Togo: Subdivisões e organização histórica e geopolítica


A África é um continente que nem sempre está presente em nosso imaginário por conta do papel de continente-colônia a que foi relegada durante toda a história. Isso é uma prova incontestável do quanto a nossa historiografia é seletiva no sentido de escrever, como diz o pensador Walter Benjamin, a “história dos vencedores”, isto é, o que também pode ser compreendido como a “história dos opressores”. Isso se prova e se constata no fato de que muitos países da África são desconhecidos por nós. Ou, ainda que seu nome soe familiar, nada sabemos de sua história, de sua cultura, desconhecemos a língua que falam e ignoramos por completo qualquer imagem associada a si. Ainda que alguns leitores possam eventualmente conhecê-lo, não é de se surpreender que a maioria desconheça o Togo, país sobre o qual iremos falar nesse artigo.

Togo

Oficialmente conhecido como “República Togolesa”, o Togo é um país africano limitado ao norte por Burkina Faso, ao sul pelo Golfo da Guiné, a oeste por Gana e a leste por Benim. O Togo é um país de território bastante estreito e comprido, cuja geografia se assemelha a um formato retangular. A capital do Togo é a cidade de Lomé, que possui cerca de 837.437 habitantes e, além de ser a capital administrativa é também a cidade mais importante do país.

Em seu restrito território, o Togo reúne diversos povos e diferentes grupos étnicos, sendo que o grupo “Euê” é o mais numeroso a se encontrar nesse território, constituindo basicamente 45,4% da população. A economia togolesa se baseia sobretudo no desenvolvimento agrícola do país, sendo que os principais produtos são o algodão e a cana-de-açúcar. A língua oficial do Togo é o francês, falando por boa parte da população, mas que ainda sim dá lugar para todos os dialetos que são falados pela população, herança do passado étnico-tribal.

Subdivisões e organização histórica e geopolítica

O Togo é um país que se encontra dividido basicamente em 5 regiões administrativas, sendo elas as Savanes, o Kara, a Centrale, o Plateaux e a Maritime.

Desde o século XI até o século XVI, várias tribos entregaram na região do Togo vindas de diferentes direções. No período compreendido entre os séculos XVI e XVIII, a região costeira do Togo foi concebida como a maior fonte de escravos para os povos europeus, que lá costumavam aportar para capturar, aprisionar e traficar a população local rumo à América ou às outras ilhas onde a mão-de-obra escrava era necessária para o seu desenvolvimento econômico. Essa prática foi tão constante e difundida no Togo que a costa desse país ficou conhecida como “A costa dos escravos”.

No ano de 1884, a Alemanha declarou que o Togo era seu protetorado. Mas foi somente depois da Primeira Guerra Mundial que o Togo tornou-se definitivamente um território francês. O país só iria ganhar de vez sua independência da França quase cinquenta anos depois, no ano de 1960.

A independência veio depois da morte de Sylvanus Olympio, assassinado em um golpe militar ocorrido em 13 de janeiro de 1963 por um grupo de soldados liderados pelo sargento Etienne Eyadeéma Gnassingbé. Em seguida, o lider da oposição Nicolas Grunitzky foi apontado como o próximo presidente a assumir o cargo pelo “comitê da insurreição”, encabeçado por Emmanuel Bodjollé.

Quatro anos depois, Eyadéma Gnassingbé foi o responsável por derrubar Grunitzky do poder em um outro golpe pra lá de sangrento e assumir a presidência do país. É justamente depois desse golpe que Eyadéma Gnassingbé se tornaria, efetivamente, o presidente do Togo. Eyadéma seria, futuramente, o líder africano a ficar mais tempo no poder em toda a história moderna da África: foram 38 anos como presidente do Togo, até a sua morte, no ano de 2005. Depois disso, o seu filho, Faure Gnassingbé foi eleito presidente, causando uma controvérsia generalizada entre alguns líderes políticos. A bem da verdade, sua eleição provocou uma reação internacional imediata que condenou essa presença familiar, que mais parecia uma herança política, uma monarquia, do que uma eleição presidencial. Entretanto, alguns outros presidentes eleitos democraticamente na África, tais como Asbdoulaye Wade, presidente do Senegal, e Olusegun Obasanjo, presidente da Nigéria, apoiaram a eleição de X, criando uma espécie de desavença com o resto da União Africana.