Países subdesenvolvidos ou periféricos


Existe uma grande diferença econômica entre países como a França e o Haiti, por exemplo, e acabamos chamando o primeiro de desenvolvido ou central, ou de integrante do primeiro mundo. Ao mesmo tempo, ao segundo, damos o nome de subdesenvolvido, periférico ou ainda de integrante do terceiro mundo. Em um primeiro momento, parece que a denominação não faz diferença. Já que de qualquer modo entendemos que, no geral, a população francesa tem uma melhor vida do que a haitiana. No entanto, para aprofundarmos um pouco mais o nosso estudo sobre o assunto, é de extrema importância pensarmos sobre o significado de cada um destes títulos. O uso de um ou de outro não muda as condições de vida de cada população, mas cada um deles está ligado a uma explicação diferente sobre as origens da situação de cada país.

O que são países periféricos ou desenvolvidos

Além disso, nas discussões sobre as relações econômicas entre os países é em comum o equívoco de entender cada país como um indivíduo ou como um conjunto homogêneo de indivíduos. Esquece-se que cada povo é formado por um número muito grande de pessoas que possuem condições diferentes de vida e que participam de modo diverso das relações econômicas internas e externas ao seu país. Desta ideia equivocada surgem argumentos igualmente irreais como o de que os EUA exploram o Brasil, por exemplo. Na realidade, ao consideramos a relação econômica entre os dois países temos que ter em mente que muitos brasileiros têm uma vida melhor que outros tantos americanos e que, portanto, a coisa não é tão simples assim.

Países subdesenvolvidos ou periféricos

É claro que no geral, os países mais ricos vêm tendo grandes vantagens sobre os mais pobres há pelo menos alguns séculos, o que acaba sendo também a principal causa da diferença entre eles. No entanto, não podemos considerar que todos os norte-americanos, franceses e ingleses exploram ou exploraram todos os brasileiros, argelinos e indianos. Se pensarmos desta forma, estaremos correndo o risco de não considerar a situação de miséria dos países periféricos como uma consequência de sua política interna, colocando a culpa sempre nos países desenvolvidos. Na realidade, sempre há uma pequena parcela da população em cada país que tem grandes vantagens com a submissão de seu país a outros mais ricos.

Desenvolvimento e subdesenvolvimento

Quando classificamos os países em desenvolvidos ou subdesenvolvidos, não podemos esquecer que o fazemos tomando um tipo de sociedade como modelo: a capitalista ocidental. Antes da Expansão Marítima (processo fundamental para a disseminação deste modelo social pelo mundo) não faria sentido um tipo de classificação como esta. É evidente que diferenças sempre existiram entre as sociedades humanas, mas até o século XIV seria muito difícil quantificar tais diferenças para fazer uma lista em ordem decrescente a partir das mais para as menos avançadas.

Ao mesmo tempo, a classificação segundo o desenvolvimento tem um sentido de existir em nossa época, já que todos os povos do mundo vêm se adaptando a esse modelo. Só temos que ter consciência de que quando consideramos um país mais desenvolvido que outro, estamos na realidade tentando medir o quanto cada um deles conseguiu implementar a sociedade capitalista ocidental dentro de si.

Mas o problema não acaba aí. Mesmo com essa consciência de que estamos pensando na situação econômica dos países como se fosse uma corrida entre adversários que têm o mesmo objetivo, o mesmo ponto de chegada, não podemos considerar simplesmente que alguns povos tiveram mais capacidade para chegar lá. Ao fazer isso, estamos quebrando ao meio a história da humanidade nos últimos quinhentos anos, colocando de um lado os países desenvolvidos, e de outro, os subdesenvolvidos, como se não tivessem nada a ver uns com os outros.

Esta ideia que coloca os países lado a lado em uma competição, na qual o sucesso de uns não tem nenhuma relação com o insucesso de outros, na qual vence o melhor, fica ainda mais clara quando se fala em países em desenvolvimento ou emergentes. Trata-se de países como o Brasil, o México ou Taiwan, como se fossem os exemplos de povos que, com o esforço próprio, estão conseguindo sair da barbárie e do atraso de uma economia de base agrícola, encaminhando-se para uma sociedade industrial e civilizada. O que não se lembra neste caso é que a industrialização destes países está ligada de maneira direta à submissão de sua economia e aos interesses das multinacionais.

O sistema econômico mundial que passou a se constituir a partir da Expansão Marítima, produziu ao mesmo tempo, a riqueza de alguns países e a pobreza de outros, sendo que estas realidades, aparentemente tão diversas, compõem um único todo, no qual a riqueza se constitui a partir da pobreza e vice-versa. Sabendo disso, fica claro que não existe a possibilidade de todos os países do mundo chegarem ao desenvolvimento.