Carta a El-Rei D. Manuel


A carta a El Rei D. Manuel é um dos documentos mais importantes da história do Brasil. Também conhecida como a carta de Pêro Vaz de Caminha, fala sobre quando os portugueses chegaram pela primeira no país, no dia primeiro de maio de 1500. A seguir, você vai aprender tudo sobre este importante relato, quais foram as primeiras impressões do autor ao descer em terras brasileiras e como ela foi “descoberta”.

Carta a El-Rei D. Manuel

Sobre o autor

Sem dúvidas você já ouviu falar de Pêro Vaz de Caminha. Ele nasceu na cidade do Porto, no ano de 1437 e não se sabe muito a respeito de sua vida e morte. Acredita-se que acabou sendo assassinado na Índia, logo após que sai do Brasil, pelo povo Mouro. Era considerado um honrado cavaleiro das casas nobres portuguesas de D. Manuel I, D. João II e D. Afonso V.

Pêro Vaz de Caminha atuava como o escrivão de Pedro Álvares de Cabral e por isso ficou imortalizado ao redigir à carta que descrevia o que toda a armada encontrava em tão novo território. Escrita em Porto Seguro, a carta foi enviada a Portugal por Gaspar de Lemos, que era comandante do navio que carregava mantimentos.

Apesar de ser um documento histórico de extrema importância para a história do nosso país, a carta El Rei D. Manuel ficou desconhecida durante muito anos, descoberta somente no ano de 1773 no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa por José de Seabra da Silva. A primeira publicação da carta aconteceu ainda mais tarde, quando o historiador Manuel Aires de Casal publicou a famosa “Coreografia Brasílica”, em 1817.

Atualmente, é muito fácil encontrar todo o conteúdo da carta, com detalhes e relatos inacreditáveis de um Brasil que já não existe mais. No ano de 2005, a carta foi inscrita no Programa Memória do Mundo, da UNESCO (União das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

O conteúdo da carta

Atualmente se sabe que na carta havia algumas informações equivocadas e exageradas. O que é bastante normal, já que se tratava de um relato a respeito das primeiras impressões vividas tanto pelo autor quanto pelos outros integrantes da equipe que primeiro chegaram ao Brasil.

Em seu conteúdo é fácil reconhecer um alto nível de estranhamento e até deslumbramento com tudo que estava presente na natureza do nosso país, o então chamado de “Mundo Novo”. Tudo começa com um pedido de desculpas do autor, que considera a própria carta como algo inferior ao que ela realmente deveria ser.

Pêro Vaz de Caminha começa seu relato com a primeira vez que avistou terra, o conhecido Monte Pascoal, ao qual recebeu o nome de Terra de Vera Cruz. Em seguida, o autor relata a chegada à praia e o primeiro contato com o povo nativo, os índios brasileiros, que nunca haviam tido contato algum com o homem branco. Há detalhes sobre as primeiras trocas e escambos realizado com o povo, que parecia ingênuo e totalmente sem maldade.

Ele descreve como se vestiam, a cor da pele das pessoas, dos cabelos e como se comportavam ao ver os portugueses com seus estranhos hábitos e roupas.

Na carta, Caminha ainda fala da exuberância e da grande quantidade de Pau Brasil que podia ser visto e narra com detalhes a primeira missa realizada em território brasileiro. Ele ainda descreve a imensidão da terra, a beleza dos mares e supõe que seria possível encontrar uma enorme quantidade de riquezas. É dele uma das frases mais comuns da história do Brasil, que fala sobre a fertilidade das nossas terras, onde se plantando tudo dá.

Caminha também fala de algo atualmente considerado muito controverso, indicando que o povo nativo precisaria ser salvo pela fé católica. E é com esta visão que os portugueses analisam o povo indígena, como sendo completamente sem crenças e sem compreensão da fé, já que os portugueses consideravam legítimas somente as crenças que eles próprios possuíam.

Historiadores defendem que mais do que uma simples narrativa da situação do Brasil no momento da chegada dos primeiros portugueses e brancos, o documento é uma forma de conhecer o pensamento da época, sempre através de sua fé católica e dos preceitos aprendidos por meio dela. Em nenhum momento Caminha enaltece a população indígena local, e aí nasce o conceito que durante muitos anos esteve presente em nossa cultura, o de um “selvagem bom” e pacífico.

A carta a El Rei D. Manuel, longa e cheia de detalhes foi algo escrito somente com o intuito de comunicar o que por ali acontecia. Caminha troca tempos verbais e une diferentes formas de narrativa e muitas vezes conversa diretamente com D. Manuel, que receberia a carta.

Ao final da carta, Pêro Vaz de Caminha chega até a pedir um favor ao rei, solicitando que ele liberte seu genro Jorge D’Ozório, casado com sua filha Isabel e que estava preso naquele momento por agressão e assalto.