Resumo da Filosofia Política


A Filosofia sempre se propôs a investigar os caminhos, percalços e melhor forma para a convivência em sociedade. Fruto da antiguidade clássica, a ciência da Filosofia foi idealizada e criada pelos gregos, como reflexo da inquietação sobre as suas vidas, sobre a religião ou sobre os fenômenos da natureza.

A Filosofia Política

Os gregos se organizavam em cidade-estados chamadas “pólis”, que influenciaram na criação de termos como “politiké”, a política. De uma forma geral, a política passou a designar todos os assuntos referentes à pólis, e consequentemente, as sociedades, o sentido de comunidade e a vida urbana. Partindo desse princípio foi criada a Filosofia Política que investigava todas as questões referentes ao convívio em sociedade e ao espaços público e político.

Filosofia Política

A Grécia Antiga também foi berço da Democracia, ou o governo do povo, no qual pela primeira vez os cidadãos podiam participar diretamente do espaço político, nas ágoras (locais de reunião). Vale lembrar que a participação era válida apenas para homens gregos, com mais de 21 anos de idade.

Principais pensadores da Filosofia Política

• Filosofia Política na Grécia

Um dos primeiros filósofos a pensar e metodizar uma ideia política foi o grego Platão (428-7 – 348-7 a.C). O filósofo teve como principal inspiração, o pensamento e ideias de Sócrates, seu mestre, condenado à morte por ter um comportamento considerado subversivo para a época.

Platão acrescentou sua própria contribuição ao pensamento socrático e criou obras como “A República” e “As Leis”, a partir desses escritos surgiram diversas reflexões sobre questões do homem e seu convívio em sociedade, o que gerou as primeiras discussões e avaliações políticas.

Em “A República”, Platão traz propostas e ideias para uma sociedade mais justa e igualitária. Para ele, cada um deveria exercer atividades as quais possui aptidões especiais, em que fortes vão para guerra, artesãos trabalham com as mãos e assim por diante. Além disso, a educação deveria ser voltada para que crianças e jovens encontrassem e desenvolvessem essas habilidades no futuro.

Ainda na Grécia, Aristóteles (384 – 322 a.C.) passou a discordar do pensamento platônico. Suas ideias iam de encontro a ideia de Platão de que o público deveria se sobressair ao que é privado. Para Aristóteles, a sociedade sempre iria privilegiar seus bens pessoais. Para o filósofo, compreender a realidade política da sua época era mais importante do que idealizar uma sociedade ideal. Essas ideias foram reunidas na obra “Política”, em que ele ressalta um dos conceitos mais importantes para a sociedade, de que o homem é um “animal político” e faz parte da sua natureza se organizar politicamente.

• Contratos sociais

A ideia de homem como “animal político” perdurou até o século XVII, quando Thomas Hobbes (1588 – 1679) levantou a hipótese de que a sociedade se organizava a partir de um contrato social, em que cada indivíduo prezava pela sua própria conservação dentro do convívio social, que implicava na perda de um pouco de liberdade. É neste instante, que homens assinavam um contrato fictício de convívio em sociedade. Se voltassem ao seu estado completamente livre, de natureza, o convívio em harmonia seria praticamente impossível. Em sua obra “Leviatã”, Hobbes coloca o Estado como ceifador da liberdade humana, usando seu poder para garantir a ordem social.

Já John Locke (1632 – 1704) pensava nesse contrato como leis naturais, que impediam os indivíduos de viverem em guerra constante, antes da formação das sociedades. Para ele, a formação das sociedades ocorreu apenas pela necessidade da garantia da propriedade privada. Sua ideia de que o homem é livre e o Estado existe apenas para garantir o direito à vida e o direito da propriedade ocasionou em um novo fundamento conhecido como liberalismo político.

Ainda baseado na ideia de um contrato social, estava Jean-Jacques Rosseau (1712 – 17780, que acreditava no compartilhamento de recursos entre sociedades sem qualquer necessidade de guerras. Para o filósofo, a propriedade privada era a maior representação da desigualdade e causadora das mazelas sociais, como pobreza, crime e violência. Sua solução para melhorar essas sociedades é que os governos seguissem inteiramente os desejos e anseios da maioria dos cidadãos.

No século XX, a noções de contratos sociais foram retomadas com Rawls (1921 – 2002), que prezava pelos princípios da justiça escolhidos em função da sociedade. Esses princípios seriam igualitários e designados pelos próprios indivíduos e que todos deveriam ter liberdades e oportunidades igualitárias.

• O poder e o Estado

A Filosofia Política de alguns pensadores se baseava mais diretamente nas relações de poder que o Estado deveria exercer sobre as sociedades.

Um desses nomes é o de Nicolau Maquiavel (1469 – 1527), historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento. Com características céticas e realistas, Maquiavel trouxe um desenvolvimento da Filosofia Política ao longo dos séculos na obra “O Príncipe”. Para ele, o Estado deveria ter uma constituição forte visando sempre o resultado político, em que “o príncipe deveria buscar o sucesso sem se preocupar com os meios.”

Maquiavel acreditava na separação total da esfera política com qualquer outro segmento, seja ele de cunho moral ou religioso. Baseado nesse princípio, o governante poderia violar qualquer lei ou norma imposta pela economia, moral ou religião. O historiador se baseava em uma verdade efetiva, em que homens agiam de fato, e rejeitava a política dos gregos e qualquer pensamento utópico.

• A Filosofia Política e os sistemas econômicos

O filósofo alemão Karl Marx foi um dos principais pensadores da Filosofia Política a estruturar suas teorias com base nos sistemas econômicos, principalmente o capitalismo. Para ele, alguns pensadores e filósofos apenas se preocupavam em interpretar o mundo sem gerar mudanças nele.

Marx se preocupou em pesquisar a história da humanidade para entender a formação de cada sociedade, principalmente a pós-capitalismo, sistema econômico que favorecia o crescimento das desigualdades sociais. Uma de suas conclusões é de que a sociedade pouco se preocupa com o bem estar geral, e sim, com o lucro. Por isso a sociedade do capital não seria a sociedade do social.