Estruturalismo na Psicologia


O nome que se responsabilizou pela psicologia moderna é Wilhelm Wundt, um alemão que criou a primeira definição de psicologia como ciência responsável pelo estudo da mente, ou melhor, da consciência humana. Porém, seus estudos foram especializados, mais tarde, por Edward Tichener, de quem falaremos posteriormente.

Em 1879, Wundt foi quem fundou o primeiro laboratório para possibilitar melhorias nos estudos práticos da filosofia, sendo ele instalado na infraestrutura da Universidade de Leipzig, na Alemanha. Foi a partir de então que a psicologia passou a se tornar uma ciência totalmente independentemente da filosofia, isto no final do século XIX.

Estruturalismo

A partir de então o desenvolvimento da psicologia como ciência foi gradativo e constante, já que muitas escolas e teorias começaram a ser fundadas para aprofundar de vez as investigações nessa área.

Edward Titchener e o estruturalismo

Wundt foi então o responsável por criar o que mais além seria chamado de estruturalismo da psicologia pelo inglês Edward Titchener. Este, por sua vez, mantinha como principal objeto de estudo a estrutura da nossa mente, ou melhor, as sensações conscientes provocadas pela mesma. Com base nesta perspectiva o principal intuito de tal estudo era chegar às mais profundas experiências conscientes da nossa mente por meio do processo de introspecção.

Sendo assim, o inglês Titchener, que viveu entre os anos de 1867 e 1927 foi o responsável não só pela criação como principalmente pela repercussão do estruturalismo na psicologia. Tal teoria tem como fundamento o estudo de todos os conteúdos e componentes mentais e a conexão mecânica dos mesmos mediante um processo de associação.

Porém, uma curiosidade interessante é que o estruturalismo descarta totalmente o pensamento de que a percepção humana, ou seja, o processo pelo qual cada um de nós percebe o mundo e o interpreta de maneira diferente, tenha qualquer tipo de participação neste processo.

A base de estudos de Titchener era formada então por meio de elementos propriamente ditos, já que para o autor a psicologia deveria trabalhar unicamente na descoberta das experiências conscientes e elementares, a fim de determinar a sua estrutura por meio da análise de cada uma das partes que a compõem.

Principais considerações de Titchener

Para o autor, todo tipo de experiência consciente depende de pessoa para pessoa, e neste momento, divergia com os estudos realizados por cientistas de outros segmentos de atuação.

Um exemplo simples para explicar sua teoria seria ao considerarmos o fato de que tanto a psicologia como a física têm condições o suficiente para realizar o estudo da luz do sol ou dos sons, por exemplo. Mas, cada tipo de profissional se especializa, e terá melhores – e mais específicos – métodos, orientações objetivos para realizar esse tipo de análise. Ou seja, tudo depende das experiências que interessam – e consequentemente, não vivenciadas – por cada um de nós.

Neste sentido, enquanto os físicos têm como base uma análise levando-se em consideração processos físicos relacionados, os psicólogos também podem atuar nestes mesmos ramos, porém, realizando tal estudo com base em suas observações pessoais baseadas em experiências que já tiveram no ramo.

Sendo assim, é certo afirmar que o estruturalismo inclusive serviu para auxiliar no entendimento de várias outras ciências que também dependem – ou não – de observações e experiências pessoais do sujeito profissional.

O principal estudo do estruturalismo na psicologia é voltado para o estudo das experiências do indivíduo, sendo que elas devem ser apontadas de forma consciente – diante das mais variadas exposições em seu dia a dia.

No exemplo que difere a psicologia da física, imagine agora a seguinte situação: uma sala quente, com mais de 30 graus. Ambas as ciências podem estudar esse fenômeno, mas certamente, os enfoques serão bem diferentes.

Vamos entender melhor isso?

• Na física…

Para os físicos, o fato da sala estar com mais de 30 graus de temperatura é uma questão que independe de ter alguém ou não lá dentro para sentir na pele as consequências – ou benefícios deste calor.

No caso dos físicos, desta forma, não há nada que precise se relacionar com uma experiência física ou sensorial, vivida. A temperatura na sala permanecerá a mesma, mesmo que a sala esteja cheia – ou totalmente vazia, sem qualquer indivíduo ou até mesmo objetos ali presentes.

• Mas já na psicologia…

Porém, se formos analisar a temperatura dessa sala no teor estudado pela psicologia, tudo pode mudar caso dentro deste ambiente tenha um indivíduo.

Ele estará observando e vivenciando a experiência de estar dentro daquela sala no momento da altíssima temperatura, e por isso, pode relatar posteriormente o que foi que ele sentiu ao estar lá dentro. Um desconforto? Ficou suado? Sentiu algum tipo de tontura? Lembrou de alguma experiência ou ficou com vontade de sair imediatamente da sala? A experiência pessoal e individual de cada um é não só observável como também objeto de estudo do estruturalismo na psicologia, motivo pelo qual é tão importante para essa teoria.