Comando de Libertação Nacional


O Comando de Libertação nacional foi uma entidade guerrilheira que agiu no Brasil no decorrer da ditadura militar.

No começo da década de 1960, a pressão da polaridade socialismo/capitalismo gerada pela Guerra Fria se instalou no país ocasionando sérios efeitos para a rotina do Brasil. Depois da abdicação do presidente escolhido Jânio Quadros, seu vice, João Goulart, conquistou o poder para concluir o mandato em vigor. O novo presidente, no entanto, era a favor de grandes mudanças de base no Brasil, evidenciando o problema da reforma agrária.

No cenário da política internacional, Jango, como era comumente conhecido, planejava criar uma política neutra, elencando-se ao mesmo tempo com dirigentes de nações capitalistas e com dirigentes de nações socialistas. Os conservadores da nação logo se juntaram em oposição ao presidente, seus projetos de reforma e sua forma de convivência política. Jango foi culpado de filiar-se com o socialismo e o partido de objeção avançou até os militares, por meio de um motim, conquistaram o poder, em 1964. Começa assim uma época de proibição, o governo militar.

Comando de Libertação

O autoritarismo do jovem governo foi percebido já nos primeiros instantes. Pessoas associadas aos valores de esquerda foram rastreadas, presas e, diversas vezes, mortas. Porém, isso não atrapalhou a organização de grupos que eram a favor do término do regime militar ou que planejavam introduzir um controle socialista no Brasil. Um desses grupos de oposição foi o Comando de Libertação Nacional, também chamado somente pela abreviatura COLINA. Era, na verdade, uma entidade guerrilheira de extrema-esquerda com o nítido propósito de implantar um governo socialista na nação.

O Comando de Libertação Nacional foi estabelecido em 1967, no estado de Minas gerais, em um período em que a punição tornava-se cada vez mais severa. Seu principio foi a conseqüência da união da Organização Revolucionária Marxista Operária (Polop), que originou também diversas outras entidades de esquerda, com militares que encontravam-se em objeção ao sistema.

O COLINA acompanhava os pensamentos da Organização Latino-Americana da Solidariedade (OLAS), que era uma organização internacional com o propósito de expandir certos pensamentos do rebelde Che Guevara, e admitia como ações táticas de conflitos para atingir seus propósitos. Seus atos iniciaram em 1968 e o grupo ficou popularizado por tentar fazer direito ao falecimento de Che Guevara, do qual o assassino teria sido um militar boliviano chamado Gary Prado.

No começo do mês de julho daquele mesmo ano, certos revolucionários integrantes do COLINA aniquilaram uma pessoa na cidade do Rio de Janeiro que achavam ser o responsável pela morte de Che Guevara. Severino Viana Colon, João Lucas Alves, Amílcar Baiardi e José Roberto Monteiro, contudo, se confundiram e mataram Edward von Westernhagen, major do tropa alemã. Apesar do grupo não ter admitido a culpa pelo delito, João Lucas foi detido em novembro e martirizado até a morte. Depois de pouco tempo, Severino Viana Colo foi outro a morrer.

O Comando de Libertação Nacional permaneceu em funcionamento e esteve incluído, em 1969, em outro episódio de influencia. Em janeiro do mesmo ano, alguns militantes participaram de um fuzilaria com a polícia civil do estado de Minas gerais, ocasionando a morte de dois policiais. A procura pelos componentes do grupo cresceu e seus dirigentes foram presos. Conforme novos registros divulgados pela Comissão da Verdade, um dos líderes do COLINA, chamado Murilo Pezzuti, atuou como cobaia nas lições de sofrimento da Vila Militar, no Rio de Janeiro.

Apesar dos dirigentes do COLINA terem sido presos em 1969, o grupo não parou de existir. Na realidade, os restantes se juntaram a ex-integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e formaram a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR – Palmares), uma das entidades de extrema-esquerda que fez parte do regime militar de grande influencia, e que teve como integrante o ex-marido da então presidente Dilma Rousseff.

VAR – Palmares

A Vanguarda Armada Revolucionária Palmares foi uma entidade política armada do Brasil de extrema-esquerda, que lutou contra a ditadura militar brasileira, que foi de 1964 a 1985, usando-se de métodos de conflito urbano, tendo em vista a introdução de uma administração comunista do Brasil.

Despontou em julho de 1969, como conseqüência da união do Comando de Libertação Nacional com a Vanguarda Popular Revolucionária de Carlos Lamarca. Sua denominação era uma adoração ao maior quilombo na história da escravidão brasileira.

Sua primeira administração era formada por Cláudio Ribeiro, Carlos Lamarca, Maria do Carmo Brito, Juares Guimarães de Brito, Antonio Roberto Espinosa, Carlos Franklin Paixão de Araújo e Carlos Alberto Soares de Freitas.

O integrante Carlos Franklin Paixão de Araújo é ex-marido da então presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

A VAR – Palmares teria planejado o roubo ao cofre de Adhemar que continha cerca de 2,5 milhões de doares, em nota, que aconteceu no dia 18 de julho de 1969. Esse cofre estava localizado na casa de Anna Gimel Benchimol Capriglione, popularmente conhecida no âmbito político pelo codinome de Dr. Rui, amante e secretária do ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros.

A informação teria sido oferecida pelo sobrinho, Guilherme Schiller Benchimol, que teria adotado a entidade na faculdade. Suspeita-se que o dinheiro aprisionado no cofre seria fruto da aliciação do ex-governador, famoso pelo slogan “rouba, mas faz”.