Empresas globais: Atuação e industrialização


Quando falamos em globalização não podemos desvincular deste fenômeno as chamadas empresas globais, termo que se refere aos empreendimentos multinacionais ou transnacionais.

As empresas globais são classificadas como grandes corporações instaladas em mais de um país, ou seja, elas se originam em um determinado local, e posteriormente, migram para outro.

Empresas globais

Pode-se dizer que essas empresas têm origem na conjuntura da economia internacional e, em sua maioria, crescem devido aos avanços do mercado financeiro e também pelo que denominamos de Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Técnica – Científica Informacional consolidada na segunda metade do Século XX.

Atuação

Tais empresas atuam por meio do crescimento de seus mercados, e também, pela quantidade de filiais que inauguram a cada ano. Em geral, tem sua origem em países considerados desenvolvidos e buscam países em estado de desenvolvimento para sediar suas filiais, mas isso, não é regra geral. Japão, Europa e Estados Unidos lideram o ranking mundial de empresas globais, pois, nestes três países nascem 90% de todas as empresas globais presentes no mundo.

Entre os aspectos negativos que figuram em torno de tais empreendimentos está a geração de riquezas. Muitos economistas apontam que apesar de serem grandes geradoras de emprego e oportunidades em países emergentes, as empresas globais levam todo o lucro de seus negócios para seus países de origem, a maioria de primeiro mundo.

Sendo assim, o que acontece seria uma verdadeira exploração de recursos naturais e mão de obra em países emergentes.

Estas empresas ditaram os rumos do “capitalismo financeiro”, ou, “capitalismo monopolista”. As empresas globais detêm o controle da maior parte da produção, e também, dos serviços oferecidos a diversas áreas da economia mundial.

A tática utilizada para que isso seja possível é a chamada fusão, ou ainda, compra das empresas de pequeno porte e que oferecem risco de concorrência as empresas globais. Em outros casos, a concorrência desleal também é usada como um golpe baixo contra as pequenas companhias.

Na maioria das vezes o lucro obtido é tão grande que o financeiro das chamadas empresas globais chega a superar as rendas de alguns países emergentes. Há quem acredite que se tais companhias fossem donas de seus próprios territórios, certamente seriam potências mundiais.

Industrialização forçada

A medida que tais empreendimentos avançavam mundo afora, os países em desenvolvimento se viram obrigados a industrializar seus processos, ou mesmo trabalhar em indústrias de grande porte.

Grande parte dos países considerados pobres não tem a presença da industrialização de forma tão significativa. Dessa maneira as companhias globais criam a necessidade da existência de indústrias, e o pior, são as únicas que oferecem tais serviços, deixando a população de mãos atadas e sem grandes escolhas.

E o pior de tudo é os governos de tais nações ficam submetidos ao poder e aos caprichos destas grandes corporações.

O que querem?

Até as décadas de 1950 e 1960 existiam poucas multinacionais no mundo, e aquelas que existiam eram de natureza norte-america, exemplos dessa época são: Ford, ITT, EXXON e GM. Anos depois as empresas japonesas e também as européias entram na briga (Renault, Volkswagen, Siemens, Toyota) por uma fatia do tão precioso mercado do mundo globalizado.

Atualmente, 50 mil empresas são consideradas multinacionais em todo mundo. São companhias que foram além e romperam as barreiras territoriais e políticas, desta forma inovaram e dinamizaram os chamados fluxos comerciais, criaram necessidades de consumo, venderam estilos de vida e alteraram a realidade diminuindo as distâncias.

O interesse pelo terceiro mundo: O que as empresas globais ganham com isso?

Como já mencionado tais campainhas buscam por países emergentes e elas têm bons motivos para isso. Em primeiro lugar, a mão de obra é mais barata, e pagando salários menores o custo benefício também diminui. Aliado a isso, está o total descaso com os direitos trabalhistas.

Há ainda a questão das matérias-primas, que nas nações subdesenvolvidas são mais abundantes, dessa forma as grandes empresas buscam explorar até a última gota de cada recurso natural, afinal as leis de responsabilidade ambiental em tais nações em geral é muito frágil.

Podemos citar ainda um mercado consumidor sedento e que não têm suas necessidades atendidas, onde as multinacionais encontram um mercado fértil e promissor para suas campanhas bilionárias que induzem a compra e ao consumo descontrolado.

Com um público consumidor, recursos naturais abundantes e pagando pouco nos salários e nos impostos tais empreendimentos fixam-se nesses locais encontrando o que podemos chamar de “zona de conforto”.

Apesar de todos os pontos negativos citados neste artigo, algumas empresas tentam se redimir e para isso tem buscado criar, ou mesmo, participar de campanhas que incentivam a sustentabilidade e o consumo responsável.

Em um ranking mundial a empresa norte-americana de biotecnologia “Biogem Idec” é a primeira colocada se destacando como uma empresa preocupada com o meio ambiente. O Brasil atualmente está sendo representado nesse ranking pela indústria de cosméticos Natura.