Conflitos no Líbano, na Grande Síria e a questão do Afeganistão


Até a Primeira Guerra Mundial, a região que hoje engloba o Líbano e a Síria pertencia ao Império Otomano. Com a queda deste império, a região passou a ser controlada pelos franceses. Como a população era dividida entre muçulmanos, principalmente sunitas, e cristão árabes, chamados de maronitas, a França dividiu administrativamente sua colônia, criando assim uma área de pequena maioria maronita, atual Líbano, e outra de grande maioria muçulmana, atual Síria.

Conflitos no Líbano e na Grande Síria

Após a Segunda Guerra Mundial, a França deixou a região, na qual se formaram os dois países em questão. No caso do Líbano, a composição da população não era tão homogênea como na Síria. Os maronitas perfaziam um pouco mais da metade do total de habitantes, porém, devido ao esquema armado pela colonização francesa, detinham uma porção muito grande do poder econômico. Na tentativa de equilibrar tal diferença, foi criado o Pacto Nacional, que determinava que o presidente seria cristão e o ministro muçulmano.

Conflitos no Líbano

Com o passar do tempo, a população muçulmana se ampliou mais rapidamente e se tornou maioria desde os fins da década de 60, criando tensões entre os dois setores da população. Apoios externos acabaram aumentando cada vez mais esta tensão. As potências ocidentais e Israel apoiavam claramente os cristãos, enquanto os países árabes, principalmente a Síria, apoiavam os muçulmanos. No início da década de 70, os guerrilheiros da Organização para Libertação Palestina, foram expulsos da Jordânia e se instalaram no sul do país, aumentando ainda mais as discórdias entre o povo libanês.

Toda esta tensão originou a Guerra Civil Libanesa que se iniciou em 1975, após alguns choques entre a população. Participavam da guerra as falanges cristas, e os exércitos sírio e israelense. O objetivo da Síria era e continua sendo, incorporar todo o Líbano dando origem ao que eles chamam de Grande Síria, anulando assim a divisão realizada pelo imperialismo francês. Já no caso de Israel, a intenção foi atacar os pontos onde estavam instaladas bases da OLP.

Os israelenses conseguiram expulsar os guerrilheiros da OLP e aproveitaram para promover vários massacres de palestinos civis refugiados no Líbano, destacando-se o de 1982, no qual morreram centenas de velhos, crianças e mulheres.

Entre 1999 e 2000, Israel retirou seus soldados do sul do país, onde mantinha uma zona de segurança. Mesmo assim, a situação libanesa não está estabilizada, uma vez que o país continua dividido entre grupos pró-Síria e os cristãos, contrários à incorporação de seu país à Grande Síria.

O isolamento do Afeganistão

O Afeganistão surgiu como um país tampão, pressionado pelo Império Russo, ao norte, e pelo Império Britânico, ao sul. Tal posição lhe deu o caráter de grande diversidade étnica, cultural e religiosa. Apesar de a região muçulmana ser preponderante, ela é dividia entre várias seitas diferentes.

Na década de 50, após a independência do Paquistão em relação à Inglaterra, o Afeganistão também foi reconhecido como um país independente e estabeleceu ali uma monarquia. No entanto, a variedade de grupos étnicos e religiosos criou uma situação de constante guerra civil. Na década de 1970, o país passou por grandes mudanças, com o surgimento da república, e em 1979, a formação de um governo pró-soviético.

Mas isso não quer dizer que os conflitos tivessem se estabilizado, pelo contrário. A URSS mandou seu exército para garantir a continuidade do governo aliado. Entre 1979 e 1987, o Afeganistão viveu uma guerra indireta entre os EUA e a URSS. Com as dificuldades de manter o governo socialista, os soviéticos retiraram suas tropas em 1987, em um acordo com os EUA, o Paquistão e o Afeganistão, no qual os três primeiros países se comprometiam a não intervir nos assuntos afegãos. Mesmo assim, a guerra civil continuou.

Na década de 90, com o fim da URSS e a queda do socialismo, o governo afegão perdeu apoio internacional e acabou sendo destruído pelos grupos guerrilheiros, que passaram a se alternar no poder e dividir o território, fragmentando-o entre eles.

Em 1995, foi formado um novo grupo guerrilheiro, com apoio do Paquistão, da Arábia Saudita e dos EUA: o Taleban. A proposta inicial deste grupo era fazer um governo de coalizão, buscando unir os interesses dos inúmeros grupos que se digladiavam no Afeganistão. Com o apoio externo que tiveram, os talebans conseguiram tomar a capital afegã em 1996 e em 1998 já dominavam 90% do território.

O Taleban passou a ser reconhecido como governo legítimo do Afeganistão, pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos. Desde 1996, a proposta do governo de coalizão foi drasticamente alterada. O novo governo estabeleceu o mais rígido governo islâmico do mundo, com a suspensão dos direitos políticos das mulheres, que são proibidas de frequentar as escolas e participar de atividades esportivas. Foram proibidos também a música, o teatro, o cinema e a televisão. No início de 2001, o taleban iniciou um programa de destruição do patrimônio histórico do país que não esteja vinculado ao islamismo, principalmente as famosas estátuas construídas por budistas há mais de 15 séculos, quando o islamismo nem mesmo existia.