História da Filosofia


A filosofia é uma das ciências mais antigas e relevantes da história da humanidade. A palavra, proveniente do grego Φιλοσοφία, que pode significar tanto amigo da sabedoria quanto amor pelo saber, dizem respeito às reflexões sobre temas fundamentais à existência humana, como a linguagem, os valores morais e estéticos, a verdade, o conhecimento, a mente, etc.

Diferente do que muitos pensam, a filosofia não é uma disciplina sem nenhum rigor científico. Muitos acreditam que assim seja, pois ela não faz uso de métodos empíricos como a grande maioria das ciências – isto é, não se vale da observação de experiências concretas para chegar a resultados. Ao invés disto, a filosofia vale-se de métodos como experiências do pensamento, lógica, análise conceptual, dentre outras.

Por ser tão antiga quanto o homem, é necessário uma complexa sistematização para o estudo da sucessão de ideias deste campo do saber, e esta sistematização cabe à História da Filosofia.

Filosofia

Eras filosóficas 1

Por mais contraditório que possa parecer, a disciplina história da filosofia é na verdade uma disciplina à parte da filosofia. Enquanto disciplina cientifica, pertence ao campo de estudos da própria história. O principal objetivo é estudar a sucessão das ideias filosóficas por meio de um percurso diacrônico, ou seja, no decorrer da história. É importante frisar que quando falamos de história da filosofia estamos tratando somente da filosofia praticada no mundo ocidental, mais precisamente daquela que se iniciou no século VI a.C., na Grécia antiga, e se estende até os dias de hoje. O mundo oriental abarca uma infinidade de outros fatos e assuntos que, por mais interessantes que possam ser (e realmente são) não são passíveis de considerações aqui.

Não se assuste caso chegue a confundir história da filosofia com a história propriamente dita, pois as ideias de determinada época têm grande impacto nos acontecimentos. Por isso, muitas vezes é necessário recorrer à história para estudar a história da filosofia.

Estudiosos consideram que a história da filosofia abarca duas grandes linhas de estudos: a história de determinada “corrente” (ou linha de pensamento) filosófica, como a lógica; e a divisão do pensamento filosófico através do tempo, como é feito na história geral. Esta última corrente é muito polêmica e é sobre ela que nos debruçaremos.

Por tradição, a maioria dos estudos das disciplinas divide a história da filosofia de acordo com a divisão de épocas que tanto conhecemos. Assim, há quatro principais eras na filosofia ocidental, a saber:

-Filosofia antiga: período que se estende do século VI a.C. até o século V d.C. Toma-se Sócrates como referência – períodos pré e pós-socráticos – mas não se limita somente a Grécia, já que filósofos itálicos e alexandrinos também desempenharam papéis importantes dentro do período. O foco dos filósofos desta era recaia sobre a compreensão da racionalidade humana em sua totalidade. Não bastavam explicações míticas, era preciso porquês bem fundamentados e concretos;
-Filosofia medieval: se estende do século V até a Renascença, em meados do século XV. Não é necessário dizer que se tratava de uma filosofia escolástica, subordinada à Igreja. É importante dizer que esta era fundamentou-se nas ideias dos gregos para legitimar seus pensamentos. Apesar de ocorrer na “idade das trevas”, os pensadores desta era foram fundamentais para o progresso da disciplina. Os maiores expoentes são Santo Agostinho e São Tomas de Aquino;
-Filosofia moderna: período que toma lugar até o século XIX, marcado por profundas transformações, principalmente de cunho tecnológico. Costuma-se dividi-lo em Filosofia da Renascença e Filosofia Moderna. O primeiro é marcado pelas descobertas de obras inéditas de Platão e Aristóteles, e tem como expoentes Maquiavel e Giordano Bruno. O segundo é marcado pela invenção de máquinas e tem como maiores pensadores Descartes e Espinosa;
-Filosofia contemporânea: por fim, chegamos a era em que a filosofia se encontra atualmente. Por ainda estarmos presenciando o contemporâneo, é muito difícil classificar o período, apesar de já haver estudos que versam sobre.

Polêmicas 2

Apesar da classificação da história da filosofia acima ser a mais aceita e utilizada, há várias polêmicas que a cerca. Alguns estudiosos afirmam que esta classificação é incipiente, a exemplo de Mario Ariel González Porta, filósofo e professor da PUC/SP, que propõe outra periodização para a história da filosofia.

Segundo González Porta, a divisão temporal deve considerar não somente a diferença essencial entre os períodos, mas também o princípio interno da mudança de um período para outro, levando em conta aspectos propriamente filosóficos e intra-sistêmicos. De acordo com o pesquisador, seriam então três os períodos filosóficos:
-Período metafísico: abarca a idade antiga, medieval e início da moderna. Tem na metafísica a disciplina-chave e gira em torno do conceito “ser”;
-Período epistemológico: ocorre na era moderna e baseia-se majoritariamente na epistemologia e na teoria transcendental. Os conceitos principais são verdade, objetividade e validez;
-Período semântico-hermenêutico: corresponde a era contemporânea e se baseia principalmente na linguagem, sendo que alguns de seus expoentes são linguistas. Os valores centrais são o significado e a análise lógica da linguagem (semântica).

Apesar de todas essas polêmicas em torno da classificação temporal, é necessário conhecermos minimamente a história da filosofia, pois através dela compreendemos não só o mundo mas também a nós mesmos e, como diria Friedrich Nietzsche, “torna-te aquilo que és”.