Resumo do Mito da Caverna


A obra Mito da Caverna foi escrita por Platão, a quem podemos chamar de um discípulo de Sócrates. Platão foi o principal discípulo de Sócrates, que foi o responsável por imortalizar as ações e também os pensamentos do mestre em seus ‘diálogos’, uma obra considerada tão importante no meio poético quanto no meio filosófico, e ele pode ser considerado um dos mais significativos filósofos de todos os tempos.

O Mito da Caverna é uma passagem da obra A República. Nessa passagem, Platão acaba se utilizando de um mito ou alegoria, uma espécie de narrativa que busca o esclarecimento de ideias complexas para o público leigo, algo bem semelhante ao que Jesus fazia por meio das parábolas, com o objetivo de explicar a essência de suas ideias.

Mito da Caverna

O mito (ou a alegoria da caverna)

A ideia de mito aqui aparece de maneira transformada. A filosofia não implicou em um novo modo de conhecimento? Por que então recorrer ao mito? Platão, percebendo a complexidade de partes bem relevantes de seu sistema filosófico, e possuindo grande talento literário, se utilizou do mito para esclarecer e para facilitar a compreensão de suas ideias mais difíceis. Forma estratégica para a explicação de certas posições filosóficas, mas não apenas isso: a forma alegórica permitiria também o enriquecimento da ideia que se procura transmitir e/ou comunicar. A maneira como se explica ou ainda se conta o mito, por meio do diálogo entre dois personagens da passagem, Sócrates e Glauco, acrescentará à dinâmica inerente ao texto, entendimento profundo e amplo, uma vez que a exposição se serve inclusive do fato do autor, Platão, conseguir através dos diálogos, se antecipar a certas dúvidas que poderiam se reproduzir na cabeça de qualquer homem comum em busca do conhecimento, ou seja, as dúvidas confrontadas pelos próprios leitores do autor. A forma de dialogar na construção do texto, permite o esclarecimento recíproco das posições antagônicas ou complementares de seus personagens, imprimindo a ele uma dinâmica e uma riqueza maior sob a vestimenta de aparente simplicidade, no entanto, sem trair ou negar a profundidade e a complexidade das ideias em debate. A estratégia de construção do texto se confunde com o modo e o momento de elaboração das ideias. O mito, segundo Platão em sua visão estratégica e literária, servirá como um meio para melhor compreender, sintetizar e transmitir as ideias.

Resumo do Mito da Caverna.

Segundo a narrativa, Mito da Caverna, todos os homens, desde o nascimento até a própria morte, estaria acorrentados de tal forma a não olhar para trás ou para os lados, vendo apenas a parede do fundo da caverna, lugar em que, sob o efeito de uma grande fogueira às costas desses mesmos homens, projetavam-se sombras. Os homens não sabiam ou não conseguiam ver as coisas e os seres reais. Eles achavam as sombras uma expressão da própria verdade. Como em um teatro de sombras, acreditavam no que viam, condicionados desde o nascimento pela maneira tradicional em que viviam. Por trás desses seres acorrentados, alguns homens se movimentava, os sofistas e os políticos, que manipulavam e também se utilizavam da projeção das sombras para o próprio benefício. Representavam aqueles que lutavam pela posse do poder e contribuindo ativamente para a continuidade de tal situação. Já que enganavam, iludiam, persuadiam e manipulavam os homens, que se encontravam acorrentados à condição de ignorância, a se manter em tal situação.

Em um certo dia, um homem conseguiu enfim se livrar das correntes que o envolviam e com muito esforço, conseguiu sair da caverna, depois de quase ficar cego com a luz do sol. Ele então finalmente, pôde vislumbrar a realidade verdadeira. Tempos depois, acabou retornando à mesma caverna da qual havia colocado tanto esforço para se livrar dela. Mas então, o que ele queria, o que ele buscava? Seu objetivo era o de esclarecer os homens, revelar a eles o que teve a oportunidade de conhecer. Mas, como foi recebido? Este homem acabou sendo visto como um louco, e por isso, foi assassinado. Essa é uma referência bem clara ao processo que envolveu Sócrates, que teria morrido em função da ignorância do homem comum, ou seja, da maioria, e pelo domínio e pela manifestação exercido sobre estes por parte de falsos políticos e sábios ambiciosos.

Para Platão, existiriam dois mundos. O primeiro era o mundo sensível, constituído pelas formas concretas e materiais, apreendido pelos nossos sentidos, ou seja, aquilo que ouvimos, vemos. O segundo mundo era o das fôrmas ou das ideias perfeitas, chamado pelo autor de mundo inteligível.

O mundo das ideias perfeitas, existentes e imutáveis, encontraria na ideia do bem, representada pelo sol no Mito da Caverna, o seu mais importante elemento constitutivo, ou ainda a ideia mais elevada em tal construção teórica. Esse conhecimento partiria do senso comum, de um conjunto de representações formadas a partir da ação enganosa dos sentidos.