Governo de Campos Sales


O governo de Campos Sales, sobre o qual você saberá tudo mais adiante, fez parte da chamada “Política do Café com Leite”, um período muito marcante da história política brasileira. Por isso, é importante retomar o seu conceito e como ela funcionava para compreender de fato a administração do governante em questão.

Relembrando a Política do Café com Leite

Esse termo é utilizado para se referir ao período de 1889 até 1930, ou seja, do término da República da Espada (quando o Brasil foi governado por marechais) até a chegada de Getúlio Vargas à presidência.

Campos Sales

Também chamada de República Velha, foi uma estrutura de poder em que presidentes de São Paulo (grande produtor de café) se revezavam no cargo com os de Minas Gerais (estado destaque na produção de leite). Dessa forma, era mantido o monopólio político entre esses dois estados, sem dar abertura para representantes do restante do país.

Ela começou com o presidente Prudente de Moraes e durante todo o tempo em que vigorou, apenas três presidentes eleitos não eram de Minas e nem de São Paulo.

Durante a República Velha, obviamente, os grandes cafeicultores voltaram a ter grande influência, que havia sido perdida na República da Espada por aqueles que não haviam apoiado diretamente o Golpe Militar.

Governo de Campos Sales

Depois de saber como funcionava aquele momento político, já podemos falar especificamente sobre um dos seus presidentes. Manuel Ferraz de Campos Sales governou o Brasil do ano de 1898 até 1902 e entrou no lugar de Prudente de Moraes, ou seja, foi o segundo da lista. Ele assumiu o seu cargo exatamente no dia 15 de novembro de 1898.

O primeiro grande desafio com o qual ele se deparou foi uma séria crise financeira que assolava o país e que recebeu de “herança” do presidente anterior. Um dos grandes elementos responsáveis pela inflação foi a situação da produção cafeeira: o café havia sido produzido em excesso e isso fez com que os preços baixassem cada vez mais para a sua exportação. Com isso, a moeda brasileira estava cada vez mais desvalorizada.

Desse modo, o primeiro foco daquele governo foi enfrentar e reverter a crise. Para isso, um dos primeiros passos dados por Campos Sales foi a renegociação da dívida externa que o Brasil havia contraído com a Inglaterra. Ele conseguiu fazer um acordo com os banqueiros britânicos, que ficou conhecido até hoje como “Funding Loan”, que tinha as seguintes características:

• O Brasil emprestava 10 milhões de libras da Inglaterra;

• Os ingleses aceitaram a moratória, o que significava que eles suspenderam o pagamento dos juros e da dívida externa por um período de tempo;

• Se o acordo não fosse cumprido, os ingleses teriam total direito sobre a renda das alfândegas do Rio de Janeiro e dos outros estados e, se houvesse necessidade, também às receitas da Estrada de Ferro Central e do abastecimento de água do Rio de Janeiro;

• Outra exigência foi que o governo brasileiro tomasse medidas efetivas para combater a inflação e para buscar a valorização da moeda nacional.

Joaquim Murtinho era o Ministro da Fazenda da época e, como o acordo foi assinado, ele teve a responsabilidade de fazer com que se cumprisse. Agiu no sentido de reduzir significativamente as despesas do governo, além de diminuir salários, aumentar o valor de impostos já existentes e criar outros. Tudo isso com o objetivo de conquistar a estabilidade financeira.

Outra característica perceptível no governo de Campos Sales foi a estagnação do processo de industrialização do Brasil. O motivo? O presidente assumiu a postura de tornar o país referência na agro exportação. Ou seja, ele queria que fôssemos grandes exportadores de produtos como o próprio café, algodão, borracha, cacau, minério e outros. Essa ideia “soava como música” para os ouvidos de grandes potências, que tinham interesse em comprar tais produtos por preços bem acessíveis e ainda vendê-los depois que fossem processados por suas indústrias.

Essa desvalorização das indústrias brasileiras geraram um problema social ainda maior: muitos operários das fábricas perderam seus empregos e, considerando que a situação econômica não ia muito bem, as massas definitivamente não estavam satisfeitas com o então presidente.

A falta de apoio popular não parecia ser um grande problema para Sales, afinal, outro aspecto que se sobressaiu em seu governo foi o desejo de apoiar a elite cafeicultora brasileira. Uma das formas de fazer isso foi o estabelecimento da Política dos Governadores, que nada mais era do que a troca de favores políticos entre ele e os governadores dos estados.

Com isso, os conflitos entre as oligarquias acabou e a estabilidade política finalmente se tornou realidade. Em 1902, Campos Sales deixava o cargo como Presidente da República e o seu candidato, Rodrigues Alves, conseguiu se eleger. Apesar de tudo, ele saiu preservando uma boa imagem, por causa da relação que manteve com os cafeicultores.