Os conflitos no Golfo


O Golfo Pérsico é outro foco de conflitos no Oriente Médio. O Iraque, liderado por Sadan Hussein, vem tentando impor sua hegemonia sobre a região. Para isso, já enfrentou uma longa guerra com seu vizinho Irã, outra com as potências ocidentais lideradas pelos Estados Unidos e, atualmente, sofre com um embargo econômico e uma intervenção militar, impostos pela Organização das Nações Unidas.

O elemento que mais inflama os ânimos na região do Golfo é o petróleo, já que é aí que estão as maiores jazidas deste mineral, sendo também o local por onde mais passam os petroleiros que levam o combustível para o Ocidente e para o Sudeste asiático. Porém, outros fatores são importantes para que possamos compreender a situação, principalmente, as disputas entre xiitas e sunitas e a luta entre Irã e Iraque pela hegemonia regional.

O Iraque é um país dividido entre as duas principais correntes da religião muçulmana, os xiitas e os sunitas. No caso do Iraque, os sunitas têm o poder em suas mãos, e desde o final da década de 1960, instauraram um regime militar teoricamente de cunho socialista. Mas o elemento mais marcante da política externa iraquiana é o pan-arabismo, o que fica claro na postura que este país assumiu nos conflitos com os israelenses.

Golfo

Já o Irã, com esmagadora maioria xiita, iniciou um processo de modernização econômica a partir da década de 60. O líder Xá Reza Pahlevi, aliado dos Estados Unidos, tentou direcionar as divisas vindas da venda de petróleo para a construção de uma infraestrutura que possibilitasse ao país a sua industrialização. O projeto não era muito diferente do que havia ocorrido na América Latina, ao qual demos o nome de desenvolvimento.

No entanto, esta política claramente ocidentalizante, não foi bem digerida pela população radical do país e, muito menos, pelo clero xiita. Junto com a modernização econômica acabavam se dando transformações culturais como a liberalização do trabalho feminino, a criação de um mercado de consumo, a urbanização e assim por diante. Tais transformações se chocavam diretamente com os valores da religião islâmica.

A questão do Irã

Os iranianos passaram a apoiar uma articulação entre o clero xiita e os grupos de esquerda (estes últimos insatisfeitos com a modernização ligada ao apoio americano). Entre 1978 e 1979 estes grupos depuseram o Xá, no acontecimento que ficou conhecido como revolução islâmica.

Após a tomada de poder surgia um outro problema. As propostas do clero xiita e dos grupos esquerdistas eram claramente opostas. Para os primeiros, a meta era desfazer o programa de modernização iniciado pelo Xá, voltado assim ao modelo de sociedade rural e com o estado teocrático. Além disso, os xiitas queriam expandir a revolução islâmica para todo o Oriente Médio.

Já os grupos de esquerda queriam iniciar no país no processo de modernização socialista, abolindo inclusive os privilégios do clero. Devido a tais diversidades, à revolução islâmica se seguiu uma breve guerra civil pela definição dos grupos que tomariam o poder. Após alguns meses, os xiitas garantiram a efetivação de seu projeto. O líder da igreja iraniana, passava a ser também o líder político. Com isso, o Irã, apesar de estar fragilizado devido ao processo revolucionário, definia-se como um polo de poder no Golfo Pérsico, pronto para expandir sua hegemonia sobre a região, através da exportação da revolução.

No mesmo ano de 1979, subia ao poder no Iraque, Sadam Hussein. O novo presidente se preocupava em evitar o crescimento do poder dos xiitas iranianos que poderiam estimular a revolução islâmica também em seu país. Além disso, desde o início de seu governo, ele tinha o projeto de liderar o movimento pelo pan-arabismo. Só estes dois fatores já eram mais que suficientes para um choque entre o Irã e o Iraque.

Fatores recentes

Aproveitando-se do momento de fragilidade pelo qual passava o Irã em 1980, Sadam Hussein invadiu este país na tentativa de controlar a região do Chat el Arab, importante para a produção e transporte de petróleo. A guerra que se iniciou a partir de então durou oito anos.

Acabada a Guerra, em 1988, quase nada havia mudado. Os iranianos conseguiram conquistas um pequeno trecho da terra depois de se afundarem em dívidas e perderem milhares de vidas.

Dois anos depois, Sadam Hussein retoma um antigo conflito com outro vizinho, o Kuwait. Este pequeno país é considerado pelos iraquianos uma produção do imperialismo europeu após a Primeira Guerra Mundial. A invasão do Kuwait provocou a revolta das potências ocidentais, principalmente EUA, Inglaterra, França e Itália. Junto a isso, a movimentação dos exércitos iraquianos acabou produzindo um grande aumento no preço do barril de petróleo, que chegou a mais de US$ 30,00.

Após tentativas frustradas de negociação através da ONU, as potências ocidentais, começaram a bombardear as áreas mais estratégias do Iraque ou suas posições no Kuwait. Estava se iniciando a Guerra do Golfo. Ela se encerrou com a retirada das tropas iraquianas e provocou um grande desastre ambiental, devido ao vazamento e queima de milhares de toneladas de petróleo durante os conflitos.