Os conflitos no subcontinente indiano


Chamamos de subcontinente indiano a região que atualmente compreende a Índia, o Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão. Com uma grande diversidade étnica, religiosa e linguística, até o século XVIII, a população estava distribuída em centenas de vilas e agrupamentos rurais com pouca centralização política, apesar de sua cultura milenar. No início do século XIX, a Inglaterra conseguiu garantir seu domínio sobre a maior parte do território, estabelecendo uma colônia baseada na organização da Companhia das Índias Orientais.

Para garantir seu domínio sobre uma população muito grande, os colonizadores utilizaram as rivalidades entre as religiões e etnias, lançando uns contra os outros de modo que não se unisse para retalhar a dominação inglesa.

O principal alvo da colonização inglesa era a região da Índia. Ali foram desmantelados a agricultura tradicional voltada para a subsistência e o artesanato de tecidos, o qual era desenvolvido e com produtos de alta qualidade. Em lugar desta economia local, foi estabelecida uma agricultura voltada para a exportação, de modo que a Índia passou a servir de fornecedora de matérias-primas e de compradora de produtos manufaturados para a Inglaterra.

Os conflitos no subcontinente indiano

Foi imposto aos indianos um esquema de leis e um sistema educacional aos moldes britânicos. Assim, a integração entre a colônia e a metrópole se tornou bastante grande, criando inclusive a possibilidade de se formarem na Índia elites educadas com uma mentalidade ocidental que passaram a questionar o processo de colonização. Esta elite formou o Partido do Congresso Indiano, o qual inicialmente procurava melhorar a economia indiana sem pensa em sua independência em relação aos ingleses.

A figura Mahatma Gandhi

Em 1915, Mahatma Gandhi, um indiano que estudou na Inglaterra, retorna para a Índia e rapidamente se uniu ao Partido do Congresso. A partir de 1920, com a liderança de Gandhi, o Partido do Congresso passou a organizar um movimento de desobediência civil, o qual envolvia: boicote às instituições colônias britânicas, recusa de consumir os produtos ingleses e a aceitação passiva das represálias das forças coloniais que viriam consequentemente, o que lhe dava o caráter de não violência.

Na década de 30, Gandhi, que já havia se transformando em um grande líder popular, conseguiu expandir a participação do povo na luta pacífica pela independência. Ao criar um movimento pela quebra do monopólio estatal da produção e venda do sal, o líder pacifista indiano conseguiu ligar as inquietações populares à causa maior que era a independência.

Em 1947, sem outra opção, a Inglaterra concedeu a independência às suas colônias no subcontinente indiano. Nas negociações pela independência, Gandhi lutava pela formação de um grande país, envolvendo dois grandes grupos religiosos, hindus e muçulmanos, e todas as minorias como os skihs da região do Punjab. No entanto, as disputas do período colonial impossibilitaram um acordo e a colônia acabou sendo dividida em dois países: a Índia, com maioria hindu, e o Paquistão, com maioria muçulmana. Desde então começaram os conflitos na região.

No caso da Índia, as minorias não foram contempladas com seu próprio estado-nação, ficando sob o julgo dos hindus. Daí se originaram conflitos separatistas como é o caso dos skihs do Punjab, que vem lutando desde então pela sua separação em relação ao restante da Índia. Este conflito já levou à morte de milhares de hindus e skihs e também de Indira Gandhi, primeira-ministra indiana, que no ano de 1984, tentou acabar com a guerrilha skih.

Por sua vez, o Paquistão também teve seus problemas separatistas. Quando criado, o país era composto pelas regiões com maior concentração de muçulmanos. Desta forma ela acabou dividido em Paquistão Ocidental, atual Paquistão, e Paquistão Orienta, atual Bangladesh. Mesmo sendo o povo da porção oriental também de religião islâmica, isso não significava que estas populações tinham realmente uma identidade para fazerem parte de um mesmo estado-nação.

A situação da população do Paquistão Oriental só piorou após a saída dos ingleses. Entregue aos interesses dos militares do Paquistão Ocidental, a população foi ficando cada vez mais empobrecida, até que no início da década de 70 foi declarada a independência do país e seu nome foi mudado para Bangladesh. Mas, o Paquistão não aceitou a independência, o que levou a uma intensa e sangrenta guerra civil.

Após a independência, Bangladesh estava com uma economia destruída pela guerra, o que lhe impôs grande dificuldade para atingir uma estabilidade econômica e política. Desde então, o poder vem sendo disputado por militares e grupos guerrilheiros, lançando o país em uma profunda crise social, que gera uma das piores condições de vida do mundo para a sua população.

Na época da independência em relação à Inglaterra, era impossível dividir as fronteiras de acordo com a distribuição das populações muçulmanas e hindus, para que elas ficassem separadas. Assim, o Paquistão ficou com minorias hindus e a Índia com minorias muçulmanas.

Atualmente, o fato que mais caracteriza a disputa entre a Índia e o Paquistão é a guerrilha na Caxemira. Região pertencente à Índia, porém de maioria muçulmana.