Epirogênese


Como já se sabe, a Terra está em constante movimento: gira em torno de seu próprio eixo (Rotação), ao redor do Sol (Translação), as placas tectônicas também se movem, podendo até provocar terremotos. O assunto de hoje também está relacionado ao fato de que o nosso planeta nunca fica parado, vamos falar sobre epirogênese, seu conceito e as consequências que traz.

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O que é epirogênese?

Essa palavra vem do grego, em que epeiros significa continente e genesis significa formação. Portanto, quando falamos em epirogênese, estamos nos referindo ao conjunto de processos que fazem com que a crosta terrestre se movimente, no sentido ascendente ou descendente. Só para relembrar, a crosta terrestre é a camada mais externa do nosso planeta, com uma espessura que pode variar de 5 até 70 km, dependendo de cada região.

Gilbert foi quem criou a expressão epirogênese, na década de 1890, para designar o fenômeno geológico que provoca movimentos das placas tectônicas no sentido vertical. Quando esse movimento é ascendente, ou seja, ocorre para cima, ele é chamado de positivo e quando é descendente, de negativo. Embora também tenha relação com as placas tectônicas, a epirogênese não é responsável por tremores de terra, pois suas consequências são diferentes, como você vai ver a seguir.

Consequências da epirogênese

Os movimentos chamados epirogenéticos são classificados como soerguimento, quando acontecem no sentido ascendente, e como subsidência, quando são no sentido descendente, para baixo.

Normalmente, eles são estudados pelos pesquisadores na região à beira-mar, basicamente por duas razões: o nível do mar pode permanecer inalterado por muito tempo e, além disso, já se conhecem muito bem seus movimentos de subida e decida, de modo que fica mais fácil identificar a epirogênese por essa razão.

Mas, a epirogênese pode acontecer em outras regiões, geralmente atingindo vastas áreas continentais. Ela pode provocar as transgressões e regressões marinhas, no primeiro caso, o mar avança sobre o continente e no segundo, o nível da água baixa em relação à plataforma do continente. No entanto, observem que embora possam ser consequentes da epirogênese, os movimentos de transgressão e regressão que acontecem no mar são chamados de eustáticos e não são essencialmente epirogenéticos, porque a alteração observada foi no próprio nível do mar.

Todo esse cenário nos mostra como é difícil estudar esse tipo de movimento e porque as informações sobre eles ainda são bastante escassas. Diferente da orogênese, por exemplo, que são os movimentos horizontais das placas tectônicas, sobre os quais há muito mais conhecimento já acumulado.

Enfim, na prática como se observam os movimentos epirogenéticos? Já dissemos que eles são de dois tipos, soerguimento e subsidência.

Soerguimento

Acontece quando duas placas tectônicas se encontram horizontalmente (orogênese), mas desse encontro surge um arqueamento dessas placas, portanto, uma epirogênese. Outro exemplo relativamente de soerguimento se dá nos períodos interglaciais, quando a cobertura de gelo é removida. Por fim, o terceiro processo de soerguimento identificado é a denudação de áreas cratonizadas do continente.

Subsidência

O movimento negativo, descendente, por sua vez, acontece dentro dos seguintes contextos: nas épocas glaciais, em que picos são totalmente cobertos por gelo; materiais magmáticos (como cinzas e lavas, por exemplo) que cobrem extensas áreas continentais. Esse segundo caso é uma consequência de outro processo, o vulcanismo, ou seja, quando o vulcão consegue expelir materiais que estavam em seu interior.

Além desses dois, existem ainda os casos de isostasia, que como o próprio nome sugere, é um equilíbrio. A sobrecarga faz com que uma área seja rebaixada e, com a liberação do peso, a outra sofre um soerguimento. Esse equilíbrio se dá ao longo de milhares de anos e um dos casos mais emblemáticos é o da Escandinávia, no quaternário, com o acúmulo de gelo que provocou um movimento epirogenético isostático.

Existem alguns aspectos que caracterizam os movimentos epirogenéticos como um todo, tanto o soerguimento quanto a subsidência, que devem ficar bastante claros:

  • São tectônicos, ou seja, resultam de movimentos observados nas placas tectônicas, desde que sejam verticais;
  • São observados especialmente em terrenos continentais estáveis, diferente da orogênese, por exemplo, que aparece mais em zonas de instabilidade;
  • Esses movimentos ocorrem com mais frequência em formações geológicas mais antigas que, por consequência, são também mais planas, porque sofreram a ação do tempo e o desgaste provocado por ela;
  • A epirogênese se caracteriza por ser de longa duração, acontece ao longo de muitos anos (muitos anos mesmo, pois estamos falando sob uma perspectiva geológica);
  • Abrangem áreas extensas, de dimensões continentais;
  • Não provocam abalos sísmicos e nem vulcanismo, por não estarem associados a dobras ou falhas.

Pense em quantas transformações ocorrem com a Terra em seu ciclo, ao longo dos milhões e milhões de anos! Ao estudar esse tipo de fenômeno, percebemos o quanto o nosso planeta deve ter sido diferente logo que foi formado e o quanto ele ainda vai se modificar para as futuras gerações.