Biotecnologia: Agricultura de jardinagem


Muitas vezes nos esquecemos que a agricultura é uma técnica inventada pelo homem. Ela não é uma simples coleta de produtos oferecidos pela natureza. O processo agrícola envolve o conhecimento do melhor lugar e da melhor época para plantar, a preparação da terra, o plantio propriamente dito, o cuidado com a plantação e a colheita, a qual por sua vez deve ser feita na época certa.

O aparecimento da agricultura transformou radicalmente a vida dos seres humanos e a sua relação com a natureza. De nômade, o homem passou a ser sedentário, o que lhes possibilitou o desenvolvimento da cultura e de novas técnicas de sobrevivência. Ao mesmo tempo, a realização da atividade agrícola passou a exigir uma certa organização, principalmente do espaço e do trabalho.

Agricultura de jardinagem

Passados milhares de anos a agricultura continua a ser uma das atividades mais fundamentais para a existência do homem na sociedade. Mesmo com o desenvolvimento urbano e industrial dos últimos séculos, é preciso lembrar que o alimento e muitas matérias-primas industriais continuam vindo da agricultura.

No entanto, não podemos considerar o fato de que existem diversos modos de se fazer agricultura. Comparando-se regiões como o interior da África e do Canadá, podemos notar grandes disparidades em relação à produtividade agrícola, aos bens produzidos, às técnicas utilizadas e à qualidade de vida dos trabalhadores.

Ao modo como os produtores realizam a atividade agrícola em uma determinada área, damos o nome de sistema agrícola. Como cada um destes sistemas tem diferentes níveis tecnológicos, uma variada distribuição da terra e um destino diferenciado para a produção, sua produtividade pode variar bastante.

A produtividade agrícola não é o mesmo que a produção. Esta última é a quantidade absoluta de produtos produzidos, como por exemplo, 1.000 sacas de soja. Já a produtividade está ligada ao aproveitamento do solo e da mão de obra.

Quando um número pequeno de trabalhadores consegue alcançar uma produção maior utilizando-se de menos solo, porém sem diminuir sua fertilidade, dizemos que se faz uma agricultura intensiva. Já, quando a atividade agrícola precisa de muita terra e de muita mão de obra, e além disso, não conserva o solo, dizemos que ela é extensiva.

As classificações dos sistemas agrícolas são uma generalização didática, podendo assim portanto, apresentar muitas variações em cada área considerada, e ainda podem ajudar no entendimento das atividades agrícolas do mundo atual.

O termo agricultura de jardinagem é utilizado para designar o sistema agrícola dos países do Sudeste Asiático. Sua característica fundamental é a utilização de grandes quantidades de mão de obra. Apesar de haver um predomínio de técnicas tradicionais de cultivo, há um bom aproveitamento e ótimo conservação do solo. Como a mão de obra é numerosa, é possível se atingir um bom rendimento mesmo com um baixo nível tecnológico.

Em países muito populosos, como a China ou a Indonésia, há um estímulo a este tipo de agricultura, principalmente na produção de arroz nos terraços alagados. Como a produção é, na maioria das vezes, voltada para o mercado interno, a preocupação em se empregar pessoas é maior que a de diminuir os custos da produção.

As relações de trabalho e a propriedade da terra podem variar de região para região. Na China, por exemplo, tínhamos as comunas populares até a década de 70, de lá para cá, o governo vem distribuindo a terra para famílias de camponeses, num estatuto de posse e não de propriedade. Mas é comum também, na Tailândia e na Malásia por exemplo, a agricultura de jardinagem feita em grandes latifúndios de mão de obra camponesa, principalmente através do sistema de parcerias.

Plantation

O sistema de plantation tem sua origem no processo de colonização europeia nas Américas. A cana de açúcar no nordeste brasileiro é um dos melhores exemplos. Suas características originais eram: mão de obra escrava, latifúndio, monocultura e produção para exportação. Atualmente, a única mudança significativa do sistema de plantation é a mão de obra assalariada de baixo custo.

O plantation é um sistema agrícola eminentemente capitalista, mas nem por isso pode ser considerado moderno. Devido à disponibilidade de mão de obra, o investimento em tecnologia é relativamente baixo. Estando presente em países da América Latina, África e Ásia, a maior parte dos produtos é caracteristicamente tropical e tem como destino os mercados europeu e norte-americano.

Um dos principais problemas do sistema de plantation é o baixo preço dos produtos mais comuns neste tipo de agricultura. Desde o período pós-guerra, com a descolonização da África e da Ásia, houve um aumento significativo da oferta destes produtos no mercado internacional, o que produziu diretamente a diminuição de seus preços.

Desta forma, a única maneira de tornar a agricultura de plantation minimamente lucrativa é a alta exploração de mão de obra que nela ocorre. Considerando tal situação, este tipo de sistema agrícola leva apenas ao enriquecimento dos grandes latifundiários. Aliás, em muitos países, principalmente na América Central e na África subsaariana, as grandes unidades de produção agrícola pertencem a multinacionais do setor.