Coeficiente de Gini


O Coeficiente de Gini, que também pode ser chamado de Índice de Gini, corresponde a um dado estatístico que mede o grau de desigualdade de renda em um determinado território. O parâmetro foi criado pelo matemático italiano Conrado Gini (1884-1965) e publicado originalmente em 1912, no documento “Variabilità e mutabilità” (Variabilidade e mutabilidade, na tradução literal).

Esse índice se apresenta numa variável que vai de 0 (zero) a 1 (um), onde o país zerado significa que é totalmente igualitário (todas as pessoas têm a mesma renda) e outro com índice 1 é completamente desigual (no qual sua sociedade só tem apenas um membro ou família que retém toda a riqueza). Ou seja, quanto mais perto de 0 for o Coeficiente de Gini, menor é a desigualdade; e quanto mais próximo de 1 ele for, maior é a concentração de renda.

Gini

O Brasil é bem conhecido mundialmente por seus problemas de desigualdade social e tem um dos piores índices quando se leva em conta todos os países do mundo. O Coeficiente de Gini do Brasil é equivalente a 0,495, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE no ano de 2013. Assim, os brasileiros têm de conviver com a alta concentração de renda, ou seja, com uma minoria que detém grande parte da riqueza do País.

Mas vale ressaltar que, anos atrás, esse dado era ainda pior e o Brasil é um dos que mais vem evoluindo com o passar do tempo: de 1995 para 2008, o índice de Gini caiu de 0,605 para 0,549. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), essa melhora tem relação direta com a estabilização da moeda após a crise econômica que atingiu o país entre o final dos anos 1980 e o início da década de 1990.

Ao lado do Brasil, outros países em situação bem grave são África do Sul (0,593) e a Namíbia (0,707). Na direção contrária à do país tupiniquim e das outras nações citadas, estão Hungria, Dinamarca e Japão, como os países que têm a menor desigualdade social: 0,244, 0,247 e 0,249, respectivamente.

Veja abaixo o Índice de Gini em outras nações pelo globo, de acordo com o Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD):

– Alemanha: 0,270 (dado de 2006)
– Argentina: 0,490 (dado de 2007)
China: 0,470 (dado de 2007)
Estados Unidos da América: 0,450 (dado de 2007)
– França: 0,3270 (dado de 2008)
México: 0,479 (dado de 2006)
– Noruega: 0,250 (dado de 2008)
– Paraguai: 0, 568 (dado de 2008)
– Portugal: 0,385 (dado de 2008)

Quais são as vantagens do Coeficiente de Gini?

• A principal vantagem é o objetivo que tem esse índice: revelar os níveis de desigualdade que existem em todos os países e dar a (necessária) noção de que esse problema é bastante alarmante em alguns territórios do planeta;

• Pode ser importante na comparação de distribuição de renda em diferentes partes de uma só sociedade (como uma divisão entre zonas urbanas e rurais, por exemplo);

• É fácil de ser interpretado e permite comparações simples entre os países, assim como a confrontação de dados baseada em um período de tempo específico;

• Incentivar as medidas de inclusão de renda e outras melhorias na situação que é vivida pelas parcelas mais prejudicadas de alguns países;

• Esse índice é medido por meio de uma análise de razão, em vez de se utilizar de uma variável, como a renda per capita ou o Produto Interno Bruto (PIB).

As limitações do parâmetro criado por Conrado Gini

• O Coeficiente de Gini nem sempre é preciso, e seus dados se referem a um período de tempo curto ao longo do ano;

• Os dados são alcançados por meio da contribuição voluntária dos governos e das agências de pesquisa, fator que deixa aberta a possibilidade de esse índice sofrer distorções de acordo com o interesse;

• Não é capaz de estabelecer o potencial de crescimento de uma parcela mais rica da população ou dos menos favorecidos;

• Mede a desigualdade de renda, mas não a de oportunidades. Por exemplo, algumas nações podem ter uma estrutura de classes sociais que tem barreiras contra a mobilidade ascendente e isso não tem qualquer relação com a esse coeficiente;

• A Curva de Lorenz (tipo de gráfico), que é usada no procedimento para calcular o Índice de Gini, pode até mesmo subestimar a verdadeira parcela da desigualdade social caso os membros mais ricos de uma determinada sociedade sejam capazes de utilizar suas rendas de forma mais eficiente em comparação com as pessoas de baixa renda. Ou vice-versa;

• As economias com rendimentos e coeficientes de Gini parecidos, podem ter uma distribuição de renda bem diferente. Isso acontece porque as Curvas de Lorenz podem ter distintas formas e, ainda assim, produzir o mesmo coeficiente.