Economia da Guiana Francesa


A Guiana Francesa é o menor e o menos povoado território de toda a América do Sul, situado ligeiramente ao norte da linha do Equador. Com clima quente e chuvoso, somente a região costeira, de terras baixas e aluviais, é cultivada, com banana, cacau, arroz, milho e cana de açúcar. O relevo montanhoso do interior é coberto por florestas tropicais e há importantes jazidas de bauxita e de ouro.

A maioria da população é descendente da mestiçagem de escravos africanos com europeus. Nas florestas do interior, há indígenas de origem caribenha e tupi, assim como negros cimarrones, ou seja, que descendem de escravos rebeldes e fugitivos. Há minorias chinesas, indianas e francesas. A religião praticada é majoritariamente católica.

Guiana Francesa

História da Guiana Francesa

Os arawaks eram de baixa estatura, pele acobreada e cabelos negros e lisos. Cultivavam milho, algodão, inhames e batata doce. Construíram casas circulares com tetos cônicos de folhas de palmeira. Adoravam o céu, o sol, as estrelas, os rios e os ventos. Dormiam em redes. Os caribes, mais belicosos, expulsaram os arawaks da região e resistiram aos espanhóis que, desde o começo do século XVI, começaram a chegar à costa.

No ano de 1604, os franceses começaram a ocupação da Guiana, enfrentando a resistência dos caribes. A colônia passou sucessivamente por mãos holandesas, inglesas e portuguesas, ficando finalmente sob o domínio dos francesas, no ano de 1676. No final do século XVIII, a França enviou mais de três mil colonos para adentrarem o interior selvático do território. Os poucos que sobreviveram às doenças tropicais acabaram se refugiando nas ilhas situadas diante da costa, as quais batizaram de Ilhas da Saúde. A mais famosa é conhecida como Ilha do Diabo, que foi transformada em uma terrível prisão em pleno século XIX.

Desde o ano de 1946, a Guiana Francesa é formalmente um Departamento de Ultramar. Nove décimos do território estão cobertos por florestas virgens. O solo é fértil, mas os alimentos são importados. A população crioula, que constitui 80% do total, está fadada a ocupar postos secundários na administração pública ou na polícia. O país é extremamente dependente dos fundos franceses, que totalizaram 70% do Produto Interno Bruto, no ano de 1989.

A Economia da Guiana Francesa

No ano de 1967, a França instalou o Centro Nacional de Estudos Espaciais, onde trabalham mais de 1,3 mil técnicos estrangeiros, com salários do Primeiro Mundo, assim como cerca de 1,5 mil guianeses franceses.

Durante a década de 1970, os movimentos autonomistas ganharam relevância e o Partido Socialista da Guiana, passou a ser majoritário no âmbito local. No começo dos anos 80, grupos armados locais realizaram atentados como objetos colonialistas, mas as tensões decresceram com a vitória dos socialistas na França, no ano de 1981.

Na primeira Conferência das últimas colônias francesas, realizada em Guadalupe, no ano de 1985, a facilidade com que se concediam vistos e nacionalidade francesa aos recém chegados do Leste asiático foi duramente criticada, haja vista a perseguição e a discriminação sofrida pelos haitianos e brasileiros, culturalmente mais próximos.

Em 1886, a representação guianense na Assembleia Nacional Francesa se ampliou para dois deputados, permitindo o ingresso de um representante da Reunião pela República,Economia da Guiana Francesa de Jacques Chirad. Nas eleições municipais de 1989, Caiene e outras 12 das 19 circunscrições foram ganhas pela esquerda.

Em 1990, a França anunciou um plano de cooperação regional para o Caribe, incluindo uma ajuda financeira que só chegou aos 2,8 milhões de dólares.

Em 1992, a crise econômica persistente acabou provocando uma greve geral de uma semana, convocada por sindicatos e empresários. Como resultado da iniciativa, Paris concordou em financiar um plano de investimentos em infraestrutura e educação. Em 1994, a Guiana Francesa se integrou à Associação dos Países do Caribe.

A verdadeira situação dos habitantes da Guiana Francesa é pior do que os indicadores podem levar a pensar. A renda per capita é a mais alta da América do Sul, mas a economia é dependente das rendas geradas pela base especial de Kouru, dos subsídios franceses e das importações de alimentos provenientes da França.

Em novembro de 1997, o presidente francês, Jacques Chirac, anunciou um plano de desenvolvimento para a Guiana Francesa, após reconhecer a situação crítica economia da possessão sul-americana. O anúncio não suscitou expectativas demasiadas das autoridades locais, desiludidas por promessas anteriores. A Guiana, assim como a Martinica, Guadalupe e Reunião, é um Departamento de Ultramar francês. Contudo, esse estatuto é questionado por amplos setores da população, particularmente pelos grupos independentistas, cada vez mais influentes.

No dia primeiro de abril do ano de 1998, André Lecante foi nomeado presidente do Conselho Geral da Guiana, a principal instância legislativa guianense. O crescimento dos movimentos independentistas se refletiu, em março, nas eleições para o Conselho Regional. O partido socialista governante sofreu um sério revés, perdendo a maioria absoluta com a redação de sua bancada de 16 para 11 membros, ao passo que o Movimento pela Descolonização da Guiana conquistou três assentos.