Resumo dos Pré-socráticos


São chamados de pré-socráticos aqueles filósofos da Grécia Antiga que antecedem a Sócrates. Porém, essa terminologia não se dá apenas por uma questão cronológica, mas sim pelo tema da filosofia. Alguns filósofos pré-socráticos chegaram a ser contemporâneos do próprio Sócrates, por exemplo, ou até mesmo vieram depois dele, como no caso de alguns sofistas.

Um resumo dos pré-socráticos, também denominados naturalistas e de sua natureza, pode ser obtido através do objeto principal, que era o conjunto de especulações sobre a questão cosmológica, que significa que eles buscavam encontrar o princípio de todas as coisas.

Mais tarde, com o problema do princípio fundamental único entrando em desuso, surgiu a sofística e o foco mudou do cosmo para a questão moral do homem.

Pré-socráticos

Resumo dos pré-socráticos e suas escolas principais

• Escola Jônica: Anaximandro de Mileto, Anaximenes de Mileto, Tales de Mileto e Heráclito de Éfeso;
• Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Árquitas de Tarento e Filolau de Crotona;
• Escola Eleática: Xenófanes, Parmênides de Eleia, Melisso de Samos e Zenão de Eleia.
• Escola da Pluralidade: Anaxágoras de Clazômena, Empédocles de Agrigento, Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera.
• Escola eclética: Diógenes de Apolônia e Arquelau de Atenas.

A Escola Jônica

A Escola Jônica deve seu nome à terra em que floresceu, a colônia Grega de Jônia, na Ásia Menor – lugar onde hoje se localiza a Turquia. Possuiu como principais expoentes Tales de Mileto, Anaximenes de Mileto, Heráclito de Éfeso e Anaximandro de Mileto. A Escola Jônica tinha como base de seu pensamento o elemento primeiro de todas as coisas, com seus principais filósofos chegando a diferentes conclusões. Tales, o mais famoso dos filósofos jônicos, acreditava que o primeiro elemento de todas as coisas era a água. Já Anaximandro cria que o elemento fundamental era o Ápeiron, o que é ilimitado e que viabiliza o vínculo e a cisão dos diferentes corpos. Para Anaxímenes de Mileto o elemento primário é o ar. Por outro lado, Heráclito afirmava que o elemento que simboliza a natureza era o fogo. A despeito das desavenças de pensamento sobre o elemento que daria sentido as coisas, os pensadores da Escola Jônica viam o mundo como um objeto em constante movimento: a água com seus estados de condensação e evaporação, o Ápeiron com seu caráter indeterminado e não estático, o ar que não pode ser apalpado e o fogo que sempre se movimenta e transforma aquilo que queima.

A Escola Jônica, apesar de não resumir por completo todo o pensamento pré-socrático, dá uma boa noção do síntese dos pré-socráticos em suas buscas: a do elemento primeiro.

A Escola Itálica

Desenvolvida no sul da Itália, a Escola Itálica tinha como principal expoente o filósofo Pitágoras de Samos. Natural da ilha de Samos, Pitágoras desenvolveu suas primeiras ideias na cidade de Crotona. Acreditava que eram os números a razão e essência de todas as coisas. Suas pesquisas nos campos da matemática e da física tinham uma grande dose de misticismo. Aos pitagóricos, nome dados aos discípulos de Pitágoras de Samos, são outorgadas grandes descobertas matemáticas. Pitágoras foi o primeiro pensador da História a chamar a si mesmo de filósofo, o que deu origem a palavra filosofia.

A Escola Eleática

A Escola Eleática floresceu no sul da Itália, na cidade de Eleia. Seus principais expoentes foram Parmênides de Eleia, Xenófanes de Cólofon e Zenão de Eleia. Xenófones não nasceu em Eleia, como se pode supor a partir de seu nome, mas se estabeleceu na cidade após alguns anos levando a vida de peregrino. A crença fundamental de Xenófanes e, mais tarde, desenvolvida por Parmênides é a ideia do Um. Xenófanes elaborava o Um a partir de um pensamento com raízes mais religiosas, afirmando que Deus é Um, não foi concebido, é eterno, perfeito e imutável. Este pensamento de um Ser Absoluto não concebido, eterno e imutável, era claramente oposto as ideias da Escola Jônica, que cria fundamentalmente no princípio mutável de todas as coisas.

Zenão de Eleia, por exemplo, para contradizer o pensamento Jônico elaborou alguns argumentos bastante controversos. Entre eles a ideia de que uma flecha em movimento continua sendo flecha, exercendo seu papel de flecha e ocupando o espaço destinado a uma flecha, sendo assim o movimento uma ilusão.

Escola Atomista

A Escola Atomista ou Atomística, criou-se partindo do princípio da ideia de que vários são os elementos que formam todas as coisas. A teoria atômica, que vem de átomo (aquilo que não é divisível) foi elaborada por Leucipo de Mileto e, posteriormente, desenvolvida por Demócrito de Abdera e Epicuro de Samos. Leucipo acreditava num mundo formado a partir do choque contínuo, imprevisível e aleatório de infinitos átomos.

Reflexão sobre os pré-socráticos

Apesar de que vários dos pensadores pré-socráticos refletiram mais a respeito de outras coisas do que da natureza de tudo, como exemplo de Demócrito, que fez importantes observações no campo da ética, é de se supor que o questionamento a respeito do princípio fundamental das coisas é o que une os pensadores deste período e faz um resumo dos pré-socráticos.