As modalidades de energia: As fontes de energia no nosso país


Até a década de 30, a economia brasileira de caráter agroexportador, levava à constituição de um perfil energético com base na utilização da biomassa, principalmente a lenha e os restos da produção agrícola, como bagaço da cana de açúcar. A biomassa, apesar de ser uma fonte renovável, se utilizada de forma adequada, também causa emissão de gases estufa e impulsiona o desmatamento. Além disso, esta fonte é de baixa produtividade, seja para a produção de eletricidade ou de energia térmica.

A preferência pela biomassa que caracterizou o perfil energético brasileiro até, pelo menos, a década de 50, estava ligada à própria atividade econômica baseada na agricultura e, principalmente, por um tipo de vida e de economia que tinha uma baixa exigência de produção de energia.

As fontes de energia no nosso país

A industrialização e a urbanização criaram ovas necessidades e novas posturas por parte do governo em relação às matrizes energéticas no Brasil. No
contexto de modernização baseada no modelo em tripé (multinacionais, capital privado nacional e Estado) o governo brasileiro passou a ter um importante papel no desenvolvimento de um amplo sistema de geração de energia elétrica e a produção de petróleo no país. Estas duas fontes de energia passaram a ter grande importância para a industrialização e a urbanização da sociedade brasileira.

A industrialização teve um duplo papel na mudança do perfil energético do país. Primeiramente, o próprio funcionamento das fábricas está diretamente ligado ao crescimento da demanda por energia, principalmente elétrica. Em segundo lugar, o consumo das mercadorias produzidas nas fabricas também exige uma grande ampliação da produção de energia.

Com relação ao aumento da demanda ligado às mercadorias vindas das fábricas, ganha destaque o aumento da necessidade de petróleo. A industrialização do Brasil teve como uma de suas mais importantes bases o setor automobilístico. Deste modo, os governos, principalmente a partir da década de 50, investiram grandes somas na construção de uma malha rodoviária no país, de modo a estimular o uso do automóvel.

Para suprir a crescente demanda por petróleo, foram feitos grandes investimentos na pesquisa e na prospecção deste combustível fóssil, através da Petrobras. A partir de meados da década de 70, devido ao choque mundial do petróleo, o governo brasileiro estimulou a produção e o consumo do álcool como combustível para os automóveis, através do Proálcool.

A urbanização, colaborou com o aumento do consumo de energia por causa das necessidades de transporte dentro das cidades, também baseados na utilização do automóvel. Mas outro fator foi a expansão de um tipo de vida propriamente urbana, que tem como uma de suas características básicas a sociedade de consumo em massa. Este elemento colaborou igualmente para a ampliação do uso do eletrodoméstico, luz e aquecimento de água, baseados no consumo de energia elétrica.

A necessidade de energia elétrica foi suprida com os investimentos governamentais na construção de grandes usinas hidrelétricas, que no Brasil são responsáveis por quase toda a produção de eletricidade.

Energia elétrica no Brasil

Existem diversas formas de se produzir energia elétrica. É possível fazê-lo, por exemplo, através do aproveitamento da energia solar, utilizando-se células fotoelétricas, que são dispositivos que têm a capacidade de transformar energia solar em energia elétrica. Esta forma é ainda pouco eficaz para a utilização em alta escala e ineficiente para países em que o sol não é forte o ano todo.

A maneira mais comum de se produzir energia elétrica é girar uma turbina. A turbina é uma máquina ligada ao eixo de um alternador, que por sua vez é um aparelho eletromagnético que, tendo o seu eixo girado, produz a corrente elétrica.

O que muda de uma usina produtora de energia elétrica para outra é a forma com que se gira o eixo. Uma maneira utilizada em alguns países, mas ainda muito cara e pouco eficiente, é o aproveitamento da força dos ventos, que recebe o nome de energia eólica.

Outra maneira, a mais utilizada no mundo, é se aquecer água em uma caldeira, produzindo grande pressão para girar a turbina. As usinas que utilizam esta forma são as termoelétricas, mas existem variações neste grupo. O calor pode ser gerado pela queima de combustíveis fosseis ou de biomassa, os grandes problemas de ambos são: o preço, já que o combustível tem de ser comprado, e a poluição, principalmente a liberação de CO2. A fissão nuclear também pode gerar calor para esquentar a água da caldeira e girar a turbina.

Cerca de 90% da energia elétrica brasileira é produzida em outro tipo de usina: a usina hidrelétrica. Neste caso, aproveita-se a potência da água dos rios para girar a turbina. Apesar de requerer um grande investimento inicial, o que muitas vezes dificulta o investimento privado, esta é uma fórmula relativamente barata e pouco poluente de se produzir energia elétrica.

Um grande problema que frequentemente apresentam as usinas hidrelétricas é o impacto ambiental e social de seu processo de construção. Para que a água dos rios seja direcionada de maneira adequada e com potência suficiente para girar as turbinas, é necessária a construção de grandes barragens.