Resumo da Era Vargas: O Golpe do Estado Novo


A Constituição de 1934, apesar de ter sido desrespeitada com as medidas adotadas, ainda previa a realização de eleições para a sucessão presidencial de 1937. Mesmo com o clima de repressão, iniciou-se uma disputa eleitoral, onde surgiram duas candidaturas: de José Américo de Almeida, paraibano, e de Armando de Salles Oliveira, paulista.

José Américo de Almeida parecia ser o candidato oficial à sucessão do governo. Já Armando de Salles Oliveira representava uma forte oposição liberal para o centralismo varguista, tendo a sua candidatura lançada pelos setores originários do antigo Partido Democrático. Essas eleições também contaram com a participação de um terceiro candidato da Ação Integralista, Plínio Salgado, que recebia uma forte rejeição de todo o eleitorado.

O Golpe do Estado Novo

Getúlio Vargas por sua vez, apenas aparentava estar colaborando com as eleições presidenciais, mas no fundo, não descartava a possibilidade de se manter por mais tempo no poder e para isso, contava com o apoio de alguns setores da sociedade que se interessavam por mais estabilidade do que a constituição pudesse garantir. Nesse contexto, os interesses do exército estavam totalmente ligados aos interesses de Vargas, vale salientar, que o exército neste período era comandado pelo general Góis Monteiro.

A alta cúpula militar, que era contra o comunismo, nacionalista e que estava preocupada com a segurança nacional, se viu então atraída por uma solução autoritária para a crise da política do Brasil. A ideia de uma ditadura fundada na influência e na atuação do exército poderia garantir a manutenção de vigorosas políticas de combate às esquerdas.

Além disso, na visão dos militares da época, um forte governo poderia ajudar na implantação de uma indústria pesada, que colaboraria para garantir a segurança dos brasileiros, já que o período era marcado por uma alta tensão internacional. Mas, para que isso fosse possível, era necessário a utilização de um capital nacional, que por ser pouco, deveria ser mobilizado através da mobilização do estado. Criava-se assim, um novo modelo de desenvolvimento da indústria, unido às Forças Armadas.

Os governadores foram os grandes responsáveis pela finalização do golpe que manteve Getúlio Vargas como presidente. Negrão de Lima, por exemplo, conquistou o apoio dos governadores ao percorrer os estados, dando a entender que se o golpe se concretizasse eles se manteriam no poder. Golpe este, que seria dado em nome do combate ao comunismo, que teria por função garantir o apoio dos integralistas e da classe média.

Em setembro de 1937, o governo divulgou o Plano Cohen, um plano comunista redigido por um oficial do exército integralista para assumir o poder no Brasil. Podemos dizer, que o plano, foi o pretexto utilizado para o golpe. Em novembro, Getúlio ordenou que o congresso fechasse, além da suspensão da constituição, da campanha para presidência e a extinção dos partidos políticos. Assim, instalou-se a ditadura do Estado Novo.

O Estado Novo

A Constituição de 1934 foi abandonada e outra a substituiu, que pretendia que o novo governo tivesse uma aparência de legalidade. Inspirada nas constituições fascistas da Polônia e da Itália, suas principais características eram: centralização política, com o fortalecimento do poder do presidente; extinção do legislativo, o executivo passaria suas funções; subordinação do poder judiciário ao executivo, indicação dos governadores, os conhecidos interventores, dos estados pelo presidente; e legislação trabalhista.

Entretanto, o estado novo não deve ser considerado um regime fascista, já que não havia um partido na qual Vargas fosse componente, característica fundamental do fascismo para que os interesses do povo e do estado fossem identificados. Além disso, apesar da Era Vargas ter sido violento, em nada se assemelha ao excesso que o fascismo europeu exerceu.

Apesar do Golpe e graças ao apelo anticomunista do Plano Cohen, a oposição a ele foi mínima, praticamente inexistente. Pelo golpe do Estado Novo, Getúlio Vargas implantou uma ditadura sem disfarces.

Em 1937, os interventores que foram nomeados nos estados eram quase todos governadores, teriam, pelos menos enquanto durasse a ditadura, seu poder eternizado. Quanto ao crescente operariado urbano, a oposição foi nula, isso porque o povo era desde 1935, privado de suas principais lideranças de esquerda e refém do populismo da Era Vargas e, além de aceitar esse novo regime, mais nada poderia ser feito.

No maio do ano de 1938, ocorreu a Intentona Integralista, uma tentativa que contava com medidas fascistas e autoritárias, para tentar a derrubada do Estado Novo. No golpe de 1937, os integralistas haviam o aplaudido, e em suma, havia sido feito pelo combate ao comunismo. Getúlio Vargas permitiu que os grupos sobrevivessem, sendo até bem tolerante com eles. No entanto, não havia mais ligações com os camisas verdes. Mantidos à margem do governo, tentaram, sem sucesso, assaltar o Palácio Guanabara e derrubar Vargas do poder. Porém, mal organizados, fracassaram. Seguiram-se o exílio de Plínio Salgado e o desaparecimento do movimento integralista.