As modalidades de energia: Recursos hídricos: uso e degradação


O sistema elétrico brasileiro é baseado na exploração da energia hidráulica. Por isso, é fundamental aprofundar os estudos neste recurso tão precioso, não só para a produção de energia, mas para a manutenção de toda a vida animal e vegetal do planeta.

A água é classificada como um recurso natural renovável, o que teoricamente deveria nos deixar tranquilos para que possamos utilizá-la à vontade. No entanto, esta condição é bastante relativa. É preciso entender melhor o que significa ser um recurso natural renovável. Os recursos naturais são produtos da natureza utilizados pela sociedade. Por mais que exista a necessidade de realizar trabalho humano para extraí-los e torna-los adequados para o uso, é necessário que eles existam na natureza.

Recursos hídricos: uso e degradação

A maioria dos recursos naturais é produzida originalmente por ciclos naturais. O petróleo, por exemplo, é um produto da decomposição de matéria orgânica, enquanto os ventos são originados dos movimentos cíclicos das massas de ar. Isto significa que quase todos os recursos naturais poderiam existir para sempre na natureza terrestre. Com base nesta ideia a impressão que se tem é que todos os recursos naturais são renováveis, mas é questão é um pouco mais complicada.

O que definirá se um recurso natural é renovável ou não renovável é, basicamente, a diferença entre a intensidade do uso pela sociedade e a velocidade de reposição do recurso pela natureza. Deste modo, quanto mais intenso o uso de um recurso, maiores as chances dele se tornar escasso, mesmo que inicialmente ele fosse considerado renovável. A mesma regra vale para velocidade de reposição do recurso por parte da natureza, se ela é muito baixa, o recurso é considerado não renovável.

Considerando o exemplo do petróleo, sabemos que a velocidade da formação do petróleo é bastante baixa, pelo menos alguns milhões de anos. Ao mesmo tempo, a sua utilização é muito intensa. Para se ter uma ideia, as previsões mais otimistas apontam o final deste século como o limite terminal da existência de petróleo utilizável na natureza. Isto significa que nós conseguiremos gastar em, aproximadamente, 250 anos aquilo que a natureza levou milhões de anos para produzir.

Sendo assim, para que pudéssemos considerar o petróleo um recurso renovável a intensidade de extração teria de ser tão pequena, para que houvesse tempo de a natureza formulá-lo novamente, que nem faria sentido utilizá-lo.

A água, numa primeira impressão, parece um recurso bastante farto na natureza. Cerca de três quartos da superfície terrestre são cobertos por água. Porém, apenas 6% deste total correspondem à água doce, da qual apenas 22% estão disponíveis para uso, já que o resto está nas geleiras, em neves eternas ou em regiões do subsolo que impedem a sua utilização.

Esta porção limitada de água disponível para o consumo humano, animal e vegetal, não é composta sempre das mesmas moléculas de H20. Na verdade, esta porcentagem representa a quantidade de água que, dentro do ciclo da água, que envolve a evaporação, a precipitação, a infiltração nos solos e a chegada aos rios, mares e lagos, permanece relativamente constante nas condições de água doce na forma líquida. Graças a este ciclo, a água pode ser reutilizada, o que a torna um recurso renovável.

Na sociedade, os usos para a água são diversos. O mais básico é a alimentação, na qual ela é usada para beber e na preparação de alimentos. Mas o processo de modernização criou outro uso para a água, como a higiene pessoal, a irrigação de plantações, a produção de energia, a utilização dos rios, lagos e mares para o transporte e o uso industrial.

Esta ampla e intensa utilização da água vem se tornando um obstáculo à reciclagem deste recurso natural pelo próprio ciclo natura. O mais grave problema é a poluição. Os elementos que mais colaboraram para a queda da qualidade da água são: dejetos industriais, esgoto doméstico, produção de energia, agricultura e transporte.

Os responsáveis pela queda da qualidade da água

Dejetos industriais: nas indústrias a água é utilizada de diversas maneiras, como o resfriamento de equipamentos ou a diluição de produtos químicos. Na maioria dos casos é devolvida aos cursos d’água com tratamento insuficiente, o que colabora diretamente para a poluição destes cursos.

Agricultura: colabora para o aumento da escassez de água de duas formas. Em primeiro lugar, o uso intenso para irrigação vem diminuindo o fluxo de muitos rios, prejudicando a fauna e a flora aquáticas. Em segundo lugar, o aumento do uso de agrotóxicos também é um problema, já que as chuvas carregam as toxinas depositadas nos solos para o curso da água.

Produção de energia: a construção de hidrelétricas, são formados grandes reservatórios. Após a inundação de uma grande área, a matéria orgânica que permanece no fundo do lago, entra em processo de decomposição, o que prejudica muito a qualidade da água em diversos locais do mundo.

Transporte: as embarcações acabam despejando óleo e resíduos nas águas por onde passam. O principal problema está ligado aos vazamentos de petróleo nos oceanos ou de dutos nas proximidades de rios.