Índios e europeus em contato no Brasil


O primeiro relacionamento dos índios com os portugueses foi julgado pacífico. O irmão de Martim Afonso, Pero Lopes descreveu que os índios apresentam-se amigáveis e estavam bastante encantados pelos utensílios disponibilizados pelos portugueses. Nos câmbios de presentes, demonstravam a sua estrondosa alegria com sorrisos e abraços, que os portugueses adquiriam com muita cautela. Mesma a partir da criação dos primeiros povoados, ainda ocorreu verdadeiro entendimento.

Contudo, as adversidades não demoraram a surgir. Os Potiguaras, seguidores dos franceses, acometeram as cidades de Pernambuco e Itamaracá. Os Aimorés repreenderam severamente as instalações portuguesas em Bahia e Ilhéus. No estado do Espírito Santo, os colonos sofreram investidas dos Goitacás.

O convívio entre portugueses e índios pode ser ilustrado por meio de três cidades: Bahia, São Vicente e Pernambuco. Em cada um desses estados o convívio aconteceu de maneiras distintas.

Índios e europeus em contato no Brasil

Na Bahia, com o estabelecimento do governo-geral, foi instituída uma política apoiada na luta proferida aos Tupinambás e, juntamente, em um resistente pacto com os Tupiniquins. Com esse pensamento de distinguir indígenas inimigos de indígenas aliados, a Bahia favoreceu-se da formação de uma verdadeira faixa de proteção reproduzida por grupos aliados.

Em São Vicente, de acordo com o Padre Anchieta, nunca aconteceu uma disputa entre índios e brancos, com exceção de 1562. Outro observador do período, Pero de Magalhães Gandavo, chamou o cuidado para a difusão junção das raças. Os portugueses absorveram boa parcela da cultura indígena e passaram a usar sua língua, quase o único método de comunicação entre eles até meados do século XVIII. Os jesuítas, por exemplo, se empenharam a elaborar uma gramática tupi. A ligação entre nativos e portugueses no território fez aparecer uma civilização constituída principalmente por mamelucos, miscigenação de brancos e índios, e indígenas.

Em Pernambuco, os nativos foram vencidos por militares portugueses. Em oposição ao que aconteceu na Bahia, os colonos não criaram laços e, dessa forma, ficaram mais desprotegidos as agressões indígenas.

Conquista portuguesa sobre indígenas

O comando da Bahia pelos portugueses teve uma função pensada na guerra contra os nativos. Quando Tomé de Souza se alojou na região, em 1549, os Tupinambás já eram rivais proferidos dos portugueses. Contudo, os Tupiniquins continuavam em paz com os conquistadores.

O plano de Tomé de Sousa foi subjugar os indígenas amigos ao seu comendo e exterminar os inimigos. Porém, subjugar os indígenas amigos e forçá-los a labutar para os colonos era um infortúnio. Os portugueses necessitavam dos indígenas para duas atividades: como mão-de-obra na fabricação de alimentos e como militares na guerra contra povos inimigos.

Para solucionar esse infortúnio, o Estado português definiu que as atividades violentas focariam rigidamente delimitadas aos indígenas inimigos, o únicos que poderiam ser escravizados. Isso respondia as reivindicações dos habitantes pela mão-de-obra. Conjuntamente, conservando o pacto com os indígenas amigos, eles asseguravam a proteção da terra e também a posterior ampliação do povoamento.

A vitória determinante na guerra contra os indígenas na Bahia aconteceu com Mem de Sá depois de vencer os Tapuias de Paraguaçu. Esse acontecimento teve um relevante choque psicológico, uma vez que, até o momento, achava-se ser impossível acabar com os grupos guerreiros do sertão. Dessa forma, com Mem de Sá, a Bahia passou a ser de fato o centro do poder, auxiliando a estabelecer o comando de todo o litoral.

No Rio de Janeiro, em 1560, Mem de Sá encarou, com triunfo, 120 franceses e aproximadamente 1.000 índios Tamoios, no decorrer de três dias, distanciando as ameaças que estavam em cima de São Vicente. Comandado por Mem de Sá, seu sobrinho, Estácio de Sá, começou o povoamento do estado do Rio de Janeiro, estabelecendo o domínio territorial em traço continuo, de São Vicente a Pernambuco.

No comando de Luís de Brito de Almeida, a preocupação dos portugueses se voltou para os Potiguaras do rio Paraíba. Porém, os ataques na Paraíba só começaram no comando de Manuel teles Barreto. Dispondo-se da antipatia entre os Potiguaras e os Tabajaras, os portugueses foram capazes de firmar seu controle em 1586.

Já nessa época, as soberanias coloniais haviam determinado que fosse preciso aumentar a obtenção até o Rio Grande do Norte, com intenção de estabelecer o domínio do território. Após muitos conflitos com os nativos, no decorrer dos próximos anos, foi fundado, em 1598, o forte dos Reis Magos, centro do futuro território de Natal.

O controle desse forte foi oferecido a Jerônimo de Albuquerque, que era oriundo de Tabajara pela parte materna. Após isso, foi determinada a paz decisiva com os Potiguaras em 1599. Nesse período, os portugueses monitoravam uma parte litorânea espessa, que ia de São Vicente até o Rio Grande do Norte, com os nativos colocados totalmente na defensiva.

Com a vinda dos portugueses, os costumes e tradições nativas foram sistematicamente devastados. Fora isso, os europeus conduziam enfermidades epidêmicas como a sífilis e a gripe que eram desconsideradas pelos índios. Milhares faleceram por conta da falta de imunidade contra essas doenças.