Os Esquimós


A expressão “esquimó” foi adotada pelos europeus que entraram em contato com este povo e significa “comedor de carne crua”. É uma forma pejorativa e, considerada atualmente como politicamente incorreta, de se referir ao povo indígena que habita o extremo norte do planeta. Acredita-se que os esquimós migraram do nordeste da Ásia há cerca de 15.000 anos, quando o Estreito de Bering congelou. Fixaram morada no extremo norte por terem sido hostilizados pelos indígenas norte-americanos que habitavam o local.

Conforme a localidade habitada, falam um dos três dialetos principais do tronco linguístico: O Inuite (Moram no norte do Alasca, Canadá e Groenlândia), o Yupik (moram no oeste e sudoeste do Alasca e na Sibéria) e o Aleúte (habitantes das Ilhas Aleutas e Pribilof). O clima extremamente frio impede a agricultura, assim, os esquimós se alimentam da caça e da pesca, geralmente comendo o fígado cru de suas caças, única fonte de vitamina C disponível. Por terem uma dieta pobre em carboidratos, excessivamente carnívora, foram objeto de estudo do cardiologista Robert Atkins, que utilizou o caso para comprovar a eficácia de uma dieta com baixo teor de carboidratos.

Esquimós

Subtítulo 1

O dia-a-dia dos esquimós

Os esquimós não são fisicamente impressionantes, com geralmente 1,60m de altura, braços e pernas curtos, são um povo nômade e pacífico que se organizaram em vilas sem classes sociais em que todos trabalham pelo bem da comunidade. Grande parte desta população migrou das tradicionais e famosas casas de gelo para as de madeira. Os iglus de madeira têm 25x15m de dimensão e são feitos com o teto inclinado, para não desabar devido ao acumulo de neve.

Mesmo que sejam uma civilização familiar patriarcal e poligâmica, na qual o homem pode ter infinitas mulheres à medida que sua riqueza aumenta, são as mulheres que fazem a vila funcionar, enquanto os homens são responsáveis pela caça e obtenção de mantimentos. Há um barracão nas vilas, onde as mulheres ficam responsáveis por fabricar roupas e barcos. Algumas características culturais dos esquimós são bastante interessantes:

– Geralmente casam muito cedo: É comum ver jovens de 14 ou 15 anos formando famílias.

– Compartilham as esposas com os visitantes: Faz parte de uma antiga tradição para afugentar os espíritos e as catástrofes da natureza.

– Caçam ursos polares com lanças: É uma tradição de mais de 2.000 anos na qual cerca de cinco homens cercam o animal e o vencem pelo cansaço.

– Vestem peles de animais: As mulheres curtem o couro na própria urina e costuram com o tendão do próprio animal. O pelo fica voltado para o interior, de modo que o contato com a pele alivia o frio.

– Beijo de esquimó é real: Eles realmente esfregam os narizes, mas somente com pessoas que possuem muita intimidade e nunca em público. Fazem isto pelo nariz ser uma das poucas partes do corpo que não é coberta por tecidos e porque a saliva congelaria em baixas temperaturas.

– Um povo sem nação: Os esquimós não fazem parte de nenhum país e são regidos pela própria lei da comunidade.

Subtítulo 2

Religião, velhice e morte

Os esquimós acreditam que o mundo é regido pelos animais e, embora acreditem em seres superiores, não costumam fazer orações ou oferendas aos deuses. Para eles, as crianças são parte bastante importante da sociedade, já que representam a reencarnação de seus ancestrais. Apesar de considerados como um povo pacífico, o povo esquimó possui tradições respeito de velhice e morte que são extremamente divergentes em relação à visão ocidental:

– A velhice é vista como invalidez, assim, era comum no século XVII e XVIII, que os velhos e incapacitados, quando não conseguissem mais acompanhar o ritmo de trabalho, fossem abandonados em locais-chave para serem devorados por ursos.

– Quando a pessoa idosa começava a ser um estorvo para a família, recebia uma manta dos filhos para sair rumo ao frio e se entregar à própria sorte.

– Há relatos de que em longas viagens, quando sentia que não conseguia mais acompanhar o passo da caravana, os idosos abandonavam o grupo e se entregavam à morte, tal gesto ficou conhecido como eutanásia altruísta.

– Costumes funerários: Quando a pessoa morre, corpo colocado no chão para que a alma encontre caminho para submundo, depois, seu corpo é dobrado pela metade e colocado de lado dentro de uma caixa, que é levantada há cerca de 3 ou 4 metros de altura por estacas e pintada com aves, peixes e outros animais.

– Quando a pessoa é acometida de alguma doença e acaba falecendo, não recebe o tratamento comumente realizado aos mortos. Seu corpo é desmembrado e as partes, são colocadas em locais diferentes.

– Após a morte da pessoa, os esquimós entram em sua casa e colocam todos os bens de valor da pessoa do lado de fora para serem desinfetados pelo vento.