Os Bandeirantes


Bandeirantes” é o nome coloquial dado aos sertanistas que viviam na época do Brasil Colônia. Esses sertanistas – como já diz o próprio nome – penetravam os sertões em busca dos minérios mais abundantes da América Espanhola do século XVI: o ouro e a prata. O principal objetivo dos bandeirantes era o acúmulo e futura venda dessas riquezas minerais. Além da “limpa” realizada nas reservas minerais da América, os bandeirantes foram também culpados por extermínio de quilombos e escravidão de indígenas.

Em 1570, a colônia portuguesa se fixava em mirar as riquezas litorâneas da Nova Terra. A extração de pau-brasil e o plantio da cana-de-açúcar eram as principais atividades realizadas para acúmulo de ganhos, apesar de saberem que, no interior das densas matas brasileiras, riquezas poderiam ser encontradas, porém, não com facilidade. Devido à densidade da mata, o vasto território a ser explorado e a dificuldade de explorar a região, os portugueses se mantiveram focados no litoral. Mesmo os inúmeros rios encontrados eram dificultosos e quase impossíveis para a navegação. Dessa forma, uma expedição fora realizada por diversos homens que trabalhavam para a corte e decidiram explorar as matas. Em 1585, Fernão Cardim, em companhia ao Padre Jesuíta Cristóvão de Gouveia de São Vicente e São Paulo relataram e estudaram as diversas formas para início da exploração atrás de minérios.

Bandeirantes

O sucesso veio no território onde hoje é São Paulo, apesar de algumas expedições por Minas Gerais terem sido realizadas. Os Bandeiras mais destemidos pouco se importavam com a documentação das viagens, tendo sido muitas vezes mal registradas ou sequer registradas as rotas utilizadas pelos homens. Certas vezes, alguns Bandeiras sem qualquer conhecimento de astronomia ou geografia se aventuravam floresta adentro e mudavam seu percurso em meio às expedições, sendo todo o percurso realizado apenas por intuição, e tudo com um único objetivo: encontrar o limite que separava o Brasil – o Rio Paraná, no caso.

Antes da população da bacia do Rio da Prata, os Bandeiras já se aventuraram pelos sertões em busca de riquezas e venda de indígenas para subsistência (em 1632, houve uma grande captura de índios guaranis). Após anos de embates entre Bandeirantes e indígenas, algumas vitórias dos nativos o recompensavam com armamentos e a soltura de membros da tribo.

Características dos Bandeirantes

– Maioria nascida em São Paulo;
– Viviam em péssimas condições;
– Basicamente levavam consigo armamentos, couraça de couro cru, acolchoado de algodão (conhecidas como “escupil”, eram utilizadas como coletes em combates com as flechas dos índios), arcabuzes, mosquetes e, raramente, machados;
– Os chefes utilizavam botas e chapéus como características, já os demais andavam descalços;
– Os alimentos eram abundantes nas matas brasileiras, porém caso as principais fontes de alimentos ficassem escassas (peixe, carne, frutas e mel), carne de répteis eram consumidas sem qualquer objeção;
– Caso faltasse água, alguns mascavam raízes ou folhas ou, em casos extremos, bebiam o sangue de animais;
– Seguiam seus caminhos através dos rios ou abrindo caminhos nas selvas;
– Alguns aprenderam o uso do arco e flecha que era mais eficiente que o mosquete numa batalha dentro da mata densa.

Consequências dos Bandeirantes

Em sua maioria, oriundos de São Paulo, os Bandeirantes foram os responsáveis pela extensão da fronteira do Brasil para além do combinado no Tratado de Tordesilhas, além disso, foram os principais pioneiros na conquista do território do interior do que é hoje o Estado de São Paulo.

Porém, nem tudo foram flores – bem pouco, diga-se de passagem. Em contrapartida à fama de conquistadores territoriais, os Bandeirantes ganharam outras alcunhas, como genocidas. Dizimar, sucumbir à escravidão, deslocamentos e quebra da identidade cultural. Todos esses atos eram provocados pelos Bandeiras aos povos indígenas que estivessem pelo caminho de suas expedições.

O lado negro dos Bandeiras não diminuiu suas conquistas, sendo creditados a eles, por diversos historiadores, a importância destes para a restauração econômica da colônia, a exploração e venda de metais preciosos e a descoberta destes minérios em diversos pontos do Novo Mundo.

Domingos Jorge Velho e Borba Gato

Dois dos mais conhecidos Bandeiras que exploraram as vastas terras da colônia. Neste artigo, traremos um pouco sobre ambos como forma de caracterizar a vida e realizações dos Bandeiras quando especificados.

– Domingos Jorge Velho

Bandeirante português nascido na colônia do Brasil. Era muito ligado à destruição dos Quilombos dos Palmares, expedição comandada por ele. Em 1687, acertou-se o contrato para a destruição do Quilombo que abrigava o maior número de refugiados negros da escravidão (calcula-se cerca de 15 mil ex-escravos). Porém, só oito anos depois, em 1695, o quilombo foi decretado como totalmente destruído, ano em que culminou no assassinato de Zumbi dos Palmares por Domingos Jorge Velho.

– Borba Gato

Manuel de Borba Gato, ou simplesmente Borba Gato, foi um Bandeirante nascido em São Paulo. Vislumbrado e sedento pelo lucro, viu na mineração a forma de chegar à sua tão sonhada riqueza e consequente poderio financeiro. Era muito conhecido pela sua força de vontade em desbravar as florestas densas em busca de minas de ouro. Após a morte de seu sogro, Fernão Dias, Borba Gato assassinou o administrador de minas da corte portuguesa, sendo condenado pelo crime e se refugiando das represálias da coroa. Pedindo perdão, o Rei o concedeu em troca da localização das minas que deram origem a cidade de Sabará.