Guerra dos Seis Dias


Apesar da grande vitória militar, a posição de Israel na Guerra dos Seis Dias e nos meses a ela consecutivos, iniciou uma mudança da política das grandes potências em relação aos conflitos do Oriente Médico. Israel atacou seus vizinhos árabes sem ter sofrido qualquer ameaça concreta da parte deles, ocupou vastas áreas destes países, após a guerra não seguiu as determinações da ONU para devolver as áreas ocupadas, e para finalizar, começou a criar colônias agrícolas nestas terras, principalmente na Cisjordânia, mostrando-se pouco disposto a devolvê—las.

Com isso, os israelenses demonstravam seu caráter expansionista e deixavam claro que sua meta era afirmar-se como potência regional. Era o primeiro, apesar de ainda muito pequeno, golpe no apoio que a opinião pública ocidental dedicava a Israel.

Seis Dias

Começaram também, a mudar as posições dos próprios países árabes, já que todo aquele otimismo anterior à Guerra de Seis Dias já fazia parte do passado. Em vez de continuar a apoiar a causa do pan-arabismo, inclusive dando apoio aos palestinos, os países árabes buscaram políticas menos regionais e mais particulares.

A Jordânia abriu mão de recuperar a Cisjordânia, declarando-a território dos palestinos. Porém, também não fez nada para que tal região, que estava sob ocupação israelense, passasse efetivamente ao controle dos árabes palestinos.

O Egito, após a morte de Nasser em 1970, começou a se afastar da URSS, buscando uma aproximação com o Ocidente. O objetivo era conseguir apoio para resolver as questões territoriais com Israel e atrair as multinacionais ocidentais como forma de dinamizar seu processo de modernização industrial.

Já a Síria, mesmo continuando ligada à URSS e ao pan-arabismo, passou a se preocupar mais com a retomada de seus territórios e com sua expansão sobre o Líbano.

Neste contexto, Síria e Egito armaram um ataque surpresa a Israel, com o objetivo de retomar seus territórios. O ataque ocorreu em outubro de 1973, durante um feriado sagrado dos judeus, o dia do perdão. De início, os árabes estavam conseguindo impor derrotas aos israelenses, porém, com a ajuda dos Estados Unidos, que lhes enviaram armamentos para repor as perdas provocadas pelos árabes, os judeus conseguiram controlar a situação.

Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos apoiaram Israel, exigiram também sua retirada. Sendo assim, ao final da Guerra do Yom Kippur, as fronteiras não tinham se alterado. Mesmo assim, as consequências de tal conflito marcaram a geopolítica do Oriente Médio. Ficava claro para os países árabes que Israel tinha apoio ocidental e que, de certa forma, era inútil tentar a retomada dos territórios a partir da guerra com aquele país militarmente superior. Com isso, os conflitos na região tomaram outros rumos.

O Egito se aproximou ainda mais dos EUA e conseguiu, através da mediação deste, em 1980, um acordo com Israel. No que ficou conhecido como Acordo de Camp David, os egípcios reconheciam a existência do estado de Israel em troca da devolução da Península do Sinai. Com isso, a posição do Egito ficava clara, o país tinha desistido da guerra contra Israel, do pan-arabismo e do apoio militar aos árabes palestinos.

Outro novo elemento, e talvez o mais importante, é a utilização que os países árabes começaram a fazer do petróleo como arma contra os países ocidentais. Dos doze membros da Opep, pelo menos oito têm maioria de população árabe-muçulmana. Com tamanha força dentro desta organização, os países árabes conseguiram elevar o preço do barril de petróleo de US$ 2,00 para US$ 12,00 entre 1973 e 1974.

O Primeiro Choque do Petróleo, como ficou conhecido, provocou um grande impacto na economia mundial. Pode até mesmo ser considerado como um dos fatores que determinou a falência do modelo keynesiano, com seu estado intervencionista, e o consequente nascimento do neoliberalismo. O grande problema é que os países industrializados do Ocidente não eram autossuficientes na produção de petróleo, tendo que importar grandes quantidades do produto. Para cobrir o enorme rombo criado pelo aumento do preço do petróleo, os governos destes países tiveram que adotar políticas inflacionárias, já que imprimiam dinheiro para pagar os gastos e iniciar programas de ajuste fiscal, envolvendo privatizações, diminuição do investimento estatal na economia e, inclusive, diminuição dos benefícios dados aos cidadãos.

Nesta situação, os países árabes tiveram uma relativa vitória política, uma vez que desde então cada vez menos Israel tem apoio das grandes potências. Mesmo que, ainda hoje, as potências econômicas e militares não apoiem invasões da ONU ao território israelense para garantir o cumprimento de suas determinações acerca da devolução dos territórios palestinos, a política destas potências vai no sentido de forças uma paz na região para estabilizar os preços do petróleo.

Uma terceira consequência do desfecho desfavorável aos árabes na guerra de Yom Kippur, foi o fim dos conflitos entre árabes e israelenses, que envolviam os países árabes e os palestinos contra Israel, e o início de um conflito, mais isolado, entre palestinos e israelenses.