Os tropeiros: Início e história


Diversas regiões do Brasil têm em sua história o relato da presença de tropeiros que atravessando campos, subindo e descendo serras transportavam gado e mercadoria de um local a outro.

Sul, Sudeste e Centro-Oeste são as regiões onde mais se constata a presença desses cavaleiros que montados em mulas ou cavalos percorriam longos caminhos, uma média de 40 km por dia, nos mais diferentes tipos de solo e relevo.

Os tropeiros

O Início de tudo

Há indícios de que a atividade dos tropeiros teve início no Século XVII, e durou, até o início do Século XX.

De acordo com alguns historiadores, pode ser considerada como marco inicial do tropeirismo a instalação da Oficina Real dos Quintos na Vila de Taubaté em 1695. A partir daí todo ouro que fosse encontrado no estado de Minas Gerais deveria ser transportado até esta Vila, e de lá ia ao Porto de Parati, para então ser encaminhado ao Rio de Janeiro, sede do Reino.

Além de carregar mercadorias, pode-se dizer que muitas tropas foram responsáveis pela origem de certas cidades no interior do Brasil. O surgimento de alguns povoamentos devido a essa atividade data do Século XVIII.

Basicamente o que aconteceu foi que comércios e pequenas mercearias começaram a se estabelecer nas rotas feitas por esses cavaleiros, com o intuito de atender algumas necessidades básicas.

Sendo assim, pode-se dizer que os tropeiros tiveram grande participação na formação e desenvolvimento, principalmente econômico, das regiões mais distantes do Brasil.

Vestimentas e costumes

Aqueles que tinham intenção de seguir na carreira de tropeiro deveriam começar ainda muito cedo, aos 10 anos, acompanhando o pai. Desta forma, seria mais fácil aprender técnicas de compra e venda de gado (negociação), e também a melhor maneira de conduzir a tropa.

As roupas utilizadas por esses cavaleiros revelam as dificuldades e percalços enfrentados pelo caminho.

Basicamente o traje de um tropeiro era composto por um grande chapéu de feltro marrom ou cinza, a camisa acompanhava a cor do chapéu e era feita de um tecido muito resistente. Ainda fazia parte do traje uma capa, ou manta, que ficava sobre os ombros e tinha a finalidade de proteger do frio. Por fim, os cavaleiros usavam botas de couro que iam até a altura da coxa, calçados como esses eram utilizados por oferecer mais proteção em terrenos alagados e matas em dias chuvosos.

Outra importante característica dos tropeiros era sua alimentação, que posteriormente, influenciou o cardápio de diversos estados e regiões do Brasil.

A dieta era composta de feijão, farinha, toucinho ou carne de sol, além de café e fubá. Pratos como o feijão e o arroz tropeiro tornaram-se típicos no sul do país. O consumo de bebida alcoólica (cachaça) só era permitido em ocasiões especiais, ou ainda em dias frios para se aquecer e também chegou a ser utilizada como remédio para picadas de insetos.

Outro importante instrumento para os tropeiros era uma cesta ou sacola que carregavam em seus cavalos e mulas, ali guardavam a capa e os instrumentos usados diariamente.

Desenvolvimento econômico

Muito antes do surgimento de estradas e ferrovias, eram os tropeiros os responsáveis por abastecer boa parte do interior do Brasil. A atividade que começou com o transporte do ouro de Minas até a Vila de Taubaté, passou depois pela compra e venda de gado, até atingir “status” de comércio.

Pode-se dizer que os tropeiros venderam de tudo: gado, escravos, alimentos e mais tarde, até mesmo matéria prima. Consideram-se os tropeiros como grandes responsáveis pelo desenvolvimento econômico de muitas regiões do país, afinal, foi devido às necessidades deles que diversas outras profissões surgiram como é o caso dos donos de pequenos alojamentos que ofereciam pouso a esses cavaleiros.

Cabia a eles ainda a tarefa de transmitir notícias e acontecimentos de uma região a outra, afinal, as estradas ainda não existiam e os meios de comunicação eram precários.

Algumas rotas feitas pelos tropeiros

Em um período de grande circulação de tropas por todo país rotas específicas foram estabelecidas para facilitar a vida dos cavaleiros. Por exemplo, São Paulo era uma das passagens utilizadas para tropas que viam de Sorocaba com destino ao Rio de Janeiro, o Nordeste e também Minas.

Com o passar do tempo os tropeiros criaram novas rotas, e assim, diminuíram o tempo de cavalgada. O comércio realizado via “Caminho Paulista” até Minas levava dois meses, entretanto o mesmo trecho realizado pelo “Caminho Velho do Rio de Janeiro” levava 43 dias. Mais tarde, após a abertura do chamado “Caminho Novo” (Rio de Janeiro direto a Minas) algo entre 10 e 17 dias eram suficientes para cumprir o trabalho.

Apesar de muitos anos terem se passado, ainda há notícias de tropeiros atuando em algumas regiões do Brasil, como é o caso dos que transportam queijos e doces de Itamonte (região de Minas Gerais) para Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro.