Jesuítas x Bandeirantes


Durante todo o tempo em que levou a acomodação dos portugueses no Brasil, eles precisaram enfrentar muitas dificuldades que tornavam ainda mais complicada a criação de locais que fossem produtivos economicamente. Para que tal processo fosse bem sucedido, os índios foram os principais responsáveis em ajudar Portugal a reconhecer as terras ainda não desbravadas, nem mesmo pela Igreja Católica, que teve participação direta na formação do que se chamou de centros de colonização.

No meio disso tudo, havia uma rixa entre jesuítas e bandeirantes pelo fato de que para os jesuítas, os bandeirantes eram uma espécie de empecilho à escravatura colonial do povo português. A Companhia de Jesus (nomenclatura dada aos jesuítas) sempre foi contra os maus tratos e os abusos que os índios sofriam e, sempre que era possível, iam contra as ideias dos governantes coloniais. Muito embora eles acompanhassem os bandeirantes a fim de evangelizar os indígenas, estavam sempre de olho com as torturas e violências.

Jesuítas

Os jesuítas e os bandeirantes: definições e personagens

Podemos definir como bandeirantes o povo sertanista que vivia da era colonial. Em meados do século XVI, no início, para ser mais exato, eles entraram nos sertões sul-americanos com a finalidade de encontrar riquezas minerais abundantes do lado americano da Espanha, como a prata e o ouro, além dos índios que, sobretudo, seriam escravizados ou serviriam para exterminar os quilombos (locais em que viviam os negros).

No entanto, para que fosse possível essa comparação entre jesuítas X bandeirantes, alguns importantes e célebres bandeirantes tiveram a sua participação na história. Dentre eles podemos citar:

• Domingos Jorge Velho;
• Fernão Carrilho;
• Afonso Sardinha;
• João de Siqueira Afonso;
• Fernandes Tourinho;
• João de Faria Fialho;
• Tomé Portes Del-Rei;
• João Gonçalves da Costa;
• Francisco Dias Velho;
• Bartolomeu Bueno da Silva;
• Gabriel de Lara;
• Salvador Fernandes Furtado;
• Ângelo Francisco;
• Baltasar Fernandes;
• Pascoal Moreira Cabral;
• Belchior Dias Moréia;
• Pedro Vaz de Barros;
• Simão Álvares.

Já os jesuítas, que chegaram ao Brasil juntamente com Tomé de Souza em 1549, eram formados exclusivamente pelos padres pertencentes à Igreja Católica e que se constituíam membros da Companhia de Jesus, fundada em meados do século XVI, no período seguinte a Reforma Protestante. Sendo originada no ano de 1534 pelo religioso Inácio de Loiola, esta ordem religiosa teve como principal motivo de sua criação contribuir para a não escravatura dos índios e como forma de impedir que o protestantismo se alastrasse. Portanto, em função de tantos acontecimentos, é pertinente afirmarmos que a Companhia de Jesus foi instituída na conjuntura da Contra Reforma da Igreja Católica.

Da mesma forma que os bandeirantes, os jesuítas também tiveram personagens marcantes durante a sua história e, foi por meio deles, que a relação jesuíta x bandeirantes marcou este período especifico na historia brasileira. Confira os principais nomes:

• Padre Antônio Vieira;
• Padre Manoel da Nóbrega;
• Padre José de Anchieta.

Como se deu essa rivalidade

Como vimos anteriormente, os pertencentes à igreja tiveram participação importante a partir da criação da Companhia de Jesus, cuja ordem religiosa foi indicada como meio de garantir que o cristianismo católico nas Américas fosse de fato instaurado. Percebe-se que durante esse período, a relação entre Estado e Igreja Católica era considerada muito ativa e em função disto, muita religiosos foram considerados essenciais para tal tarefa. Inclusive alguns deles tiveram a oportunidade de desbravar outras regiões que ainda não tinham o domínio metropolitano e que, nem o próprio povo de Portugal conseguiria realizar sem a ajuda deles.

Durante toda essa trajetória o povo jesuíta, através da sua missão evangelizadora, encampou grande parte dos indígenas que, através da prestação de trabalho de manutenção, tinham em troca educação religiosa. Ao longo dos anos, certas regiões católicas vieram a fazer parte da economia interna, desde que houvesse ajuda no desenvolvimento agropecuário ou outras funções relacionadas ao extrativismo. Assim, passaram a exercer uma dupla funcionalidade: econômica e religiosa.

Em contraponto a boa situação vivida dentro da colônia, fora dela, os donos das terras litorâneas tinhas dificuldade em aumentar os seus lucros pela falta de mão de obra, já que o valor para adquiri-los era elevado e nem sempre eles acatavam a demanda local. Então, é aí que entram os bandeirantes. Com a missão de vender o povo indígena, supririam a falta de escravos e ainda lucrariam, e muito, com o negócio. No entanto, nem tudo saiu como o planejado. Em função do risco de vida eminente e de alguns resistirem ao serviço, os bandeirantes se viram obrigados a atacar os jesuítas com a finalidade de angariar mão de obra de qualidade, já que os índios eram acostumados a uma rotina árdua diária.

Dessa forma, a rivalidade entre jesuítas x bandeirantes assinalou uma das mais implacáveis disputas que perdurou do século XVII ao XVIII. De vez em quando, um dos lados apelava para a Coroa Portuguesa na tentativa de resolver essa já cansativa e rotineira discussão. Se de um lado tinha os colonizadores, que faziam crítica à falta de apoio do comando colonial, pelo outro estavam os jesuítas, os quais recorriam à autoridade da Igreja, em união com o Estado, a fim de apontarem os mais desprezíveis abusos dos bandeirantes.