as “formas sensíveis comuns”, que não eram percebidas por um ou outro sentido em particular – como, por exemplo, a quietude, o movimento ou a grandeza. O sentido comum também seria capaz de sentir a própria ocorrência da sensação, de perceber o próprio ato da percepção. Para o filósofo grego, a sensação equivaleria à “marca” deixada nos sentidos, próprios e comum, pelas formas sensíveis. Dela seriam derivadas a fantasia – capacidade de formar imagens das formas sensíveis -, a memória – capacidade de conservar as formas sensíveis – e a experiência, que nasceria da acumulação de imagens sensíveis na memória. Além disso, a alma intelectiva seria responsável pelo apetite (desejo), que viria das sensações (por serem elas acompanhadas de prazer ou dor), e levaria os seres vivos ao movimento (em direção ao objeto de desejo).

Por outro lado, a experiência formaria a base necessária para o conhecimento inteligível. Nessa nova etapa, o intelecto poderia apreender as formas inteligíveis presentes nos diferentes objetos par­ticulares. O intelecto seria a faculdade (capacidade) de apreender os inteligíveis (intelecto potencial) e, quando realizava essa apreensão, ele se tornava intelecto atual. Segundo essa teoria, as formas inteligíveis eram percebidas por meio da abstração realizada pelo intelecto.

Concepção Aristotélica

Assim, a concepção aristotélica de conhecimento envolvia a clas­sificação das coisas segundo espécie, gênero e outras características, bem como a identificação das causas de sua existência e de suas transformações. Essa nova visão permitiu que Aristóteles valorizasse outras formas de conhecimento – ligadas à experiência, inclusive -, além daquela puramente racional que a Filosofia buscava. Ele se dedicou a pesquisas ligadas a diferentes áreas que hoje compõem ciências, como a Física, a Biologia, a Psicologia, entre outras. Seu método de pesquisa envolvia uma
classificação rigorosa dos objetos de estudo e das ciências responsáveis por eles. Dessa maneira, ciências de seu tempo em três tipos fundamentais:

–    Produtivas: representadas pelas artes e técnicas – agricultura, tecelagem, engenharia e outros.
–    Práticas: representadas pela Ética e pela Política, às quais interessavam as condutas do homem como indivíduo e cidadão.
–    Teoréticas: representadas pela Matemática, Física e, principalmente, pela Filosofia, saberes teóricos ligados à reflexão e à busca de uma compreensão intelectual da realidade.

Além disso, ele estudou profundamente as técnicas e objetivos da Retórica e também criou a Lógica como instrumento para as ciências e a Filosofia. Por meio dela, seria possível construir raciocínios segundo regras predeterminadas e, assim, evitar conclusões falsas. Nesse contexto, embora colocasse a Filosofia como a forma mais importante de conhecimento, Aristóteles também contribuiu para o desenvolvimento de inúmeras outras, que hoje denominamos Ciências Exatas ou Humanas.