Resumo da desigualdade social no Brasil: Imigração no Brasil


O Brasil é um país de proporções continentais, onde convivem diversas etnias diferentes e onde, infelizmente, as desigualdades sociais também se fazem presentes. Os fatores que levaram o país a ter a configuração atual são inúmeros e uma análise coerente é aquela que analisa o conjunto: processo de descobrimento e colonização, evolução política, movimentos migratórios e outros elementos.

Imigração no Brasil

Vamos nos aprofundar na temática imigração no Brasil, entendendo como ela aconteceu e influenciou a formação do país em que vivemos atualmente.

Histórico da imigração no Brasil

A imigração pode ser entendida como a entrada de pessoas que são de outros países e que vêm para o Brasil para fixar residência. É possível afirmar que ela começou ainda no século XVI, quando o território brasileiro foi descoberto pelos portugueses. O descobrimento se deu no ano de 1500, mas a colonização só começou de fato 30 anos depois.

Isso significa que a partir de 1530, Portugal começou a enviar para o território recém-descoberto as expedições de povoamento e exploração das riquezas naturais. No entanto, nesse momento, os governantes portugueses mandavam para o Brasil principalmente indivíduos marginalizados, como criminosos. Isso já evidencia o fato de que a imigração, embora tenha trazido pontos positivos para o país (como veremos a seguir) é uma das raízes das desigualdades sociais.

Dos séculos XVI ao XIX, um grande fluxo de africanos chegou ao Brasil. Embora tenha sido pelo regime de escravidão, ou seja, não foram pessoas que entraram no país por sua livre e espontânea vontade, fizeram parte da imigração e interferiram na formação da cultura brasileira. Além disso, o trabalho dos negros africanos nos engenhos de açúcar foi um fator diferencial para a economia da época. Não se sabe dizer com precisão quantos escravos foram trazidos da África, mas estima-se que tenham sido entre 5 e 6 milhões.

No século XIX, a partir de 1818, a imigração entra em uma nova fase, pois é quando começam a vir os primeiros imigrantes que não eram de Portugal, como suíços, alemães, ucranianos, poloneses, turcos, árabes e outras nacionalidades. Os suíços se estabeleceram especialmente em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, enquanto os alemães povoaram o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, poloneses e ucranianos preferiram o Paraná. Aproveitando o tamanho do território brasileiro, essas pessoas vieram à procura de oportunidades, a maioria deles vivendo da agricultura e pecuária. Aqueles que já tinham alguma profissão, como artesãos e sapateiros, abriram pequenos negócios.

Em 1888, um marco na história brasileira: a escravidão foi abolida. No entanto, isso gerou um problema para os governantes e fazendeiros, afinal, era necessária mão-de-obra qualificada para o trabalho nas fazendas de café. Foi aí que a vinda de europeus para o Brasil começou a ser ainda mais incentivada, destacando-se a imigração de italianos. Esses imigrantes vieram especialmente para o interior de São Paulo.

Além do trabalho nas fazendas de café, esses imigrantes atuavam na área rural de modo geral e, alguns deles, até nas escassas indústrias que começavam a emergir pelo país.

Imigração japonesa

Saindo um pouco dos europeus e africanos que vieram para o Brasil, a imigração japonesa teve grande impacto. Seu marco inicial é o ano de 1908, em 18 de junho, quando o navio chamado Kasato Maru atracou no porto de Santos. A bordo dele, havia mais de 160 famílias japonesas, a maioria delas de camponeses oriundos das regiões mais pobres do Japão.

Mas qual foi o motivo que trouxe tantos asiáticos até aqui? No século XIX e início do século XX, o Brasil era visto como um país próspero, que oferecia melhores condições de vida. Assim, esses japoneses vieram à procura de emprego, especialmente nas fazendas de café. Na época, o Japão estava passando por um crescimento populacional muito grande, de tal modo que o próprio país não dava conta de gerar empregos para todos.

A imigração japonesa se intensificou durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) e estima-se que até o último ano do conflito 15 mil japoneses tenham entrado no Brasil. De 1918 até 1940, foram 160 mil indivíduos! A maioria dos japoneses se fixou no estado de São Paulo, onde foram construídas vilas e colônias preservando a cultura e as tradições. No entanto, alguns preferiram a região amazônica, onde a extração da borracha estava em alta.

Entre as maiores dificuldades da imigração no Brasil, enfrentada pelos japoneses, podemos destacar:

  • O idioma;
  • As práticas religiosas;
  • O clima;
  • Os hábitos alimentares;
  • O preconceito por parte dos brasileiros no início

Afinal, eles vinham exatamente do outro lado do mundo e os costumes orientais divergem muito dos ocidentais.

Apesar de terem enfrentado grande preconceito, os japoneses persistiram e hoje o Brasil é o país com a maior quantidade de japoneses vivendo fora do Japão. Eles contribuíram com o enriquecimento cultural e econômico do nosso país e formam essa pluralidade étnica que embeleza o Brasil.