Desemprego, um problema mundial – A crise do trabalho


Ao contrário dos países ricos, nos quais as atividades dos países terciários são bastante desenvolvidas e propiciam às pessoas uma boa remuneração, na periferia do capitalismo, o setor terciário é marcado pela baixa remuneração e pelo desrespeito às leis trabalhistas.

Outra forma de distribuição da população nos setores da economia é aquela que ainda se mantém em alguns países da antiga União Soviética. O socialismo real se caracterizou por um grande investimento estatal no setor industrial, principalmente nas indústrias de base. Além disso, a economia destes países não formou sociedades de consumo como as dos capitalistas, inibindo o crescimento do setor terciário. Desta forma, muitos destes países podemos encontrar as maiores participações do setor secundário em termos de porcentagem da população ocupada.

A crise do trabalho

Entre o fim do século XX e o início do século XXI, o mundo vem conhecendo a crise do trabalho e principalmente, do emprego. Após a Segunda Guerra Mundial, os países capitalistas apostaram no modelo econômico fordista / keynesiano, que tinha por base a interferência estatal na economia, principalmente através das grandes obras criadores de emprego e do estado de bem-estar, o aumento dos salários dos trabalhadores para que estes pudessem se transformar em melhores consumidores e a força dos sindicatos negociando melhores salários em troca de um trabalho mais adequado ao aumento de produtividade da linha de montagem.

Este modelo entrou em crise desde a década de 70. As principais causas foram a queda das taxas de lucro das empresas e o aumento do déficit público. Daí em diante ganhou força o modelo econômico neoliberal, que tem como fundamento a não intervenção estatal na economia e o aumento da produtividade empresarial através da otimização da força de trabalho e da tecnologia.

O desenvolvimento industrial iniciado deste então e as novas formas de organização das empresas, vêm causando um aumento nos níveis de desemprego. Alguns países vêm compensando a perda de postos de trabalho na indústria com a criação no setor terciário, mas na maioria dos países, mesmo nos centrais, este processo não vem dando conta de diminuir o desemprego.

Uma das propostas para tentar amenizar tal situação é a da diminuição da jornada de trabalho, que atualmente varia entre 40 e 48 horas semanais, na maioria dos países. Se as pessoas trabalhassem menos, haveria a necessidade de se contratar outras. No início do século XX, ocorreu algo parecido, quando os trabalhadores bem organizados conseguiram de seus governos o estabelecimento de 44 horas semanais, como forma de combater o desemprego.

O problema é que a redução da jornada de trabalho acarreta em um aumento dos gastos empresariais com mão de obra e para que o projeto se realize seria necessária uma forte organização dos trabalhadores para exigirem-no. Mas, tanto uma coisa quanto a outra estão bem distantes das ideias neoliberais.

Do lado das empresas, o que encontramos é uma determinação em diminuir cada vez mais o número de empregados. Utilizando-se de estratégias de desregulamentação do trabalho, como a terceirização da mão de obra ou o banco de horas, um número cada vez maior de empresas procura aumentar seus lucros para sobreviver em um mercado altamente competitivo. Vale ressaltar que através do banco de horas os empregados trabalham menos nos meses de menor produção e mais naqueles em que ela deve aumentar, compensando as horas não trabalhadas com horas extras não pagas nos períodos de pico.

A organização dos trabalhadores para exigir que este quadro mude está muito difícil de acontecer. A abertura comercial dos países e a liberdade que as empresas vêm tendo para investir em lugares com mais vantagens comparativas, são fatores que diminuíram a força de negociação dos trabalhadores e jogaram os sindicatos em uma crise sem precedentes.

Índices da qualidade de vida

Na tentativa de se medir a qualidade das populações do mundo foram criados métodos estatísticos que consideram diferentes elementos para determinar como as pessoas vivem.

O método mais simples e conhecido, mas também um dos mais questionáveis, é o PIB per capita. Para calculá-lo basta dividir o Produto Interno Bruto, que representa o total de riqueza produzido em um país, pelo número de habitantes. A intenção é conseguir um número que represente a possibilidade que a economia do país tem de suprir as necessidades de seu povo.

O problema do Produto Interno Bruto per capita é que ele não considera a distribuição da renda real presente no país. Fazendo uma média simples de renda por pessoa sempre se está camuflando o seu rendimento real. O problema é maior conforme aumenta o grau de concentração de renda entre a população. Em países como a Espanha, que tem uma renda bem distribuída, o PIB per capita pode funcionar melhor como medida de qualidade de vida. Ao mesmo tempo, em países como o Brasil, com alto grau de concentração de renda, este índice pode se transformar em uma brincadeira de mau gosto.