Filósofo e Matemático Platão


Platão é um dos mais respeitados filósofos da Antiguidade e suas ideias, ainda hoje, influenciam diversos campos do conhecimento. Discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles, seria praticamente impossível tratar da história da filosofia e do pensamento humano sem tocar no nome de Platão. As reflexões platônicas lançaram ideias que serviriam como base para a concepção moderna do mundo. Como, de forma geral, a obra de um pensador tem relações profundas com suas experiências, em um resumo sobre Platão, é importante contar as passagens de sua vida que influenciaram o seu modo de enxergar o mundo.

Platão

Vida e obra de Platão

O filósofo nasceu aproximadamente em 427 (ou 428) a. C, em Atenas. Platão vinha de família nobre e rica. Sua vida filosófica começa pelo contato com a filosofia de Crátilo, porém ganha força após conhecer, por volta de seus 20 anos, Sócrates. A partir daí, este filósofo torna-se o grande mestre de Platão. Além desse legado, o pensamento platônico é fundado em um período em que concepções antigas de mundo passam a ser confrontadas por novos pensamentos. Toda essa retaguarda cultural é essencial para traçarmos um resumo sobre Platão, já que sua obra lida diretamente com todas essas questões. Como exemplo do efeito dos acontecimentos ao seu pensamento, temos o julgamento e morte de Sócrates: passando pela experiência da condenação de seu mestre – condenado a cometer suicídio (bebendo veneno de cicuta) em 399 a.C –, Platão é levado a refletir e questionar a democracia ateniense.

Logo em seguida à morte do seu mestre, o discípulo de Sócrates viaja à Magna Grécia (região que atualmente abrange o Sul da Itália) e lá conhece o sábio Arquitas de Tarento, que influencia o pensamento de Platão sobre política. Ainda nesse período, o filósofo vai à Siracusa (região da Sicília), onde tenta colocar em prática ideias que almejavam resolver os problemas políticos. No entanto, fracassa em sua ambição. Platão retorna a Atenas e resolve fundar sua Academia, que seria uma instituição de ensino que acreditava no conhecimento como uma área pulsante e sujeita a questionamentos. A Academia platônica é emblemática, pois consolida ideais que se difundiriam por toda a história ocidental. A filosofia de Platão ganha ainda mais fôlego nessa época, já que suas ideias passam a ter um caráter mais próprio, menos ligadas ao pensamento de seu mestre, Sócrates.

Convidado por Dion, após a morte de Dionísio I, Platão volta à Siracusa para preparar o herdeiro do trono, Dionísio II, mas novamente suas intenções são fracassadas. (Ainda haveria outra tentativa no mesmo sentido, que novamente, fracassaria). Platão volta, então, definitivamente para sua Academia, visando dedicar-se somente à sua obra. Constrói o que ficou conhecida como sua fase mais madura e completa.

Platão faleceu em 348 (ou 347) a.C. Seu interesse em unir lógica e emoção para assimilação do mundo contribuiu fortemente para a construção da intelectualidade ocidental, de modo que qualquer resumo sobre Platão não deixar de tocar, em alguma medida, na própria evolução das realizações humanas.

Os diálogos platônicos costuma ser separado em três fases mais representativas:

  • 1ª fase: ligada a Sócrates. Diálogos: Apologia; Criton; Íon; Protágoras; Láquesis; República I (apenas a primeira parte); Lisias; Carmides; Eutifron; Eutidemo; Gorgias; Hipias Maior; Hipias Menor; Crotilo
  • 2ª fase: começa a desligar-se da filosofia de Sócrates. Diálogos: Banquete, Fédon, Fedro e República (livros II a X)
  • 3ª fase: considerada a maturidade de sua obra. Diálogos: Sofista; Político; Filebo; Timeu; Crítias e as Leis (inacabada)

Pensamento platônico

Platão inova o pensamento crítico na medida em que não analisa cuidadosamente o plano material e o ideal. Buscando mergulhar profundamente nas questões humanas, o filósofo despreza a ideia que prega que toda verdade muda conforme as circunstâncias e ocasiões; antes, acredita que, para além da realidade sujeita a transformações e adaptações contínuas, há também aspectos da vida que não mudam e tampouco perecem. Então a diferente entre opinião (doxa) e conhecimento (episteme). Este último é mais profundo e, portanto, alcança a essência das coisas. Não à toa, Platão reconhece no fundo de toda materialidade a ideia, dando a esta uma conotação também real, à medida que sua aplicação é sua projeção imperfeita. Essa imperfeição pertence ao mundo sensível, que – ele sim – muda conforme as circunstâncias o ocasiões. A verdade profunda e universal, então, estaria no mundo das ideias, que representam a essência do que assimilamos como materialidade.

Ou seja, há um mundo sensível (imperfeito e corruptível) e outro ideal (pleno), sendo que ambos são separados; entretanto, relacionam-se, sendo o primeiro representação imperfeita do segundo. Nossa alma estaria ligada à forma perfeita e plena das ideias, enquanto nosso corpo pertence à realidade sensível.

Naturalmente, por mais aprofundado que possa ser, um resumo sobre Platão não é capaz de abarcar todo o poder de sua filosofia; contribui, contudo, para uma apreensão concisa da importância do filósofo ao pensamento ocidental.