África Equatorial Francesa


Muita gente sequer ouviu falar da existência desse território chamado de “Áfria Equatorial Francesa”. Isso porque sua vigência data da metade do século passado, período conturbado da história mundial que marcou, entre ouras coisas, o avanço de um poder bastante colonial construído sobre os alicerces de um processo geopolítico não por acaso chamado de “neocolonialismo”.

A chamada África Equatorial Francesa (ou AEF) foi uma antiga federação, isto é, um agrupamento federativo de regiões geopolíticas que foi organizado pela França na região à oeste da denominada África Central. A África Equatorial Francesa nada mais era do que uma tentativa da França de poder exercer seu controle de maneira mais contundente sobre as regiões africanas sobre as quais ela exercia algum tipo de poder colonial. E, de fato, não é novidade que o imperialismo europeu sobre os territórios africanos, asiáticos e centro-orientais tiveram como desdobramento inerente aos fatos uma reorganização sócio-espacial que muitas vezes (ou, talvez, na maioria delas) não estava de acordo com as características primariamente advindas desse território (sejam elas oriundas de caráteres tribais, da língua ou dos dialetos que eram falados ou até mesmo dos costumes culturais e religiosos que eram característicos dos povos que ali habitavam).

África Equatorial Francesa

Processo histórico

A África Equatorial Francesa teve seu vigor como organização geopolítica firmamente reconhecida no status internacional em um curto período de tempo. Não foram mais do que quarenta e oito anos que, no decorrer de 1910 a 1958, sustentaram os alicerces dessa entidade constituída pelos atuais territórios do Gabão, do Chade, do Médio Congo (que, atualmente equivale à República do Congo) além da atual República Centro-Africana que, à época, era conhecida como Ubangi-Chari. A capital administrativa da África Equatorial Francesa era Brazzaville, que também é a atual capital do Médio Congo.

Logo no ano de 1958, tem início o processo de independência desses países todos que compunham a África Equatorial Francesa, e tal processo acabou por findar-se em 1960, ano em que todas as ex-colônias da França ficaram livres do domínio francês e do subjugo à qual foram submetidas durante todos esses anos. Logo no ano de 1958, a primeira república foi proclamada pela República do Congo. Em 1959, a República Centro- Africana veio a tornar-se um país livre e, finalmente, em 1960, foi proclamada a independência dos outros dois países que restavam: República do Chade e República do Gabão.

Formação da África Equatorial Francesa

A África Equatorial Francesa foi formada muito por conta dos esforços e das empreitadas de um francês denominado Pierre Savorgnan de Brazza (daí, obviamente, o nome da capital do setor administrativo, Brazzaville, que, em francês, quer dizer literalmente “cidade de Brazza”). Aquilo que poderíamso chamar de ponto de partida ou eixo central da AEF é uma colônia francesa que foi inicialmente instalada em Libreville, no Gabão, no ano de 1842.

Foi com a a gradual exploração a consequente expansão dos colonizadores franceses nessa mesma área e a criação de um regimento denominado de Saúde Colonial que as possessões francesas na África equatorial passaram a ser organizadas. No início, essa organização se deu em duas grandes colônias, respectivamente o Gabão e Ubangi, sendo que ambas passaram a ser administradas por um comissáriado geral.

Já no ano de 1908, serão criados quatro territórios: o Gabão, o Congo Médio, Ubangi-Chari e o Chade e em 1910, um decreto estabelece o governo-geral da AEF. O governador tinha um deputado em cada uma das quatro colônias, que por sua vez eram divididos em regiões, as quais eram por sua vez subdivididas em distritos.

Até o ano de 1920, o Chade e Ubangi-Chari formavam um território único. Eram cerca de 259.000 quilômetros quadrados (o que, convenhamos, equilae mais ou menos ao território de todo o estado de São Paulo) foram cedidos à Alemanha e incorporados à chamada colônia do Kamerun alemão (que atualmente é a República dos Camarões) como resultado da crise de Agadir, em 1911. Mais tarde, esta mesma área terminaria por ser devolvida à França através do conhecido Tratado de Versalhes, em 1919, sendo que a colônia alemã tornou-se um mandato da Liga das Nações, que havia sido dividido em norte (sob administração francesa), e sul (sob administração britânica).

Foi somente durante a Segunda Guerra Mundial que a federação que apoiou a França Livre incidiu sobre o movimento de resistência à ocupação nazista. Com o fim da guerra, instalada a Quarta República Francesa, a África Equatorial Francesa acaba conquistando o direito de conseguir algum tipo de representação no parlamento francês, bem como no conjunto de toda a chamada União Francesa.

É justamente quando os territórios constituintes passaram a exercer o seu direito ao voto em 1958 para se tornarem repúblicas autônomas dentro da Comunidade Francesa, que a federação foi dissolvida. Já no ano de 1959, as novas repúblicas africanas passaram a formar uma associação livre, denominada de União de Repúblicas Centro-Africanas. No ano seguinte, em 1960, as mesmas Repúblicas Centro-Africanas passam a constituir oficialmente a comunidade das repúblicas independentes dentro da Comunidade Francesa.