O centro e a periferia


Na tentativa de entender melhor a desigualdade entre os países, é melhor classifica-los como centro e periferia do sistema capitalista mundial. Desta maneira fica mais claro que todos os países considerados fazem parte de um mesmo modelo econômico mundial, tendo sempre um papel fundamental em seu funcionamento.

Além disso, esta classificação torna mais evidente o fato de que os países periféricos não são simplesmente parceiros comerciais dos países centrais. Na realidade, este conjunto de países surgiu como uma criação dos países centrais, originalmente da Europa e depois dos Estados Unidos e do Japão. A economia dos países periféricos tem uma origem externa, que é o processo de colonização ou da simples imposição de normas comerciais.

O centro

O processo de criação dos países periféricos, a partir de fora, fica bastante claro se pensarmos por exemplo, nas comemorações dos 500 anos do Brasil. Neste casou se tomou a data de chegada dos portugueses nessa região como o dia do descobrimento. É evidente que só se descobre algo que ainda não existe. O Brasil realmente não existia até então, porque foi criado pelos portugueses, às custas da destruição do que já existia aqui: as sociedades indígenas.

A criação do Brasil por europeus a partir de sua chegada, se estende para todos os países colonizados do mundo. Mesmo que em inúmeros lugares se cultuem as tradições locais, estas estão permeadas pelo processo de colonização e imposição da estrutura econômica, social e política vinda dos países centrais. Sendo assim, a pobreza e o subdesenvolvimento não podem ser entendidos simplesmente como uma incompetência dos povos mais pobres, é preciso destacar a ação dos países centrais sobre estas regiões do planeta, através da colonização, do neocolonialismo e das imposições econômicas atuais.

Evidentemente, a condição de miserabilidade existente no mundo é bem complexa, não sendo apenas culpa dos diabólicos países ricos. No entanto, a formação dos países latino-americanos, africanos e asiáticos está transpassada pelo empenho das potências econômicas em criar nações que lhes servissem de sustentáculo ao desenvolvimento. O objetivo geral sempre foi o de promover a transferência de riqueza dos países pobres para os ricos. Tal transferência ocorreu de maneira direta e forçada durante a colonização e de forma indireta, pelas imposições após as independências.

Países centrais

O centro da economia mundial é formado principalmente, por um grupo de países nos quais se localizam as sedes das grandes empresas. As maiores indústrias, os grandes bancos, as mais importantes bolsas de valores, estão concentrados nestes países, tornando-os os mais poderosos economicamente.

É evidente que a concentração de riqueza acaba beneficiando a população como um todo que tem empregos melhores e salários mais altos, juntamente com governos que arrecadam mais em impostos e, portanto, têm maiores possibilidades de investir em saúde, em educação, moradia, lazer, transporte, energia e assim por diante. Destacam-se entre os países centrais os Estados Unidos, o Canadá, o Japão, a Austrália, a Nova Zelândia e a maioria dos integrantes da União Europeia.

Países periféricos

Por sua vez, os países da periferia do sistema capitalista mundial, mantêm uma economia agroexportadora, baseada na mão de obra barata, no latifúndio e na concentração de renda. A maior parte dos problemas destes povos se originou de intervenções externas como a colonização pelos países europeus ou as disputas da Guerra Fria entre o EUA e a URSS.

Nos dois casos, a tentativa das potências mundiais de manter o domínio econômico e político sobre os países africanos, latino-americanos e asiáticos, teve como consequência a formação de economias dependentes e sistemas políticos autoritários e elitistas.

Se na época da colonização e do imperialismo tais países viveram em condições de exploração econômica acentuadas, atualmente suas condições não são fundamentalmente diferentes. As regras do comércio mundial, com a constante diminuição dos preços dos produtos agrícolas, levam-nos a uma posição na economia mundial que parece irreversivelmente desastrosa.

Destacam-se entre os países periféricos, os estados da África subsaariana, grande parte dos países latino-americanos e alguns asiáticos, como Iêmen, Bangladesh, Nepal, Laos e Camboja, entre outros.

Países semiperiféricos

Nessa classificação surge ainda um terceiro grupo de países que é o da semiperiferia, constituindo um estágio intermediário entre os países centrais e os periféricos propriamente ditos. Os países semiperiféricos, a exemplo dos periféricos, têm grandes desvantagens na relação com países centrais, tanto em termos de trocas comerciais como de distribuição mundial dos investimentos financeiros. No entanto, a semiperiferia consegue se manter em um patamar intermediário de riqueza e de bem-estar, sem cair na miséria generalizada da periferia.

Países semiperiféricos, geralmente soa aqueles que conseguiram se industrializar durante o século XX, não tendo mais uma economia puramente agroexportadora. É verdade que esta industrialização foi feita pelas multinacionais em busca de mão de obra barata, o que lhes dá a possibilidade de ter certa vantagem econômica sobre os países periféricos, para os quais exportam produtos industrializados.