Conceito Filosófico de Conhecimento


Você consegue imaginar a sua vida em meio a uma realidade na qual tudo lhe parecesse novo e desco­nhecido a cada instante? Em uma situação como esta, seria possível criar algo, relacionar-se com o mundo, comunicar-se com os outros ou mesmo sobreviver?

Alguns filósofos definiram a busca do conhecimento como tendência natural entre os seres humanos quer seja para se adaptarem melhor à realidade, para descobrirem os meios de transformá-la a seu favor ou, simplesmente, pelo prazer de desvendar alguns de seus aspectos. Mas, você diria que conhece a realidade que o cerca? Está seguro de que ela seja tal e qual lhe parece? Você já indagou que tipos de conhecimento existem, o que se pode ou não conhecer, quais os caminhos para conhecer a si mesmo e a realidade a sua volta? Já se perguntou quais as causas dos enganos e quais os meios disponíveis para evitá-los?

Conhecimento

Na Antiguidade e nos períodos que se seguiram a ela, tais indagações inquietaram inúmeros pensadores, dando origem a uma área de estudos filosóficos, denominada Teoria do Conhecimento. A especialização dessas reflexões em torno do conhecimento científico recebeu também a nomenclatura de Epistemologia e, mais recentemente, a de Filosofia da Ciência.

Vale lembrar que a própria Filosofia surgiu como busca de um conhecimento mais profundo e verdadeiro da realidade, fugindo à impressão de mistério e abandonando explicações então vigentes, consideradas parciais e até fantasiosas pelos filósofos. Após esse primeiro impulso, ela passou a investigar a própria verdade e o próprio conhecimento, a fim de compreender seus limites e possibilidades. Nos textos se­guintes, você entrará em contato com as reflexões de alguns filósofos sobre essa temática. Antes disso, reflita você também sobre ela.

CONCEITO FILOSÓFICO

Em Filosofia, moderno e modernidade não são sinônimos para novo ou atual. Referem-se a uma época e uma mentalidade iniciadas no Renasci­mento (século XIV) e com auge no Iluminismo (século XVIII). A Modernidade se desenvolve com base no destaque do homem, que se tornou o centro de interesse da Ciência, da Arte e da Filosofia – visão denominada antropocentrismo. Ela representa a ruptura com o pensamento medieval e a construção de uma nova forma de ver o mundo, marcada pela ênfase à Ciência experimental. No século XVIII, três revoluções demonstram o apogeu desse novo pensamento: a Independência dos EUA, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial.

conhecimento ou conhecimentos?

Isso se deve a:

–   diferenças fisiológicas, que geram condições individuais de percepção;
–   diferenças culturais, que determinam como se é educado a perceber;
–   fatores, como dor, necessidade, prazer, curiosidade e beleza, que podem ampliar a nossa atenção sobre o
mundo e contribuir para o desenvolvimento de diferentes potenciais de percepção.

Essa variação é importante, afinal, em todas as circunstâncias da vida, divergências, dúvidas e problemas despertam a nossa atenção sobre determinados aspectos da realidade, exigindo um pensar mais profundo, orga­nizado e sistemático. A fim de solucioná-los, as pessoas recorrem ao conhecimento já produzido ou produzem novos conhecimentos.

Por outro lado, é preciso reconhecer a importância de alguns consensos que surgem no campo das percep­ções. Eles são fundamentais para garantir a possibilidade, não apenas de conhecer, mas também de conviver socialmente. Afinal, isso depende de determinados acordos entre os seres humanos, os quais seriam impossíveis se eles julgassem que tudo é relativo, não havendo nenhuma distinção entre o real e o aparente, o válido e o absurdo.

A existência de singularidades e também de características comuns quanto às sensações e percepções humanas, motivaram os filósofos a investigarem como o ser humano percebe, compreende e elabora conhecimentos sobre o mundo. Nesse contexto, muitos deles enfatizaram a importância de diferenciarmos a realidade e a aparência para entendermos o que existe. Mas, como determinar o que é realidade e o que é aparência, se os aspectos sensoriais e culturais geram tantas diferenças na percepção de tudo o que nos cerca?

Essa indagação levou inúmeros filósofos a uma atitude comum nas investigações em torno do conhecimento humano. Em lugar dos sentidos, eles privilegiaram a razão, o intelecto, ou seja, a capacidade humana de pensar, raciocinar, refletir sobre a realidade e até mesmo sobre as percepções que se têm a respeito dela. Assim, já na Antiguidade, dois tipos de conhecimento foram identificados pelos primeiros filósofos:

o sensível ou empírico, que tem como fonte os sentidos, as sensações e as percepções, buscando a verdade por meio da experiência;
o inteligível ou intelectual, que tem como fonte a razão, a inteligência e o raciocínio, buscando a verdade por meio da reflexão.
Mais tarde, com o advento do cristianismo e sua influência durante a Idade Média, um terceiro tipo de conhecimento foi abordado em reflexões filosóficas:
o de fé, tendo a crença como fonte e a revelação divina como verdade.